quarta-feira, junho 21, 2006

Crónica 3ª Jornada Grupo D - Olééé... Olééé... Olééé!

Tranquilidade ambiciosa! Os 6 pontos alcançados nas duas jornadas anteriores já tinham garantido, de forma inequívoca, a qualificação para a prova seguinte e por isso a tranquilidade de adeptos, técnicos e jogadores era óbvia. No entanto, o confronto com o México decidiria a liderança do grupo D que teria fundamental importância na definição do adversário nos oitavos-de-final. Sendo assim a ambição de garantir a vitória era bem visível na comitiva nacional.

Confesso que não olho para o México com os mesmos olhos com que vejo os restantes cabeças-de-série da competição. Acho, mesmo, discutível considerar o México como uma das 8 melhores equipas do Mundo e não incluir Portugal ou até a Holanda nesse lote. Então se pensarmos que a equipa mexicana está no 4º lugar do ranking mundial – seguido dos anedóticos EUA – é caso para colocar em causa a forma como se calculam os coeficientes de cada Selecção e que lhe dão as respectivas posições.

Não digo que não tenham qualidade, porque têm bastante, mas não são uma equipa de topo mundial. O destaque mexicano vai directamente para Jared Borgetti – que se encontra lesionado, Omar Bravo, Guillermo Franco e, principalmente, o central/trinco do Barcelona, Rafael Marquez.

Depois de uma semana marcada pelas lamentáveis “declarações” de Pinto da Costa – desrespeitosas para com Irão e Angola bem como para 22 jogadores portugueses – esperar-se-ia uma exibição cabal de Portugal sob forma de resposta à desvalorização patética dos seus feitos.


“Banquillo” em acção

Luiz Felipe Scolari deu o mote muito cedo, garantindo que não utilizaria jogadores portugueses já com um cartão amarelo na ficha disciplinar – jogadores esses que nem no banco se sentaram. Sendo assim, o exercício mental de adivinhação da equipa titular era, mais ou menos, acessível.

Portugal alinhou com Ricardo na baliza, Miguel e Caneira nas laterais mantendo-se os centrais, Ricardo Carvalho e Fernando Meira. No meio campo jogaram Petit e Tiago nos lugares de Costinha e Deco mantendo-se Maniche no 11. Na frente jogou Simão no lugar de Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga na vez de Pauleta. Luís Figo assegurou o lugar e a braçadeira de capitão!

Um pouco surpreendente a manutenção no banco de Nuno Gomes que, efectivamente, ainda não se encontra nas melhores condições físicas. Será muito importante ter um Nuno Gomes em boa forma pelo que se deseja uma rápida e total recuperação.


Sofrer pela 1ª vez

Pela primeira vez vi Scolari a cantar o hino de Portugal! A clara maioria mexicana abafava um pouco a euforia portuguesa mas nos hinos as vozes não se esconderam. 20 mil portugueses eram a prova do grande apoio a Portugal presente em Gelsenkirchen.
O início da partida ficou marcado pelos madrugadores “olés” mexicanos aos jogadores portugueses. Mais entusiasmados ficaram com a péssima entrada de Portugal no jogo que logo ao 2º minuto poderia ter sofrido um golo num remate de Fonseca bem seguro por Ricardo. Aos 6 minutos Portugal calou, de forma paralisante, todo o público da Selecção do México. A jogada de contra-ataque é magistral: Maniche recupera a bola no meio-campo e endossa-a a Simão na esquerda que no meio de 3 adversários passa atrasado para o mesmo Maniche que, já dentro da área, fuzila Oswaldo Sanchez. Estava feito o 1-0 no 1º remate português!

O golo foi estabilizador e pela primeira vez Portugal mandava na partida. Um controlo perfeito com jogadas de ataque e em velocidade. O México não conseguia sair a jogar e tinha muitas dificuldades na defesa pelo que veio ao de cima o jogo faltoso por vezes a roçar a violência.

Num pontapé de canto, aos 24 minutos, o experiente Rafael Marquez coloca a mão na bola, de forma infantil, despropositada e ostensiva, o que não dá outra hipótese a Lubos Michel que não a marcação do respectivo penalty. Simão Sabrosa, numa das suas especialidades, bate a grande-penalidade e faz o seu primeiro golo no Mundial, aumentando o score para 2-0.

Continuava o jogo duríssimo dos mexicanos quando Postiga, já na área, recebe um genial passe de Simão e atira colocado para grande defesa do keeper mexicano… na recarga Tiago tem tudo para matar o jogo mas, de baliza aberta e de primeira, atira por cima. Perde-se a oportunidade mais flagrante de Portugal!

No minuto seguinte, o golpe de teatro! Ricardo opõe-se de forma brilhante a remate de Omar Bravo e cede canto. No seguimento do lance, Fonseca aparece solto na área e, de cabeça, faz o 2-1 com muitas culpas para a defesa portuguesa. De uma possível vantagem de 3 golos, Portugal passava, aos 29 minutos, a liderar pela margem mínima.


Depois do golo mexicano Portugal tenta segurar o jogo com jogadas de Miguel e Figo pelas laterais. Aí apareceu Maniche nos seus poderosos remates de longe. Até ao intervalo destaque para uma grande defesa de Ricardo – a melhor da noite – a parar um remate de longe de Pavel Pardo.

Portugal sai para o intervalo com algum sentimento de injustiça pelas oportunidades perdidas mas com a vincada ideia de um 1º tempo de grande qualidade frente a um adversário de bom nível. Certamente que o falhanço do 3-0 terá destabilizado um pouco os jogadores portugueses, já que depois da meia hora de jogo a qualidade exibicional decaiu acentuadamente.


A 2ª parte é nefasta para Portugal! Neste período Portugal nunca conseguiu ter a tranquilidade necessária para segurar a bola e desferir ataques perigosos à baliza mexicana. Quase todos os jogadores ficaram na expectativa – um pouco compreensível pelo resultado e posição no grupo – e foram, por vezes, ultrapassados pelos ávidos adversários.

Assim, Ricardo foi importante pela tranquilidade que foi incutindo nos seus colega da defesa. O maior problema surgiu aos 57 minutos quando – num lance duvidoso analisado, mais à frente, no parágrafo da arbitragem – Lubos Michel assinou penalty devido a uma mão de Miguel. Ricardo “meteu medo” e Omar Bravo falhou a cobrança de forma escandalosa. Antes da marcação do penalty, fiz “figas” e desejei para que o mexicano atirasse por cima… parece que resultou, logo também tenho uma quota-parte de mérito no lance.

Pouco depois, Luís Perez tenta ganhar um novo penalty e simula uma falta de forma vergonhosa. Viu o 2º amarelo e foi expulso! Mas quando se pensava que a tarefa se tornava mais fácil para Portugal, e com apenas 10 jogadores, o México redobrou esforços e aproveitou a inércia portuguesa para continuar “dono e senhor” do jogo.


Aos 61 minutos, Scolari retira Miguel – na eminência da expulsão por duplo amarelo – e coloca em campo Paulo Ferreira. Na esquerda continua a abrir-se uma autêntica auto-estrada e é por aí que Omar Bravo – o grande azarado da partida – aproveita para seguir para a área e falhar de forma displicente o empate, atirando por cima.

A meia-hora final é de sufoco por parte do México e, face à tremedeira da defesa, Ricardo aparece, de forma brilhante, nos cruzamentos ou nas saídas aos pés do adversário – quase sempre Fonseca. Do lado de Portugal alguns bons lances de Nuno Gomes – entrou aos 70 minutos – e dois remates muito perigosos de Tiago depois de jogadas de Simão.

Nos minutos que antecedem o desfecho da partida, Portugal aparece melhor e consegue terminar o jogo “em cima” do México assegurando de forma mais tranquila os 3 pontos e o 1º lugar no grupo.

Destaco as exibições de Ricardo, Maniche, Petit e Simão.



Finalmente, Simão

Muitos adeptos e, de certeza, o próprio Simão já desesperavam por ver o grande Simão do Benfica ao serviço da Selecção. O capitão do SLB é um jogador fenomenal e fundamental no clube, demonstrando uma classe ímpar nos relvados portugueses, mas por Portugal vinha faltando aquela exibição de luxo numa grande competição. A resposta já foi dada, o #11 fez, provavelmente, o melhor jogo de sempre na “equipa de todos nós” dando uma clara resposta àqueles que menosprezam o seu valor. Um golo de penalty e uma assistência primorosa para Maniche são o destaque de 90 minutos mas Simão não foi só isso. A constante velocidade, as dezenas de fintas e um brilhante sentido posicional transformaram-no no homem do jogo!

Petit tem sido muito grande! A regularidade com que tem jogado tornam-no uma das peças mais importantes de Portugal – seja a titular, seja como suplente utilizado – e Scolari sabe-o.
“Varreu” tudo o que lhe apareceu pela frente segurando, como ninguém, o meio-campo defensivo. Destaque para um corte importantíssimo aos pés de Fonseca, ainda na 1ª parte, quando este se preparava para empatar o jogo. Então aquele lance em que rodopia sobre si e finta 2 jogadores foi maravilhoso.
A forma correcta e limpa como tem abordado os jogos deste Mundial está a calar muita “gentinha”! Tem estado um pouco desaparecido nas bolas paradas e nos remates de longe mas muito pelo facto de haver inúmeras soluções nesses capítulos.


Se adeptos e imprensa tinham dúvidas sobre a condição de algum jogador dos 23, Maniche era esse jogador. O ex-jogador do Chelsea fez uma grandíssima exibição coroada com um grande golo… à Maniche. Está muito rápido, o que lhe permite circular a bola como tão bem sabe, e encheu o campo de forma sublime. O seu remate é mortífero e causou alguns problemas a Sanchez – foi o que mais vezes tentou o golo. O #18 foi o grande pivot de Portugal e até parece mais magro!

O guarda-redes do Sporting fez uma das melhores exibições por Portugal que tenho memória – aliás, tem estado muito bem na competição. Ricardo está seguríssimo nos cruzamentos – não falhou uma única recepção de bola – e com uma grande dose de auto-confiança. No jogo exterior está muito forte – como de costume – mas é na segurança dentro da área que tem brilhado.

Miguel esteve mais apagado que em confrontos anteriores e muito por causa daquele maldito penalty. Esse lance levou-o à atrapalhação nalguns lances posteriores muito pelo facto de estar visivelmente incomodado e intranquilo com toda a situação.
Amarelado muito cedo – de forma algo discutível – o lateral do Valência foi discreto ofensivamente mas imperial no que diz respeito à defesa. Tem sido dos melhores jogadores de Portugal no Mundial, sem qualquer dúvida!


Ricardo Carvalho tem estado discreto na competição. Se é verdade que não tem tido muitas falhas comprometedoras – neste jogo teve algumas, também é inequívoco que estão longe os momentos de grande fulgor com que se exibiu no Euro 2004. Resta esperar por um teste mais a sério – leia-se, um ponta-de-lança de nível Mundial – para testar todas as suas reais capacidades. Mas mesmo assim, Fonseca deu-lhe muito trabalho! Está claro que a dupla de centrais actual não tem 1/3 do brilhantismo da que faz com Jorge Andrade e isso é sinónimo de problemas para Portugal.

Tiago, que não tinha estado bem na partida frente a Angola, voltou à titularidade mas não evoluiu de forma muito visível. Algo temeroso na defesa e pouco afoito no ataque foi dos jogadores portugueses mais apagados. Fica a ideia que poderia ter feito mais qualquer coisa no lance do golo mexicano mas tem desculpa porque é visível a atrapalhação que Caneira lhe causa. Tem estado infeliz na finalização pois nas oportunidades que teve para marcar não conseguiu, nunca, desfeitear Sanchez – numa delas perdeu o golo de forma escandalosa. Precisa de uma grande exibição com as quinas ao peito para explodir definitivamente!

Talvez a exibição menos conseguida de Luis Figo neste Mundial. Mas Figo é, sempre, essencial nesta equipa pela experiência, capacidade técnica, táctica e de liderança. Fez um jogo mais de apoio ao meio-campo e defesa – sim, Figo ajuda a defender – do que de desequilíbrio ofensivo mas teve algumas dificuldades no 2º tempo – como quase todos – sendo substituído de forma correcta quando já tinha “estoirado”. Infeliz na marcação das bolas paradas.


As prestações de Fernando Meira, Hélder Postiga e Marco Caneira foram, de facto, bastante más.

Fernando Meira continua muito intranquilo e com falhas comprometedoras. É duro de rins na marcação deixando fugir o adversário com alguma facilidade – valem as dobras de Ricardo Carvalho e do trinco residente. O jogo aéreo tem sido um desastre, o que não é normal num central de quase 1,90m. Está aqui o grande problema de Portugal porque… não há mais nenhum!

O ponta-de-lança do FC Porto apenas num lance provou ser útil, ao efectuar um bom remate para defesa do keeper mexicano. No resto do jogo, Hélder Postiga, esteve completamente alheado da partida, tentando criar espaços, é verdade, mas de um avançado esperam-se remates ou pelo menos acções ofensivas visíveis e Postiga não fez nada disso. A falta que Pauleta faz é evidente!

A prestação de Marco Caneira é inqualificável. Não sei se estava nervoso ou se é falta de qualidade mas nunca vi um jogador português jogar tão mal numa Selecção A e ser tão decisivo para o... México. Foi um desespero, parecia que não sabia o que estava a fazer em campo! Todos os lances perigosos do México foram pelo nosso lado esquerdo... e tem responsabilidades no golo de Fonseca porque estava mal colocado e atrapalhou quem podia tirar a bola. A cereja no topo do bolo são aquelas duas assistências para Fonseca e Bravo – com passes laterais demasiado fracos e facilmente interceptáveis – que não tiveram arte para concluir.

E por fim os suplentes Paulo Ferreira, Nuno Gomes e Boa Morte.

A entrada de Paulo Ferreira foi uma catástrofe. Claramente fora do ritmo do jogo, no primeiro lance em que interveio de forma clara tem um lance polémico na área que poderia ter custado caro a Portugal. Depois desse lance, que poderia ter comprometido a equipa, serenou e acabou o jogo em bom plano no aspecto defensivo. Ofensivamente foi zero, como é o seu timbre, mas isso já o sabemos e não o podemos criticar, já que não são essas as suas características!

A palavra que melhor caracteriza os 20 minutos de Nuno Gomes é… lentidão! A péssima condição física e o desacerto no remate explicam a titularidade de Postiga. De Boa Morte apenas 10 minutos em campo, muita atrapalhação e nervosismo mas mesmo assim uma boa jogada, já nos descontos, que culminou num remate de Maniche à figura de Oswaldo Sanchez.


Não há duas sem três

3 jogos, 3 más arbitragens com prejuízo para Portugal! O eslovaco Lubos Michel cometeu alguns erros que lhe mancharam o trabalho de forma bem visível, pelo que se esperava mais de um dos melhores árbitros mundiais da actualidade. Expulsou Perez, por duplo amarelo, devido a uma simulação grosseira já na área mas deveria tê-lo feito, de forma directa, 35 minutos antes por uma entrada muito dura sobre Maniche – que poderia ter sido expulso, mais tarde, na resposta à referida entrada a que foi sujeito.

Ao assinalar penalty por mão de Rafael Marquez, não se compreende como deixou o mexicano incólume disciplinarmente – o amarelo era obrigatório. No que diz respeito ao penalty de Miguel, talvez com um lampejo compensatório, parece-me que decidiu de forma errada. O jogador do Valência já está em queda e, mais importante que isso, está de costas para a bola, portanto o contacto será sempre involuntário. Miguel no meio deste azar teve sorte, já que poderia ter visto, nesse lance, o 2º amarelo – tendo em conta que a falta foi assinalada.

Há ainda um lance bastante duvidoso na área protagonizado por Paulo Ferreira e Omar Bravo. O contacto do defesa português é evidente mas fica a sensação que a bola já estava fora, o que por si só, impede que seja assinalado o penalty. À primeira vista parece bem decidido pelo árbitro eslovaco.

Trabalho dos auxiliares impecável!


Depois do pleno, “alaranjar” a ambição

A vitória de Portugal sobre o México representa a primeira derrota de uma equipa cabeça de série neste Campeonato do Mundo e assegura o, tão desejado, primeiro lugar do grupo – que faz com que evitemos o confronto com a poderosa Argentina. A outro nível, Scolari aumenta o seu recorde de vitórias consecutivas – 17 por Portugal e 10 em Mundiais – e está apenas a 3 do 2º lugar do ranking do treinador com maior número de vitórias de sempre em Mundiais.

De forma algo surpreendente, pela primeira e única vez até agora, o Comité Técnico da FIFA optou por escolher como o “Man of the Match” um jogador da equipa derrotada – José Fonseca. A decisão é muito discutível tendo em conta que do lado português haveria várias alternativas. É mais uma “acha” para a fogueira do proteccionismo que a Selecção mexicana usufrui do órgão máximo do futebol Mundial.

3 jogos, 3 vitórias, 5 golos marcados, 1 golo sofrido, 9 pontos. 2º melhor resultado de sempre!
Segue-se a Holanda – o adversário desejado por quase todos – que tem um historial muito negativo contra nós – como apresentei na crónica da 2ª jornada. O jogo é já no Domingo e é de “mata-mata”!

O Scolari é o maior! Força Portugal!


NDR: Para quem não sabe, o curioso “sombrero” mexicano que Luís Figo envergou durante largos minutos, depois do final da partida, era pertença de um adepto do México que, irritado com os festejos portugueses, o atirou para dentro de campo. E o capitão, pelos vistos, gostou… sempre é melhor que cabeças de leitão!

O título do post é uma homenagem aos mexicanos ordinários que nos 1ºs 5 minutos brindaram os nossos jogadores com o referido cântico. Foram bem calados pela bomba do Maniche!


Ficha do Jogo:

Campeonato do Mundo - Grupo D (3ª jornada)

Arena AufSchalke em Gelsenkirchen

Árbitro: Lubos Michel (Eslováquia)

PORTUGAL - Ricardo; Miguel (Paulo Ferreira, 60 m), Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Marco Caneira; Petit, Tiago e Maniche; Luis Figo (Boa Morte, 80 m), Simão Sabrosa e Hélder Postiga (Nuno Gomes, 68 m).

MÉXICO - Osvaldo Sanchez; Francisco Rodriguez (Zinha, 46 m), Ricardo Osório, Carlos Salcido e Mário Mendez (Guillermo Franco, 80 m); Pavel Pardo, Rafael Marquez, Gonzalo Pineda (Jose Castro, 69 m) e Luis Perez; José Fonseca e Omar Bravo.

Disciplina: Amarelos para Francisco Rodriguez (22 m), Miguel (26 m), Luis Perez (27 m e 61 m), Rafael Marquez (65 m), Maniche (69 m), Boa Morte (88 m) e Nuno Gomes (90+1 m). Vermelho por acumulação de amarelos a Luis Perez (61 m).

Golos: 1-0, Maniche (6 m); 2-0, Simão (23 m de g.p.); 2-1, Fonseca (28 m) .

Fotos: AFP – Getty Images

#publicado em simultâneo com os Encarnados

Uma situação intrigante

Durante os jogos da fase de qualificação dos grupos, raras foram as Selecções que, na marcação de um canto por parte do adversário, não utilizaram 2 jogadores junto aos postes para apoio ao Guarda-Redes.

O que me intriga foi que Scolari nunca adoptou essa táctica, e foi do lado esquerdo da baliza de Ricardo que Fonseca marcou o único golo sofrido por Portugal.

A utilização desses apoios ao GR ter-nos-ia permitido, quase de certeza, o pleno: 3 vitórias, 9 pontos, 0 golos sofridos, record esse, por enquanto, que pertence exclusivamente a Dida.

Homer Simpson - o 12º jogador



Homer: "Oh I'll kill myself if Portugal doesn't win"

Com esta distinta personagem na clap de apoio a Portugal, sem dúvida que a vitória já está no papo

Nota o mais escondida possível: clip suprepticia, descarada e vergonhosamente gamado ao blog futebloguês

segunda-feira, junho 19, 2006

Ronda 2 do Mundial 2006

Grupo A
Alemanha 1-0 Polónia: Com direito a aquecimento por parte dos adeptos fora do estádio, foi um jogo que lembrou o que há de pior no futebol. A rivalidade radical e soma de todos-os-medos: futebol + politica = guerras. Quanto ao jogo propriamente dito, foi bastante tenso (porque será?) e só ficou desequilibrado com a expulsão a Radaslow Sobolewski (75’). Daí em diante foi o “assalto” germânico às redes polacas que teve efeito mesmo no fim da partida com um golo de Neuville aos 91’. Passagem garantida à próxima fase por parte dos anfitriões.

Equador 3-0 Costa Rica: Tornou-se a equipa surpresa deste Mundial2006, a equipa do Equador. Com golos de Tenório (8’), Delgado (54’) e Kaviedes (92’) conquistou o lugar na fase seguinte que faltava atribuir no grupo, ao segundo jogo. Fantástica carreira até agora e já ninguém aposta tudo na Alemanha no jogo 3. Será que o Equador conquistará em definitivo o 1º lugar do grupo? (eu digo sim)

Grupo B
Inglaterra 2-0 Trinidade&Tobago: Não foi fácil o triunfo britânico sob Tobago. Os golos já apareceram tarde por Crouch e Gerrard (83’ e 91’). Mesmo assim foi merecida esta vitória, fruto de muito suor no meio-campo e combate. 3º jogo, 3ª vaga preenchida na fase seguinte.

Suécia 1-0 Paraguai: Com o golo de Ljungberg (89’) a Suécia encerrou as esperanças do Paraguai neste Mundial e chegou-se mais à próxima fase precisando apenas de um empate diante da Inglaterra se não quiser ficar a ouvir “rádio” e a rezar para que o Paraguai faça o que ainda não conseguiu fazer…ganhar ( a Tobago).

Grupo C
Argentina 6-0 Servia e Montenegro: Acho que não foi só o Monte que ficou negro (hehe). Olé Argentina! Finalmente uma actuação em “full-time” para maravilhar o mundo do futebol. AVASALADORA EXIBIÇÃO! Golos de Maxi Rodriguez (6’ e 41’), Cambiasso (31’), Crespo (78’), Teves (84’) e Messi (88’) que fechou a maior tareia da prova até agora e carimbou o passaporte para a fase seguinte (caaaaaaaaaaaáramba!).

Holanda 2-1 Costa do Marfim: 5º apurado para o próxima fase em 6 possiveis apurados é obra e mostra a concentração e rigor com que a maioria das equipas está a jogar esta na prova-maxima do Futebol. A Holanda não foge à regra ou não tivesse o infalível Van Basten aos comandos de Van Persie (23’) e Nistelrooij (27’). A Costa do Marfim de Drogba terá que estudar bem esta lição, porque para mim ficou bem patente que uma equipa de futebol não é uma estrela + 10. Mesmo assim, Bakari Kone reduziu aos 38’ e deu emoção até ao fim do encontro.

Grupo D
Angola 0-0 México: Foi um 0-0 que gostei e festejei como se de uma vitória se tratasse. Por franca simpatia à equipa angolana (não só pelo Mantorras) e por uma enorme antipatia à arrogância mexicana (que diziam que ficavam em 1º no grupo com uma perna às costas). Angola ainda sonha com a fase seguinte, mas está à mercê do que Portugal fará aos Mexicanos.

Portugal 2-0 Irão: Já foi postado pelo Pedro Neto (e bem, na minha opinião, com galvanização a mais…vê-se que é benfiquista hehe), por isso vou tocar noutro tema: Fala-se de quem deveríamos calhar ou não calhar na fase seguinte – se com a Holanda ou Argentina - e já todos nos esquecemos do 3º jogo do grupo. Neste capitulo a minha opinião é simples: É ganhar contra o México e não perder o embalo, assim, seja quem for que fique no 2º lugar do grupo C será teoricamente mais fraco e mais acessível a Portugal já qualificado para a fase seguinte (6º apurado). Ganhem ao México e pensem nos outros depois!!!

Grupo E
Gana 2-0 Rep.Checa: Se podia haver surpresas na segunda ronda, esta foi uma. Como é posssivel que os Checos tenham maravilhado frente aos EUA com um 3-0 sem apelo nem agravo e caiem frente a um Gana cheio de “ganas” de ganhar. Sem duvida que 2-0 foi lisonjeiro para a Rep.Checa, visto que os africanos falharam uma penalidade e deixaram que Peter Cech fizesse uma exibição cheia. Golos de Gyan (2’) e Muntari (82’).

Itália 1-1 EUA: Record em cartões vermelhos (3) na prova e dois golos italianos:Gilardino aos 22’ e Zaccardo (italiano) confundiu a baliza e marcou para o tio Sam aos 27’.

Grupo F
Japão 0-0 Croácia: É incrível como jogadores profissionais não conseguem acertar numa baliza gigantesca e algumas vezes completamente aberta. Até Srna falhou uma penalidade para a Croácia (defesa do GR nipónico).

Brasil 2-0 Austrália: Todos esperaríamos um Sambinha nos jogos do escrete, mas pelos vistos vamos continuar à espera porque ali está a imperar o profissionalismo. Jogo bastante difícil para o Brasil, com os australianos a darem uma replica muito positiva no jogo, que só foi definido por Adriano já na segunda parte (49’). Depois já quase no fim e após 1 minuto e 30 da sua entrada, Fred estreia-se no Mundial a marcar o 2-0 e viria a ser protagonista de um história bizarra (ver dois posts abaixo). Brasil qualificado para a fase seguinte.

Grupo G
França 1-1 Coreia do Sul: A França espantou o fantasma que tinha desde 1998 com o golo feliz de Henry aos 9’. Tudo fazia querer que os gauleses iriam matar outro borrego (ganhar um jogo desde a final do Mundial 98) e ganhar à Coreia, até tiveram mais oportunidades de marcar na 1ª parte. Mas a entrada na 2ª parte foi displicente e deixaram que a Coreia se agigantasse e J.S.Park aos 81’ marcou um golo caricato que pôs em cheque a qualificação gaulesa.

Suiça 2-0 Togo: Não vi grande parte do jogo, mas a parte final não me falhou e não gostei da atitude do Togo. Perdiam 1-0 e estavam a queimar tempo. Inadmissível num campeonato do Mundo este tipo de postura, antes tinham ameaçado com uma greve por prémios de jogo (quais prémios?). A Suíça ganhou mas não convenceu. Golos de Frei aos 16’ e Barnetta aos 88’.

Grupo H
Ucrânia 4-0 Arábia Saudita: A Ucrânia vingou o desaire com os espanhóis frente aos Sauditas, já habituados a levar grandes goleadas em mundiais (no ultimo levaram 8 da Alemanha). Com golos de Rusol (4’), Rebrov (36’) Shevchenko (46’) e Kalinichenko (84’) a Ucrânia equilibra as contas de golos.

Espanha 3-1 Tunísia: Os tunisinos começaram o jogo a ganhar, aos 8’ abriram o marcador por Mnari e mantiveram-se na surpreendente liderança até à 2ª parte, altura em que a “fúria” espanhola voltou a surgir sob forma de “El niño”, mas 1º Raul repõe o empate aos 71’. Depois, Torrez show aos 76’ e aos 91’ (penalti) com varias oportunidades não aproveitadas pelo meio. Espanha nos oitavos.

Crónica 2ª Jornada Grupo D - Quase Perfeito!


O dia tão esperado! Na 6ª-feira apareceu o rastilho da alegria portuguesa, com o histórico empate da “minha/nossa” Angola frente ao México, como uma espécie de preliminar do jogo português. A hora era decisiva e uma “simples” vitória colocaria o país em polvorosa.

Olhando para a equipa do Irão – ou Irã, como diz Scolari – facilmente entendemos que não são, nunca, “favas contadas” visto que a experiência que muitos iranianos têm de Campeonato Alemão é um factor a ter em conta. Pelo que vi do confronto com o México, esperar-se-ia bastante segurança no meio-campo – com jogadores de alguma classe como Karimi e Mahdavikia – mas um ataque algo insípido bem como uma defesa ingénua – Kaebi a excepção – que dá muitos espaços nas laterais.

Mais uma vez foi feita nova campanha lamentável – pela maioria da imprensa e por alguma parte da opinião pública – que tentou denegrir de forma objectiva a exibição individual e colectiva de Portugal frente a Angola. As declarações brilhantes de Scolari, Figo e Costinha ao longo da semana apaziguaram os referidos “ataques” dos pseudo-entendidos, mas a “machadada final” foi dada pelos Palancas Negras na partida referida acima.

Curiosidade para ver o comportamento dos jogadores portugueses na resistência ao sol das 15 horas locais. Os termómetros indicavam uns moderados 20º pelo que o Estágio em Évora poder-se-ia revelar fundamental no esforço físico dos atletas.


Regresso ao futuro parte 2004

Luiz Felipe Scolari, algo surpreendentemente, fez novas alterações na equipa titular, apostando – à excepção do tristemente ausente Jorge Andrade – na equipa Vice-Campeã Europeia de 2004.

A recuperação física de Deco foi uma óptima notícia, garantindo ao “mágico” a tão esperada e imprescindível titularidade. Sendo assim o sacrificado foi Simão Sabrosa, acabando também por remeter para o seu lugar de origem o grande capitão Luís Figo. Ao fim ao cabo, o meio-campo central foi totalmente remodelado entrando Costinha e Maniche para os lugares de Petit e Tiago. Nas restantes posições, nada de novo.

Confesso que foi com alguma apreensão que vi a constituição da equipa e temi pela forma física do #6 e do #18 de Portugal. Se, como se sabe, o centro do terreno é fulcral no desenvolvimento do jogo, o baqueamento físico de dois atletas poderia ser altamente prejudicial. Como sempre, confio nas escolhas do seleccionador.


Espectáculo e… golos

A cerimónia do hino nacional é, sempre, algo de especial, principalmente quando o mesmo é entoado por milhares de pessoas em conjunto. Em Frankfurt foram mais de 25 mil emocionadas gargantas – sensivelmente 3/5 do Estádio – que gritaram “A Portuguesa” a plenos pulmões.

O início da partida demonstrou um Portugal dominador e perigoso contrapondo um Irão temerário e muito estático. Logo no 1º minuto e depois de uma grande jogada de Figo – Angola “dejá vù”, pensaram muitos – que culminou numa assistência atrasada para Deco, o luso-brasileiro não consegue imitar Pauleta e falha o remate. O falhanço foi tão irritante para o #20 que o mesmo optou de imediato por trocar de botas… talvez aqui tenha estado o segredo da vitória.

Depois, e por 3 vezes, apareceu a meia-distância de Maniche que com um pouco mais de sorte teria aberto o marcador. Valeu o esforço de um atleta que procura o melhor momento! Pelo meio, destacar as constantes iniciativas individuais de Figo – o jogo passa, quase sempre, por ele – e ainda uma iminente jogada de golo com um fantástico estoiro de Deco, já dentro da área, que fez o keeper do Irão brilhar em grande escala.


À meia-hora de jogo, e depois de um controlo esmagador de Portugal mas com manifesta infelicidade na concretização, começaram a aparecer alguns fogachos iranianos nomeadamente em alguns lances de bola parada. No entanto, Ricardo pareceu sempre bastante seguro e não deixou em momento algum os créditos por mão alheias – há um lance de bola ao poste mas invalidado por fora-de-jogo.

Até ao intervalo, só deu Ronaldo! Depois de um começo algo intranquilo com os, já tão falados, exagerados adornos nos lances, o jovem internacional do Manchester United abriu o livro. Para além das sucessivas jogadas individuais, Cristiano Ronaldo teve duas óptimas oportunidades para marcar: um cabeceamento depois de um canto que o lateral-direito Hosein Kaebi – e não Kaabi, como tanta gente diz, de forma errada – safou com dificuldade e em cima da linha, e um estupendo remate de fora da área que daria golo caso o defesa não tem tocado levemente na bola.

Destaque ainda, mesmo a terminar o 1º tempo, para uma fantástica jogada de Miguel, que após fintar 2 adversários remata à baliza para defesa apertadíssima de Mirzapour por instinto. O lateral-direito do Valência foi também um dos mais inconformados e temi quando o vi prostrado no relvado, sentimento agravado pelo facto do suplente Paulo Ferreira ter começado a fazer exercícios de aquecimento.


Depois de uma magnífica 1ª parte – para mim, a melhor desde o Euro 2004 – esperar-se-iam golos que vinculassem a esmagadora superioridade de Portugal. Figo foi quem, desde cedo, tentou concretizar o que não se conseguiu nos anteriores 45 minutos. Com o nervosismo nas bancadas a aumentar exponencialmente, o capitão arranca pela esquerda e passa por um iraniano. Faz um passe lateral para a entrada da área onde aparece Deco, que já em queda, faz um fantástico remate que se vai anichar junto ao poste direito de Mirzapour… sem hipótese de defesa! Um grande golo, certamente um dos melhores da competição!

O técnico iraniano, algo atarantado com o golo, faz de imediato 2 substituições pelo que Scolari responde com o refrescamento do meio-campo – Petit por Maniche. É certo que o Irão teve algumas oportunidades depois do golo de Deco mas nunca de forma consistente, apesar de alguma intranquilidade na zona central da defesa.

Foram uns 20 minutos finais de um autêntico show-Ronaldo. Colado no lado esquerdo pôs a “cabeça em água” aos vários defesas iranianos que só com falta o conseguiram parar. Scolari brilhantemente decidiu premiar o seu esforço com a marcação de um penalty superiormente conquistado por Luís Figo. O #17, que até nem costuma cobrar penaltys, não falhou e deu alguma justiça ao resultado. Até ao fim do jogo, foi apenas gerir o 2-0 com o mínimo esforço possível.

Destaco as exibições de Luís Figo, Miguel, Cristiano Ronaldo e Deco.


Magia e classe

Parece-me evidente considerar Luís Figo como o melhor em campo. Apesar de não ter sido tão exuberante como na 1ª jornada, o capitão foi fundamental. Para além de ter feito a assistência para o 1º golo de Portugal, foi também ele que ganhou o penalty que daria o 2-0. De destacar que neste Mundial, o #7 está em todos os golos de Portugal. É como o Vinho do Porto!
A exibição de Figo foi bastante boa, a confirmar que está numa excelente forma física e mental, com os constantes sprints e cruzamentos milimétricos. O decréscimo de produção na parte final do 2º tempo poderá ser explicado pelo cansaço – ninguém aguenta tanto esforço – e também pela entrada violenta que sofreu de Kaebi.

Com grande categoria exibiu-se o lateral-direito Miguel. O jogador do Valência, à falta de muito trabalho defensivo, foi um autêntico extremo numa espécie de regresso às origens. O #13 está feito um grandíssimo jogador e confesso que já nem me irrito com os tristes acontecimentos que levaram à sua saída do Benfica. Já passou… e por Portugal, Miguel tem feito muito. Destaco algumas jogadas individuais em que passou por vários iranianos e ainda uma manifesta infelicidade naquele remate que embate fortuitamente no keeper iraniano.


O “puto maravilha” voltou a entrar no jogo de forma algo intranquila e mostrando alguns dos tiques já visíveis contra Angola. Ainda assim, foi dos que mais lutou e dos que mais perigo criou com remates fantásticos. Depois do golo libertador, tudo mudou e apareceram fogachos de um Cristiano Ronaldo ao seu melhor nível. Foi o pânico do lado do Irão, sem capacidade para o travar nas constantes arrancadas pela esquerda, apenas o recurso à falta foi possível… ainda que, por vezes, nem com falta conseguiam. Scolari premiou-lhe o esforço com a possibilidade de se estrear a marcar de penalty. O brasileiro pôs a “carne toda no assador” mas com sucesso… o falhanço do jovem seria castrador!
Um jogo muito importante para o jogador do Manchester, já que precisamos de um Cristiano ao seu melhor nível!

O regresso do “mágico” começou por ser uma desilusão. Certamente com problemas físicos resultantes da lesão muscular que lhe afectou este início de Mundial, Deco passou ao lado do jogo no 1º tempo. Bastante lento e algo complicativo no passe que resultou em várias perdas de bola, o jogador do Barcelona ainda conseguiu uma das melhores jogadas do 1º tempo num estupendo remate, defendido estoicamente por Mirzapour.
A sua real importância na equipa veio ao de cima quando já começava a imperar algum nervosismo pela ausência de golos nacionais. O majestoso golo que fez aos 63 minutos foi de tal forma importante nesta caminhada que o eleva a um dos “homens do jogo”. Jogadores assim são imprescindíveis!


Gostei também de Costinha e de Maniche. O ataque cerrado que os ex-jogadores do Dínamo de Moscovo sofreram durante semanas – um pouco por todo o lado – converteu-se em rasgados elogios pela prestação neste jogo. A calarem muitas bocas, portanto!

A exibição de Costinha foi, mesmo, uma das melhores que já o vi fazer ao serviço da Selecção Portuguesa. Foi, de longe, o melhor homem a defender ocupando o espaço central de forma perfeita. Ajudou, como sempre o faz, no jogo aéreo nas bolas paradas e, simplesmente, cortou tudo o que havia para cortar. Foi o regresso do grande Costinha que até acabou o jogo como capitão!

A disponibilidade de Maniche foi uma das grandes surpresas principalmente pela velocidade que apresentou! O pontapé fulminante está lá e parece que fisicamente o médio pode responder a grande altura. Foi dos melhores no 1º tempo com alguns remates perigosíssimos. A partir da hora de jogo “rebentou” e foi bem substituído por Petit.

Apesar de ter tido pouco trabalho, Ricardo foi importante em determinadas fases do jogo onde o Irão tentou ser um pouco mais ofensivo. As oportunidades foram poucas mas as que houve foram bem resolvidas pelo guardião português. Demonstra grande segurança nas saídas a cruzamentos e isso é fundamental!


Menos positivas foram as exibições de Pauleta e de Fernando Meira.

O ponta-de-lança de Portugal passou ao lado do jogo. Sublimemente marcado e no meio de dois centrais iranianos, por apenas uma vez conseguiu uma oportunidade de fazer golo. Nesse lance, mesmo a terminar o jogo, nem fez remate nem passou a Simão e a jogada perdeu-se. É verdade que as bolas não lhe chegaram em condições ideais – Portugal fez, maioritariamente, remates de longe – mas Pauleta tem de estar mais em jogo se quer continuar a titular.

O central do Estugarda é um bom jogador mas tem estado demasiado intranquilo para conseguir dar a segurança necessária a colegas e adeptos. Teve muitíssimas dificuldades na marcação a Hashemian pelo que quase todos os lances perigosos dos asiáticos saíram de duelos que perdeu – maioritariamente de cabeça – com o iraniano. Teve um dos maiores falhanços que um defesa já deu neste Mundial ao deixar fugir, ficou parado inexplicavelmente, Khatibi que poderia ter empatado o jogo… valeu Ricardo a cobrir o ângulo. É, com toda a certeza e sem desprimor para o seu valor individual, o calcanhar de Aquiles de Portugal.


O seu companheiro de sector, Ricardo Carvalho, também não esteve ao seu nível. Com dificuldades para dobrar Meira, o central do Chelsea – imperial no jogo aéreo – não poderia estar em 2 lugares ao mesmo tempo e assim deixou alguns espaços que poderiam ter sido aproveitados pelos iranianos – principalmente nas bolas paradas. Que pena a lesão de Jorge Andrade, essa dupla é fantástica!

Quanto a Nuno Valente, mais do mesmo. Defensivamente irrepreensível – não me lembro de um único falhanço – com constantes dobras e marcações perfeitas, mas algo inibido no que diz respeito ao ataque. Obviamente que não podemos ter 2 laterais muito ofensivos, caso contrário a equipa fica desequilibrada mas mesmo assim ainda executou alguns cruzamentos perigosos. Não comprometeu como, já se provou, raramente o faz.

E por fim os suplentes Petit, Tiago e Simão.

Scolari deu pouquíssimo tempo de jogo aos suplentes que entraram em jogo. Apenas Petit teve alguma margem de manobra e foi, naturalmente, o que melhor se exibiu dos 3. O #8 de Portugal “tapou o buraco” que Maniche, fisicamente exausto, já tinha dificuldades em segurar e ainda teve tempo para explorar o seu explosivo pontapé de meia-distância.

Tiago e Simão tiveram pouco tempo em campo onde o seu reduzido protagonismo se deveu mais em procurar ocupar os espaços e segurar a bola.


Mais uma vergonha vinda de França

Sinceramente não entendo o que os árbitros franceses têm contra a Selecção Portuguesa. Depois de um inesquecível Marc Batta – premiado com a presidência da arbitragem da Federação Francesa – aparece este Eric Paulat que tudo tentou para complicar a vida aos portugueses. É certo que as suas acções não foram tão escandalosas como as do seu compatriota antecessor mas demonstrou um critério disciplinar completamente descabido.

A nível técnico não houve nada de demasiado evidente, visto que até assinalou – e muito bem – a clara falta para penalty. No entanto, disciplinarmente foi um desastre. As acções irregulares, por vezes brutais, da Selecção do Irão passaram muitas vezes sem punição, com destaque para a tal agressão bárbara de Hosein Kaebi a Luís Figo. O jogador português ficou, inclusivamente, com uma grande e perfeitamente visível, marca no rosto. Também Ronaldo foi bastante castigado sem qualquer admoestamento aos prevaricadores.


A falta que dá origem ao cartão amarelo de Deco existe mas não passa de um pé-em-riste que deveria ter dado origem a livre indirecto. Como é possível que não tenha visto a entrada brutal a Figo e tenha marcado falta neste lance?!

Muito trabalho para os árbitros-auxiliares que, no que diz respeito aos foras-de-jogo, estiveram bastante bem. A decisão de anular o golo a Cristiano Ronaldo foi, de facto, bem tomada tal como a anulação da jogada do remate ao poste da baliza de Ricardo. No entanto, poderiam e deveriam ter elucidado o seu chefe de equipa nalguns lances que passaram incólumes, principalmente nas laterais da área iraniana.


40 anos depois…

Muitos já não sabem onde se enfiar… é escavar um buraco e enfiar a cabeça na areia porque com a qualificação para a 2ª fase do Mundial já garantida – 40 anos depois de 1966 e ainda com tudo em aberto para outros voos – Portugal já fez o seu 2º melhor resultado de sempre nesta competição.

Esta vitória também coloca Scolari ainda mais no topo em virtude do facto de ser o treinador que, em Mundiais, conquistou mais vitórias consecutivas desde sempre – um total de 9 – quebrando um recorde com 68 anos que ainda pertencia ao italiano Vittorio Pozzo – Campeão em 1934 e 1938. Curiosamente Scolari tem tantas vitórias em Mundiais como as que tem a Selecção Portuguesa em toda a história.

O técnico brasileiro, com apenas duas presenças, subiu ao 3º lugar dos técnicos com mais vitórias em Mundiais de Futebol apenas ultrapassado pelo alemão Helmut Schön (16 vitórias em 4 presenças) e pelo brasileiro Mário Zagallo (13 vitórias em 3 presenças). O alemão Josef Herberger e o italiano Vicenzo Bearzot têm também 9 vitórias embora o primeiro tenha 4 presenças e o segundo tenha 3, portanto menor rácio que “Felipão”.

Scolari, ao comando de Portugal, aumentou ainda os seus anteriores recordes de vitórias consecutivas (15), de vitórias conquistadas (29), sendo agora o seleccionador com maior número de jogos no comando (45, ultrapassando os 44 de António Oliveira).


Ainda antes do confronto dos 8ºs de Final, há um confronto com o México, que penso ser importante vencer. A vitória ou o empate assegurará o 1º lugar do grupo que possibilitará defrontar Holanda ou Argentina na próxima fase. Quer holandeses, quer argentinos formam excelentes equipas embora o “país das pampas” esteja numa forma fulgurante. Tradicionalmente temos mais alegrias com holandeses mas, neste tipo de jogos, a história conta muito pouco.


Histórico frente à Argentina (não há confrontos há 34 anos)

1928: 0-0 num jogo amigável, disputado em Lisboa

1952: 1-3 num jogo amigável, disputado em Lisboa (Manuel Vasques fez o golo português)

1954: 1-3 num jogo amigável, disputado em Lisboa (Travassos fez o golo português)

1961: 0-2 num jogo amigável, disputado em Lisboa

1964: 0-2 num jogo amigável, disputado no Rio de Janeiro

1972: 3-1 no Torneio de Independência do Brasil, disputado no Rio de Janeiro (Adolfo Calisto, Eusébio e Dinis fizeram os golos de Portugal)

Saldo: 6 J – 1V – 1E – 4D – 5 golos marcados/11 sofridos



Histórico frente à Holanda

1990: 1-0 na qualificação para o Euro 1992, disputado no Porto (Rui Águas fez o golo da vitória)

1991: 0-1 na qualificação para o Euro 1992, disputado em Roterdão

1992: 2-0 num jogo amigável, disputado em Faro (Golos de Oceano e César Brito)

1995: 1-0 num jogo amigável, disputado em Eindhoven (O tal golaço de Pedro Barbosa)

1999: 0-0 num jogo amigável, disputado em Paris

2000: 2-0 na qualificação para o Mundial 2002, disputado em Roterdão (Golos de Sérgio Conceição e Pauleta)

2001: 2-2 na qualificação para o Mundial 2002, disputado no Porto (Marcaram Jimmy Hasselbaink e Patrick Kluivert para a Holanda; Pauleta e Figo de g.p, no último minuto, fizeram os golos lusos)

2003: 1-1 num jogo amigável, disputado em Eindhoven (Simão Sabrosa empatou o jogo depois de Patrick Kluivert ter adiantado o marcador)

2004: 2-1 nas Meias-Finais do Euro 2004, disputado em Lisboa (Marcaram Cristiano Ronaldo e Maniche para Portugal; Jorge Andrade na p.b. fez o golo holandês)

Saldo: 8 J – 5V – 2E – 1D – 11 golos marcados/5 sofridos


Fonte: RSSSF


Tendo em conta que há jogadores em risco de suspensão – os amarelos são limpos na próxima fase – é previsível que haja alterações no 11 inicial frente aos mexicanos. Não há a necessidade estar a arriscar a presença desses mesmos jogadores e por isso Scolari deverá apostar nalguns suplentes menos utilizados com a esperança que apareça um “Sérgio Conceição” como no Euro 2000.

Força Portugal!



NDR: Bastante curiosa a troca de galhardetes entre os capitães de equipa na cerimónia de moeda ao ar. Já tinha assistido no jogo do Irão com o México e revi de novo: um lindíssimo tapete emoldurado que irá, concerteza, para a sede da Federação Portuguesa de Futebol.

No Encarnados tenho estado a fazer fotoreports de todos os dias do Mundial com as melhores fotos diárias. Quem tiver curiosidade e gostar de fotografia – eu adoro – apareça por aqui.

Ficha do jogo:

Campeonato do Mundo - Grupo D (2ª jornada)

Waldstadion em Frankfurt

Árbitro: Eric Poulat (França).

PORTUGAL: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha e Maniche (Petit, 67 m); Luis Figo (Simao Sabrosa, 88 m), Deco (Tiago, 81 m) e Cristiano Ronaldo; Pauleta;

Treinador: Luiz Felipe Scolari

IRÃO: Mirzapour; Hossein Kaebi, Golmohammadi (Bakhtiarizadeh, 89 m), Rezaei e Nosrati; Nekounam e Teymourian; Mahdavikia, Karimi (Zandi, 65 m) e Madanchi (Khatibi, 66 m); Vahid Hashemian;

Treinador: Branko Ivankovic

Disciplina: Amarelos a Nekounam (20 m), Madanchi (32), Pauleta (45 m), Deco (48 m), Costinha (61 m) Kaabi (73 m) e Golmohammadi (87 m);

Golos: 1-0, Deco (63 m); 2-0, Cristiano Ronaldo (80m de g.p.).

Fotos: AFP – Getty Images


#publicado em simultâneo com os
Encarnados

domingo, junho 18, 2006

FIFA, o "puto" da bola!

O Sonho de Fred (avançado do Brasil): Poder jogar pelo seu país na "copa du mundo", marcar um golo e ficar com a bola para oferecer ao pai (autografada pelos seus companheiros de selecção).

É um sonho pouco original, muito dificil de concretizar, mas o Fred quase que conseguiu. Vi o rapaz a entrar em campo e marcar um golo (feliz) 1 minuto e meio após pisar pela primeira vez um palco de mundial. Vi o rapaz a festejar como se tivesse ganho o euromilhões com 500 jackpots, a correr, a saltar e a gritar campo a fora. Até vi o rapaz com um sorriso de orelha-a-orelha na zona de entrevista rapida com a bola debaixo do braço a explicar o que iria fazer à dita (que me provocou um sorriso, diga-se). Pois é, o mais dificil foi feito, dizem voces (e eu) - ser seleccionado, entrar em campo e marcar o golo - e então porquê desta história toda?

A FIFA, como entidade pobre, resolveu ir ao balneario canarinho resgatar a bola ao Fred, numa atitude que me faz lembrar aquele puto gordo-viscoso que era dono da bola com que a malta costumava jogar e que à minima contrariedade (normalmente uma finta chegava) fazia birra e dizia..."A BOLA É MINHA E ACABOU O JOGO". Fica a pergunta, será que o Fred tinha também o sonho de fazer uma "rata"* à FIFA (daí tal birra)?

*Tunél ou passar a bola por baixo das pernas do defesa.

Mundial - dia 9, cotoveladas, expulsões e desilusões

Ontem assistiu-se ao jogo mais chato e ao mesmo tempo emocionante de todo o Mundial, até agora. Só foi pena que a parte emocionante não tenha sido a do jogo jogado e dos golos, o sal do futebol, mas os 3 vermelhos (2 deles directos) mostrados pelo zeloso árbitro uruguaio do Itália - EUA.

Não foi por falta de aviso. Afinal as instruções dadas pela FIFA no sentido de privilegiar o espectáculo e proteger as estrelas de entradas maldosas foram dadas com bastante antecedência. E se o vermelho a De Rossi foi mais que justo - inadmissível a animalidade com que intencionalmente dá com o cotovelo na cara de McBride - já aquele mostrado a Mastroeni, apesar de tudo, também justo, deu a ideia de que serviu para equilibrar o critério até então utilizado.

O terceiro vermelho, por acumulação de amarelos pareceu-me demasiado para a falta em questão, mas viu-se que o árbitro não estava ali só para decorar o cenário.

Isto leva-nos a uma questão importante. Até que ponto é sensato um árbitro usar deste tipo de actuação tão radical? Jogo afora ir-se-ia constatar que além de pedagogo o árbitro foi um verdadeiro comandante em campo exigindo, e de que maneira, desde o primeiro ao último minuto o cumprimento à risca das regras do jogo.

Não deve ser fácil gerir um jogo onde as faltas a roçar a agressão são o prato do dia e o jogo da Itália - EUA foi um bom exemplo de como o homem do apito deve e consegue actuar como um verdadeiro comandante, cujas ordens e leis são para cumprir à risca. A sensação que deu a determinada altura foi que a situação poderia ficar fora de controlo. A mostragem exagerada de amarelos e vermelhos, a constante interrupção do jogo para assinalar faltas pode ter o efeito contrário ao desejado. Os jogadores ficam nervosos e tendência é enveredar, mesmo sem intenção, pelo campo da agressão constante, do corte de jogadas através de tackles às pernas do adversário, mas com a passagem dos minutos pudémos concluir que a ordem foi reposta e a partir do minuto 46' (altura do 3º vermelho) só Zambrotta viu o amarelo e nunca mais houve faltas dignas de registo. No fim o resultado adequado para uma Itália que parecia prometer muito.

Assim todos os árbitros utilizassem dos mesmo critérios. Por exemplo o (fraquinho) francês que apitou o Portugal-Irão deixou passar impune um pontapé na cara de Figo. Nem mesmo as marcas dos pitons cravados o convenceram que aquele tipo de entrada é para vermelho directo e consequente expulsão. Sem hesitação!


O golo do dia: DECO, fantástico, pois claro!


Decepção do dia: República Checa. Como é possível que uma mesma equipa (- Koller) consiga de um jogo para o outro passar de excelente a medíocre?


PS- deixo aqui um agradecimento especial ao Seleccionador do Irão. Branko (ou ... brOnco!?) Ivankovic além de nos ter reavivado a memória lembrando-nos, em boa hora, que há 40 anos Portugal não se qualificava para os oitavos de final de um Mundial, também nos ajudou a reescrever essa mesma história. Bem haja! Ah, e afinal o Cristiano Ronaldo jogou!

sábado, junho 17, 2006

Ronda 1 do Mundial 2006

Grupo A
Alemanha 4-2 Costa Rica: O Mundial não podia começar da melhor maneira, em termo de golos. Com um golo fantástico de Lahm a abrir o marcador e de Frinks a fechar, como pontos altos da partida inaugural. Por incrível que pareça, não foi um jogo brilhante e a Alemanha não se mostrou como grande cantidata ao titulo, faltando-lhe a sua característica primordial…a defesa.

Equador 2-0 Polónia: A primeira surpresa da prova. Tanto por parte do Equador pela positiva, como por parte da polónia pela negativa. Equador marcou por Tenório (24’) e Delgado (80’). A Polónia fez o seu primeiro remate à baliza, já tinha decorrido o minuto 85 e perdiam por 2-0.

Grupo B
Inglaterra 1-0 Paraguai: Não vi o jogo, mas ao saber que o golo da Inglaterra foi marcado pelo grande Gamarra deu-me a noção de que não perdi nada. Os ingleses somam 3 pontos com alguma sorte à mistura.

Suécia 0-0 Trinidade&Tobago: Segundo dia, segunda surpresa. A principiante Tobago consegue empatar com a experiente Suécia e a jogar com 10 a 2ª parte quase toda.

Grupo C
Argentina 2-1 Costa do Marfim: Para mim, será a equipa mais forte desta fase final a par com a sua arqui-rival Brasil. Com uma 1ª parte fantástica marcando 2 golos (Crespo e Saviola), fez lembrar o Villareal no 2º tempo ao fazer um jogo passivo que dava para desejar um golo Marfinense que chegou demasiado tarde pelo inevitável Drogba. Se esta Argentina jogar a full-time será fantástico.

Holanda 1-0 Servia e Montenegro: Outro jogo que não vi. Golo marcado por Robben e pelo que vi do resumo, a vitória foi merecida pela Laranja de Van Basten (melhor avançado de sempre, para mim).

Grupo D
México 3-1 Irão: Também falhei este jogo mas deu para ver que as duas equipas tiveram falhas defensivas grosseiras. México que é 4º no ranking da FIFA soube ser superior ao Irão e agarrar os 3pts na segunda parte com golos de Omar Bravo (76’) e Zinha (79’). Na primeira parte marcou Omar Bravo pelo México (28’) e Golmohammadi pelo Irão (36’).

Portugal 1-0 Angola: Já teve as honras de um post aqui no MV, por parte do nosso grande cronista Pedro Neto em que concordo com a grande maioria. Apenas apelo à unidade nacional e relembro uma bola ao poste e uma mão cheia de oportunidades de golo frente a uma boa selecção dos nossos irmãos angolanos. Acho que foi o resultado mais bonito que poderia acontecer, ficamos com os preciosos 3pts e Angola com o orgulho intacto. (Boa sorte a Angola para o resto do Mundial). O “queijo” de Pauleta foi marcado aos 4’.

Grupo E
Rep.Checa 3-0 EUA: Outro jogo com honras de post, desta vez do Urra Apre. Bela partida de Rosicki com dois golos a somar ao golo bastante madrugador de Koller.

Itália 2-0 Gana: A Itália surpreendeu-me na postura, ao ser uma equipa que ser multiplicava para o ataque com uma velocidade estonteante. Pirlo abriu o marcador com um estouro feliz a passar por uma área bastante povoada. Iaquinta marcou o golo matador num atraso infeliz de Kuffour para o seu guarda-redes.

Grupo F
Japão 1-3 Austrália: Golpe de face no Mundial. O Japão esteve a ganhar com um golo de Nakamura até ao minuto 83 e viu os australianos virarem o jogo para 1-3 com dois golos de Cahill (83’ e 87’) e Aloisi aos 91’. Esta Austrália de Gus Hidink promete voos altos.

Brasil 1-0 Croácia: Os campeões começaram como lhes era pedido. Com um golão de Kaká aos 44’ e uma defesa sólida, bateram a excelente apoiada Croácia. Os croatas tiveram num grande nível, ficando a duvida se o Brasil não encanta ou a Croácia é uma equipa temível.

Grupo G
França 0-0 Suíça: Comecei por ver o jogo mas aos 30’ perdi a paciência e fui fazer outra cena. Que jogo de solteiros&casados. Como não podem perder os dois, empataram!

Coreia do Sul 2-1 Togo: O Togo avançou para o 1º golo por parte de Kader, mas viu a Coreia a dar a volta por Lee Chun Soo (livre) e Ahn Jung Hwan aos 54’ e 72’. Esta Coreia continua com o ambiente e querer do ultimo Mundial e poderá fazer outra “gracinha”, desta vez na Alemanha.

Grupo H
Espanha 4-0 Ucrânia: Os nossos irmãos ibéricos infligiram a 1ª goleada do Mundial à estreante Ucrânia de Shev. Golos de Xabi Alonso aos 13’, David Villa aos 17’ e 48’(pen) e Fernando Torres 81’. Bela entrada da “fúria” espanhola.

Túnisia 2-2 Arábia Saudita: A Túnisia iaugurou o marcador com Jaziri na 1ª parte, mas a segunda parte trouxe uma Arábia Saudita com vontade de voltar o jogo do avesso. Al Kahtani aos 57’ e Al Jaber aos 84’ fizeram sonhar os Sauditas com a melhor entrada no mundial possível, mas Jaidi ao cair do pano (92’) empatou o confronto e dividiu os pontos.

terça-feira, junho 13, 2006

EUA x Rep. Checa

Esperava com ansiedade o jogo de ontem entre os EUA e a Rep. Checa. Não que nesta fase os jogos sejam muito interessantes, mas porque opunham 2 equipas que para mim estão nos antípodas das preferências.

De um lado os EUA, os nossos carrascos de 2002, são talvez a Selecção que mais deteste, além de possuirem a eterna vaidade e arrogância típicamente americanas (a começar pelo seu treinador, figurinha detestável), pertencem a um país que sempre privilegiou uma bosta de desporto chamado baseball, que utilizam o nome de football para outra bosta de desporto apenas jogado na América, desporto (??) violento e estúpido, relegando o "soccer" para segundo plano, considerando-o um desporto àparte que apenas se pratica a sério no resto do mundo. Resto do mundo esse, que é, na óptica ignorante-americana, um mundo secundário e longínquo. Hoje em dia o soccer, (porra, vamos chamar-lhe pelo seu nome real, ok?) o football já tem muitos praticantes e adeptos nos EUA, mas nunca será o desporto de eleição daquele país. Por isso não compreendo como é que conseguem pela 5ª vez consecutiva estar numa final deste calibre, e ainda menos compreendo como é que estão em 5º no ranking da FIFA. Talvez em parte, compreenda, afinal a maioria dos selecionados jogam na Europa e são esses jogadores quem a modos que europeizaram e importaram o futebol de hoje nos EUA.

Do outro lado a minha selecção fétiche: A República Checa que eu aprendi a gostar no EURO 2004, que me faz evocar as grandes selecções de Leste no tempo da Cortina de Ferro,e que foi ingloriamente afastada e da pior forma por uma Grécia que nem sequer se qualificou para este Mundial (ain't life a bitch?) E que lindo teria sido uma final Portugal-Rep. Checa!!
Milan Baros (agora lesionado), Nedved, Poborsky (por quem ainda muitos de nós suspiram de nostalgia pelas arrancadas mortíferas e que com 34 anos (velho??) ainda mete dois de 17 anos no bolso), o gigante Koller, Petr Cech, Rosicky...
3 magníficos golos, 3 secos, qual deles o melhor e mais belo a culminar uma vitória limpa e mais que justa sobre um esmagado e inferior EUA. Gostei especialmente do trombil do Arena à medida que os checos lhe espetavam mais uma farpa no orgulho :)

Auguro um grande Mundial para a Rep. Checa, assim os altos poderes do futebol não lhes cortem as pernas quando virem que estão a causar incómodo aos favoritos do costume.

Nota: post reeditado, com um agradecimento ao parceiro Pedro Neto!!

domingo, junho 11, 2006

Crónica 1ª Jornada Grupo D - Lusofonia do Nosso Contentamento!


Muita emoção, muito nervosismo e acima de tudo muita fé! O confronto lusófono e histórico entre Portugal e Angola alimentou milhões de almas desejosas de sentir orgulho da sua nação. É sabido que o 1º jogo é sempre muito importante e se recuarmos 4 anos, verificamos a tragédia que foi perder com o EUA no Mundial 2002. Derrota essa que limitou as hipóteses de qualificação no Oriente.

O seleccionador de Portugal tem sofrido da imprensa e de muitos “portugueses”o maior ataque a um técnico de que há memória na história do futebol português. Mas o que é certo é que Scolari, contra tudo e contra todos, elevou Portugal aonde nunca tinha estado. A selecção tem estado coesa e ambiciosa como poucas vezes esteve em quase 100 anos de competição.

Por outro lado, Angola não tem mostrado, nos mais recentes jogos amigáveis, um grande fulgor competitivo. Inclusivamente, tem padecido de uma certa ingenuidade individual e colectiva. É verdade que em jogos deste calibre não há equipas fáceis mas a única coisa que se pode exigir a Portugal é vencer. Nem que seja por 1/2 a zero!
Acima de tudo, esperar-se-ia de Angola uma forte atitude, nunca desistir e fazer o “jogo da vida”. Neste ponto é preciso ter muito cuidado, até porque já houve surpresas na competição.


O meio-campo desejado vs indisponibilidade de Deco

Luís Felipe Scolari apostou nalgumas surpresas. Mas boas surpresas! Infelizmente Deco não pôde jogar – foi decidido não arriscar a utilização do atleta em virtude da sua limitação física – e foi, assim, substituído posicionalmente pelo capitão Luís Figo. Os anos já lá vão e Figo já não tem a velocidade de outros tempos, embora mantenha toda a técnica e enorme categoria que lhe permitem jogar no centro do terreno com grande classe.

A grande dúvida residia nos restantes 2 elementos do meio-campo. Especulava-se com Costinha e Maniche – claramente fora de forma, o que deu lugar a ataques cerrados de todo o lado a Scolari – mas a aposta recaiu em Petit e em Tiago, que são, talvez a par com Figo e Pauleta, os dois jogadores de Portugal em melhor forma de todos os 23.

A restante equipa foi a esperada, com Ricardo na baliza, Miguel a lateral-direito, Meira e Ricardo Carvalho como centrais e Nuno Valente na lateral esquerda. Nas alas jogaram Cristiano Ronaldo e Simão. O capitão do Benfica entrou no 11 aproveitando a lesão de Deco… nada de anormal. Na frente jogou o melhor marcador de sempre de Portugal: Pauleta!

Acho a equipa apresentada excelente e, caso fosse treinador – e em virtude da lesão de Deco, seria precisamente esta a que escolheria para entrar em campo.



Marcar, dominar e controlar

Primeira nota de destaque, a entoação dos hinos nacionais. Sou suspeito para falar mas acho “A Portuguesa” o hino mais fantástico de todos aqueles que conheço. Uma canção fabulosa que arrepia e faz acordar todas as emoções e sentimentos patriotas. Sou sincero… comovi-me bastante!

O arranque de Portugal foi, verdadeiramente, demolidor. No 1º minuto Simão tem uma jogada fantástica que isola Pauleta, o açoriano não faz golo por centímetros. Na jogada seguinte, o momento tão esperado. Figo arranca do meio campo e passa por todos de forma sublime, a assistência para Pauleta é brilhante e o #9 não perdoa. Golo de Portugal!


Angola não acerta as marcações e Pauleta quase bisa aos 14 minutos numa saída algo precipitada de João Ricardo. Nos primeiros 25/30 minutos o controlo do jogo foi totalmente de Portugal com poucas incursões ofensivas dos africanos. Angola viu-se apenas em remates de muito longe – Figueiredo e Mendonça – e nalgumas bolas bombeadas para Akwá.

Os minutos finais da 1ª parte permitiram ver uma Angola espevitada e com ambição. Gostei bastante dessa atitude, que infelizmente não se viu em todas as equipas que já jogaram na Competição até ao momento. Destaque ainda para um remate espantoso de Cristiano Ronaldo à trave – no seguimento de um canto de Figo – e para novo remate fortíssimo de Ronaldo – numa brilhante jogada de Miguel – para defesa de um seguríssimo João Ricardo.


Depois de uma excelente primeira parte – jogadas bonitas, remates e alguma velocidade – o jogo esmoreceu um pouco. Angola estava um pouco receosa do 2-0 e Portugal do 1-1. Talvez por isso o 2º tempo não tenha correspondido às expectativas que todos ansiavam.
Há que evidenciar que Portugal, em momento algum, perdeu o controlo total da partida

Pouco futebol rápido, e muita ansiedade caracterizaram o futebol jogado até ao final da partida. Portugal apareceu, apenas, nalgumas iniciativas de Pauleta e num ou outro remate fraco de Tiago. O meio-campo nacional começou a perder algum fulgor, o que levou Angola a apostar no ataque e em… Pedro Mantorras.

Scolari respondeu com o refrescamento total do meio-campo que acabou por conseguir segurar o resultado até ao fim. Mateus – o da polémica nacional da semana – ainda assustou Portugal mas Ricardo defendeu com segurança. Destaque positivo, ainda, para uma fantástica “bomba” de Maniche que o guarda-redes angolano atirou para canto.

Destaco as exibições de Luís Figo, Miguel e Petit.



Figo cada vez mais vintage

Começo por falar da extraordinária prestação de Luís Figo, o melhor em campo. O encontro com o Luxemburgo já o fazia prever mas não era muito provável, aos 33 anos, aparecer um Figo tão preponderante como aquele que um dia foi considerado o melhor jogador do Mundo. Pois, mas foi isso que aconteceu! Figo foi o pêndulo de Portugal… como estávamos à espera que o fosse, para o bem ou para o mal. Construiu, destruiu, cruzou, fez tudo bem. Até a defender no centro do terreno esteve impecável.
A jogada em que oferece o golo a Pauleta é a síntese da exibição do capitão. Muito orgulho do #7 de Portugal! Deco faz muita falta mas Figo… é Figo!

Já tinha saudades de ver um Miguel “à Benfica!” O jogador do Valência fez dos melhores jogos por Portugal que tenho memória. Expedito a atacar e seguro a tapar o espaço a Mendonça – um dos melhores angolanos. Está numa das melhores jogadas do jogo ao arrancar, poderoso, pela direita para assistir Cristiano Ronaldo que estoirou para João Ricardo brilhar. O #13 de Eusébio pesa muito mas Miguel aguentou-se com estilo!

A forma de Petit é brutal, esplêndida mesmo! Se no Benfica é o pivot do meio-campo, hoje também o conseguiu ser. Menos afoito ofensivamente em virtude da posição mais recuada – em relação ao que faz no SLB – mas imperial defensivamente. Por curiosidade contei o número de faltas que cometeu: fez três mas só duas existiram. O “sarrafeiro que não sabe dar um chuto numa bola” fez um grande jogo e foi dos melhores. Grande Petit!


Em bom nível exibiram-se também o guarda-redes Ricardo, Tiago e Pauleta.

Ricardo mostrou muita segurança e só por isso já merece nota positiva. Não teve muito trabalho mas quando foi preciso estava no sítio certo. Um ou outro cruzamento bem seguro mas o grande destaque vai para a portentosa defesa a remate, de longe, de André. Mesmo a acabar, estava bem posicionado para evitar que Mateus deixasse em lágrimas mais adeptos e não só os do Belenenses.

Parece-me que Tiago entrou muito nervoso. Nos primeiros minutos perdeu bastantes passes e pareceu-me preso de movimentos – valeu Petit nas sobras. Provavelmente já não está habituado a jogar tão recuado e a prova é que quando subiu no terreno – na 2ª parte – foi dos melhores. Tentou o golo por várias vezes mas um azar chamado João Ricardo nunca o deixou festejar. No cômputo geral a exibição é bastante positiva.

Não peçam a Pauleta para fintar meia equipa porque ele não o sabe fazer, mas se lhe pedirem golos, ele dá-os de bom agrado. Foi mais um a juntar aos 46 da conta pessoal, e um golo tão importante que dá 3 pontos fulcrais. O açoriano foi o mais rematador de Portugal e merecia mais um golo porque batalhou – as coisas, é verdade, nem sempre correram bem – e porque está lá sempre para ajudar Portugal. Um jogador de grande carácter que admiro muito!


Com exibições regulares estiveram Ricardo Carvalho e Nuno Valente. O central do Chelsea é muito estável, raramente comete erros graves e constrói o seu jogo numa tranquilidade invejável. Ganhou bastantes lances mas esteve desinspirado no momento de sair para o ataque. No aproveitamento do jogo aéreo nas bolas paradas também não existiu.

Tinha algum receio na forma física de Nuno Valente. Verifiquei que não havia motivo para tal, já que fez um jogo bastante bom. Muito seguro no momento de segurar Zé Kalanga – uma das estrelas de Angola – e ainda com tempo para subir no terreno para cruzar em boa conta. Nota negativa apenas na despropositada entrada de tesoura sobre Mantorras e que lhe custou um cartão amarelo evitável.


As prestações menos positivas talvez tenham sido a de Cristiano Ronaldo e a de Fernando Meira. Não quero com isto dizer que tenham estado mal, como é óbvio, mas pelo que se esperava pode-se dizer que há uma pontinha de desilusão.

O “alemão” Meira teve alguns problemas com Akwá e depois com Mantorras. O problema residiu no facto de deixar algum espaço aos avançados angolanos, espaço esse que felizmente não foi aproveitado. Ainda assim fez alguns cortes bastante importantes e, acima de tudo, não inventou: qualquer problema, bola fora de campo.

Esperava muito de Cristiano Ronaldo e pode-se dizer que o #17 foi infeliz. Para além do cartão amarelo algo injusto, João Ricardo e a barra impossibilitaram os festejos de um golo. Excessivamente individualista e com algum sobrancerismo foi bem substituído por Scolari. A sua reacção à substituição incomodou-me bastante!

Confesso que me irritei com Simão Sabrosa. Extremamente rápido – o mais veloz de todos – mas muito trapalhão, como nunca o foi no Benfica. Aos 15 segundos de jogo assistiu, de forma brilhante, Pauleta mas o #9 falhou por pouco. Infeliz nos livres e nos duelos individuais – venceu muito poucos – mas muito eficaz em termos defensivos. Para mim, a maior desilusão mas apenas porque espero muito dele!

E por fim os suplentes Costinha, Maniche e Hugo Viana.

Costinha entrou muitíssimo bem na partida, não falhou um único passe e ganhou inúmeras bolas no meio-campo – de cabeça, de carrinho, de quase todas as formas. O “Ministro” parece-me uma óptima solução de banco para segurar resultados já que pode perfeitamente fazer companhia aos centrais. Surpreendeu-me pela positiva!

Ao contrário de Costinha, Maniche entrou bastante mal. Nos primeiros minutos perdeu logo duas ou três bolas que deram origem a contra-ataques perigosos de Angola. De positivo apenas o estoiro de 30 metros que daria um golo de bandeira. Se não tem feito esse remate teria tido uma estreia em Mundiais perfeitamente desastrada.

Hugo Viana esteve menos de 10 minutos em campo, nos quais tocou 3/4 vezes na bola, sem qualquer nota de destaque.


Alguns erros em prejuízo de Portugal

Conhecido dos portugueses por uma miserável e comprometedora prestação num recente Once Caldas – FC Porto, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não cometeu erros com influência no resultado. Amarelou bem, quando o devia fazer, mas fica na ideia que deixou passar algumas faltas em claro, principalmente de angolanos.

Há um lance, na 2ª parte, em que Figo joga a bola por um lado de um defesa para ir buscar do outro, e que depois cai inapelavelmente na área. Pareceu-me contacto para penalty mas como não houve repetição, nem houve comentários dos relatadores, deve ter sido só uma impressão do momento.

Trabalho impecável dos árbitros-auxiliares… até porque houve pouquíssimos foras-de-jogo.



3 pontos no saco

A estreia de Portugal foi, para muitos “portugueses”, uma valente dor de cabeça.
Tudo começou na inclusão dos jogadores preferidos por todos no meio-campo da selecção. Por aqui já se sabia que não podiam achincalhar Scolari de forma coerente!
Logo nos primeiros minutos, o tal que “não marca a ninguém que interesse e nunca em grandes competições”, faz o 1-0. Esse mesmo, o açoriano Pauleta a calar tanta gente e a dar alegria a muitos mais.

Depois, Luís Figo, “aquele que já não joga nada, está velho e só anda a chular Portugal” faz uma exibição monumental e é coroado “Man of The Match” pela FIFA.
E por fim, se tudo o que tinha acontecido em 90 minutos já não chegava para enervar tanta gente, a FIFA coloca graficamente na TV a temperatura do ar. Nada mais nada menos que uns “envergonhados” 31º! Parece que em Évora até estiveram 25º… E agora, ninguém diz nada?

O tal seleccionador que “não fez nada por Portugal”, confirmou – estatisticamente – que é o melhor seleccionador de sempre da “equipa das quinas”. Mais vitórias, maior número de jogos sem perder e melhor classificação numa competição sénior. A melhor noticia que me podiam dar, amanhã, era a que Scolari tinha renovado contrato por, pelo menos, mais dois anos.


Obviamente que os 3 pontos são muito importantes, colocam Portugal na liderança do grupo – partilhada com o México – e tranquilizam jogadores, técnicos e apoiantes para os próximos confrontos. Uma vitória no próximo jogo, contra o acessível Irão, deverá garantir a selecção na fase seguinte.

Ainda há muitos que têm saudades dos tempos antigos, de Oliveira, Artur Jorge e de prestações miseráveis e indignas do nosso país. São esses os “angolanos” de hoje, os “iranianos” da próxima jornada e os “mexicanos” do último confronto do grupo. Vejam lá se não têm de mudar de país mais do que 3 vezes!

Força Portugal!


NDR: No início do jogo, vi um cartaz com qualquer coisa deste género: “Onde estás tu, Grécia? Futebol defensivo vá para casa!” Fantástico, os meus parabéns ao autor que deve ter colocado os gregos em polvorosa.

Perfeitamente idiota e lamentável a campanha que alguma Imprensa já está a fazer, denegrindo a exibição de Portugal e achincalhando os atletas que ganharam. Devem sentir falta do EUA 94, do França 98 e do Coreia/Japão 2002.

Com estes "jornaleiros", que não percebem nada, se fosse eu a mandar fazia como a Itália Campeã do Mundo em 1982: blackout total, só presentes nas conferências de imprensa obrigatórias!

Ficha do Jogo:

Campeonato do Mundo - Grupo D (1ª jornada)

Estádio Rhein Energie, em Colónia

Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai)

ANGOLA: João Ricardo; Locó, Jamba, Kali e Delgado; Figueiredo (Miloy, 80 m) e André Makanga; Mateus, Zé Kalanga (Edson, 70 m) e Mendonça; Akwá (Mantorras, 60 m);

PORTUGAL: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Tiago (Hugo Viana, 82 m) e Petit (Maniche, 72 m); Luis Figo, Simão Sabrosa e Cristiano Ronaldo (Costinha, 60 m); Pauleta;

Disciplina: Amarelos a Cristiano Ronaldo (27 m), Jamba (28 m), Locó (45+2 m), André Makanga (52 m), Nuno Valente (79 m);

Golos: 0-1, Pauleta (4 m).

Fotos: AFP – Getty Images

#publicado em simultâneo com os Encarnados

pequenos fait-divers

A temperatura prevista para hoje em Colónia (cidade onde se disputa o Portugal - Angola)é de 28ºC.

A temperatura que foi sentida em Évora durante o estágio, provavelmente andou muito perto destes valores.

O Brasil foi muito elogiado por ter, ao invés, escolhido uma cidade no norte da Europa (Suiça) por ter temperaturas e percentagens de humidade muito similares às normalmente sentidas na Alemanha, o que permitiria aos jogadores brasileiros habituados a altas temperaturas a habituação gradual ao clima do Norte da Europa.
Portugal foi criticado pelo contrário. Estagiou em terras quentes e secas, que supostamente iriam ser chocantes com a realidade alemã.

Agora os donos da verdade (as más línguas do costume)terão que engolir o dislate. A sorte é que o jogo de Portugal vai disputar-se às 20h00 (21h00 locais) não se podendo daí aferir se as temperaturas iriam ter algum tipo de impacto na prestação dos jogadores.

Enfim, pequenos fait-divers à boa maneira lusa.

terça-feira, junho 06, 2006

O Último Despertar do "Soneca"!

Agora que é oficial já se pode opinar, concreta e objectivamente, sobre a despedida de Geovanni dos quadros técnicos do Sport Lisboa e Benfica.
Sou suspeito para falar porque sou, desde os tempos do Barcelona, um grande admirador das qualidades futebolísticas do brasileiro. Por isso mesmo, não estou nada satisfeito com a saída de um dos atletas com mais classe do actual plantel.

Os contornos desta dispensa – que não o é de forma directa – são especiais mas ainda assim são susceptíveis de fortes críticas à Direcção do Futebol. Apesar de ser um facto que o contrato de Geovanni terminava na próxima época e que o jogador era dos atletas mais bem pagos, é também verdade e lamentável que não tenha havido um esforço para tentar renovar o vínculo contratual do atleta – segundo palavras do próprio.

A irregular prestação do jogador na fase final da época poderá, efectivamente, estar ligada a essa imprudência. Sendo assim, e como Geovanni era detentor, na quase totalidade, do seu próprio passe torna-se inevitável que esta saída não apresente um retorno financeiro visível.

Outra particularidade que me preocupa nesta situação é que não exista, no imediato, uma alternativa para a titularidade no lugar do brasileiro. Certamente que experiência não faltava a um dos atletas com mais jogos do plantel, o que não acontece nas opções que provavelmente o vão substituir – Manu e Carlitos.


Nos 3 anos e meio que o #11 do Benfica esteve na Luz, foram muitos os grandes momentos de futebol apresentado mas também – não o escondo – apareceram algumas exibições descoloridas. Geovanni é um atleta especial, precisa de uma forte liderança no banco e por isso não é estranho que tenha sido com Camacho – e a espaços também com Trapattoni – que melhor se exibiu.

Os maus momentos a nível pessoal – a morte da mãe seguida num curto espaço de tempo pela do pai aliado à doença súbita da esposa – são factores extra-desportivos que devem ser tomados em conta no seu inferior rendimento a determinadas alturas.

A questão do seu posicionamento em campo foi sempre uma contrariedade, desde que se transferiu para a Europa, e pelos vistos é algo que nunca teve resolução aparente. Parece que se sente melhor a jogar como avançado mas é inequívoco que fez exibições bastante boas na ala direita.


Ficam na retina as duas boas épocas – na 1ª, a partir de Janeiro – com Camacho e o célebre golão em Alvalade que deu apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões em detrimento do Sporting de… Fernando Santos, a magnifica época do título na qual fez 6 golos no Campeonato – um magnifico em Guimarães e um importantíssimo no Dragão – e 2 na Taça ao Sporting num jogo sublime.

A época de 2005/06 foi menos positiva mas de destacar os grandes jogos e os golos que fez quando jogou na frente de ataque, nomeadamente o golaço ao Manchester United, ao Gil Vicente em Barcelos e ao Paços de Ferreira na Luz.

Tenho ideia que a fase final de menor utilização no Campeonato está relacionada com esta saída que agora se confirma e com uma falta de motivação visível. E assim a responsabilidade não é só sua!


O abandono de Geovanni levanta um deficit brutal de alas, mas também alguns problemas a outro nível. Era um jogador com grande peso no plantel, que conquistou todos os títulos internos pelo Benfica, e deveria ter tido outro tratamento.
Como o próprio afirmou, estão a destruir a equipa base de Camacho e que deu muitas alegrias aos adeptos. Não quero acreditar que estamos a voltar aos tempos “Damasianos”, com um corrupio infindável de jogadores sem qualquer identificação com o clube.

Confio neste Presidente mas estou bastante apreensivo no que diz respeito às decisões tomadas já neste defeso. A “questão Miccoli” é outra situação que me apoquenta bastante – mas que deixo para outro post.

Desejo, sinceramente, muita sorte ao Geovanni no seu próximo desafio profissional!
O regresso ao Brasil parece estar quase confirmado, o que aos 26 anos parece ser demasiado prematuro num atleta de grande qualidade.

NDR: Para terminar o post em beleza deixo um novo video do Em4Lyf que é precisamente uma homenagem de despedida ao Geovanni. Obrigado por tudo "Soneca"!

Ficha do jogador:

2002/03 – 17 jogos – 3 golos

2003/04 – 21 jogos – 5 golos

2004/05 – 31 jogos – 6 golos

2005/06 – 25 jogos – 3 golos

Total: 4 épocas – 94 jogos – 17 golos

Títulos: 1 Campeonato Nacional, 1 Taça de Portugal e 1 SuperTaça

(Os dados apresentados dizem respeito ao Campeonato Nacional).


Fotos: AFP – Getty Images

#publicado em simultâneo com os Encarnados

domingo, junho 04, 2006

BENFICA UNIVERSAL!

No seguimento ao excelente post do meu caro comblogger T-Rex, e para que acabem de vez com a ideia de que nós vivemos apenas do passado, gostaria de relembrar esse excelente filme com Daniel Day Lewis "In The Name Of The father" (Em Nome do Pai), e ao momento singular onde vemos o galhardete do GRANDE E GLORIOSO BENFICA lado a lado com o galhardete dos 1/4 de final da TCE de 1965 que opôs 2 Gigantes do futebol na altura (e hoje em dia, claro!) Manchester / Benfica.
Não é à toa que se cuida de exibir algo relacionado com um clube que nem é o do país do realizador (desconheço se esse pormenor fazia parte da autobiografia de Gerry Conlon, que deu origem a este filme), daí podermos perguntarmo-nos o porquê de antes não estar ali um galhardete do Real Madrid, o maior gigante do futebol da altura, ou porque não, do Manchester United?.
Não, é um galhardete do BENFICA, do BENFICA por respeito, reconhecimento, consideração. Este respeito, reconhecimento e consideração ganhámos ao longo dos anos e ainda hoje se mantém inalterável. Estejamos 10/15/20 anos sem entrar na Europa, o BENFICA será para sempre considerado um COLOSSO do futebol Mundial. Quantos mais poderão assim ser considerados durante décadas e mais décadas?




Em relação a este momento magnífico do filme de Jim Sheridan, escrevia assim Alexandre Borges n'A Capital de 16 de Julho de 2005:

Ao longo de décadas, diferentes realizadores têm retratado a paixão por um clube de futebol como personagem secundária ou figurante dos seus filmes

ALEXANDRE BORGES

Em 1974, um atentado à bomba reclamado pelo IRA matava cinco pessoas num pub de Guilford, nos arredores de Londres. Um jovem rebelde irlandês chamado Gerry Conlon é, então, preso, conjuntamente com três amigos, e condenado pelo crime. Giuseppe Conlon, pai de Gerry, ence-ta esforços para a sua libertação e, embora venha também a ser condenado, consegue o auxílio da advogada Gareth Peirce para a investigação das irregularidades do caso. É quando essa personagem interpretada por Emma Thompson visita Gerry, aliás Daniel Day-Lewis, na cadeia, que uma surpresa se revela aos espectadores portugueses. Ao longo de todo este diálogo de Em Nome do Pai, filme dirigido por Jim Sheridan em 1993, um galhardete do Sport Lisboa e Benfica está pendurado na parede da cela, bem ao lado do rosto de Gerry, em posição de destaque em relação às fotografias e outros elementos identitários com que os cineastas costumam construir os prisioneiros.
Dois anos antes, um episódio de um outro magnífico filme carregava esse efeito visual-surpresa para os apreciadores do futebol. Estamos em 1991 e o alemão Wim Wenders dirige uma das suas melhores obras: Até ao Fim do Mundo. William Hurt e Solveig Dommartin encabeçam um elenco onde também pontificam Max Von Sydow, Sam Neill e Jeanne Moreau. Numa película também célebre pela sua banda sonora (entregue a nomes como U2, Talking Heads, Lou Reed, Peter Gabriel, Elvis Costello, Patti Smith, Depeche Mode, REM ou Nick Cave and the Bad Seeds), a dependência humana dos avanços tecnológicos está em jogo. Num imaginário futuro próximo, depois de ano de trabalho exaustivo num laboratório num lugar à parte do mundo, Henry desenvolveu um aparelho que captará e transmitirá à crescente invisualidade da mulher as imagens que não poderia já ser autorizada a contemplar. O filho, Sammuel (Hurt), embarca, então, pelo mundo, em busca dessas paisagens visuais. Já encontrado com Elsa (Dommartin) e depois de uma passagem por Moscovo, é quando se passeiam por uma Lisboa nocturna que um eléctrico lhes passa por detrás, incendiado de tons encarnados e transportando elementos da claque dos Diabos Vermelhos, sacudindo pelas janelas bandeiras e cachecóis vermelhos e brancos e cantando «Benfica! Benfica! Benfica!»

A Capital 16 Julho 2005