quinta-feira, março 29, 2007

Há Um Ano...



Uma luta do Bem contra o Mal, da Verdade contra a Mentira, da Glória contra a Inveja, do Amor contra o Ódio! Sim, é disso que se trata, não tenham dúvidas. Uma luta desigual, devido a tudo o que conhecemos há 25 anos, mas é aquilo que nos move. É o confronto do ano, o jogo do título, matar ou morrer, é aquilo porque se esperava e é em nossa casa…

Vence por nós, por 103 anos de Glória.
Carrega Benfica!

Parabéns, Maestro!

segunda-feira, março 26, 2007

Got it?!

"(...) O comportamento de Nuno Gomes [Em Alvalade] foi descrito como «tackle por trás que colocou em causa a integridade fisíca do adversário», o que é típico de jogo violento e não de agressão. Por isso levou 1 jogo. (...) A sua expulsão por acumulação de amarelos [No Bessa] não conta para efeitos de reincidência. (...) O caso de Quaresma [Em Leiria] é diferente porque é uma situação de agressão fisíca, sem disputa de bola. Quaresma foi tratado com o critério e a medida de uma dezena de atletas que, até então, tinham sido castigados por agressão com 2 jogos."

Ricardo Costa, Presidente da Comissão Disciplinar da Liga

É simples, não é? Pois, basta saber as regras e aceitar que as mesmas sejam cumpridas. Obviamente que alguns não gostam de seguir o caminho da Justiça e da Honestidade, mas já estamos habituados a tais comportamentos.

Mas, Dr. Ricardo, onde está o sumaríssimo a Pepe?

quinta-feira, março 22, 2007

terça-feira, março 20, 2007

Crónica 22ª Jornada - "Tantas vezes o Cântaro vai à Fonte..."

Há que dizer que a primeira hora de jogo foi uma absoluta vergonha, com um Benfica sem ideias – sem Simão a 100%, obviamente devido ao possível cartão amarelo impeditivo –, e um Estrela aterrorizado não se sabe bem com o quê. Talvez se a equipa da casa tivesse saído da área, e tirado o autocarro, o jogo poderia ter sido melhor! Mas é inconcebível que Fernando Santos tenha alterado o consolidado 4x4x2 losango num jogo crucial e que, como consequência, essa mudança táctica destrua toda a capacidade de meio-campo do Benfica. Já não é preciso falar das substituições acima dos 80 minutos, pois não? E Katsouranis faz tanta falta…

Estava à espera de um bom jogo de futebol mas confesso que tinha ideia que existiria algum receio de falhar, quando tanta coisa se poderia decidir... ou não!
Penso que terá sido também por isso, e não só devido a uma inexplicável mudança táctica que nunca resulta, que subsistiram tantas dificuldades para assumir o jogo. Sabendo que na baliza estaria Moretto, quase tudo desabou quando se viu o esgar de dor de Petit nos exercícios de aquecimento. Foram muitos condicionantes, portanto!

Espero que haja mais estofo de Campeão no futuro e que a vontade de resolver a partida apareça logo no 1º segundo. Só peço que, até ao fim da Liga, não seja preciso sofrer tanto. Não sei se aguento! Engraçado que o Benfica foi o único, dos 3 primeiros classificados, a jogar no difícil campo da Reboleira. Nesta situação não apareceu o banzé que já se fez noutras conjunturas. Há mudanças de estádio e mudanças de estádio, pelos vistos!

Big Armando

Mais uma vez apareceu uma bomba de Petit a resolver – novo frango de Paulo Lopes, um dos piores guarda-redes da Liga, que já tinha aberto a capoeira em Alvalade na jornada anterior –, em mais uma enorme exibição pessoal. O #6 fez aquilo que os avançados não conseguiram fazer e deu os 3 pontos ao Benfica... ainda há dúvidas que seja o melhor trinco dos últimos 15 anos de Benfica?
Parece que está muito na moda elogiar Petit, e são vários os louvores na Imprensa a si dirigidos. Felizmente que, para quem percebe de futebol, não são apenas os seus soberbos golos que fazem com que saibamos o que vale este fantástico jogador. A raça, a vontade, a classe, os passes teleguiados, a exemplar colocação em campo, o poderoso remate, a determinação e o espírito de grupo estão todos lá. Depois de Simão, Armando Teixeira é o jogador mais importante do Benfica! Um jogador à Benfica, perseguido pelos detractores que o acusam de violento mas que se “esquecem” que são as suas estrelas que usam os cotovelos para, de propósito, magoar colegas de profissão. Petit é duro? Claro que é! Mas alguma vez o viram a agredir alguém a murro ou a cotovelo?
Fico muito contente que outros também já tenham visto o que vale o grande Petit!

Com Simão claramente condicionado, foi em Miccoli que o ataque do Benfica se baseou. E o italiano fez uma bela exibição, só faltou mesmo o golo. A forma como, no meio de 3 defesas, conseguiu rodar e chutar com imenso perigo, demonstra toda a classe dos predestinados. Fabrizio esteve sempre muito activo e acabou por ser o jogador com mais remates. Depois de alguns jogos menos conseguidos – também teve a vantagem de jogar numa posição mais central, ao contrário da recente e inexplicável colocação à esquerda – voltou a demonstrar grande fulgor… e que importância terá no clássico da 23ª jornada, é que desta vez pode jogar!

Destaque muito positivo, mais uma vez, para Karagounis! Como sempre de muito difícil marcação e com qualidade técnica acima do normal, o grego fez um jogo ao nível daquilo que já nos habituou. Não rematou à baliza mas tem um número de recuperações de bola elevadíssimo. Ganhou muitas faltas, o que acaba por ser decisivo para uma equipa que tem um grande aproveitamento nas bolas paradas. É uma pena que já tenha 30 anos!

Nuno Gomes parece que jogou como central “do outro lado” e fez uma parelha fantástica com José Fonte... um magnifico defesa que foi o melhor em campo, e que tinha lugar no centro da defesa do Benfica. Foi anedótica a exibição do #21 encarnado! Depois de várias partidas em evidente melhoria, terá tido a pior prestação do ano, com alguns golos falhados a poucos metros da baliza. Nada mais irritante que tenha sido neste jogo tão importante! Inqualificável a forma como, sem ninguém na marcação, consegue disparatar um golo certo que aconteceria só com um simples encosto.

A nabice do ano vai para o irreal atraso de Anderson para Moretto, quase em cima da linha. Uma coisa nunca vista nos meus 26 anos de vida! Fica para mais tarde a confirmação de que Anderson é o fabuloso central de 2005/06 – que secou Van Nistelrooij, Diego Forlán ou Peter Crouch, entre outros – ou o medíocre jogador desta época. Confesso que estou dividido, mas é inegável que o brasileiro tem sido um dos calcanhares de Aquiles deste Benfica 2006/07. Há mais alguém com saudades de Ricardo Rocha?
Derlei voltou a mostrar muito pouco, enquanto que Léo e Nélson continuam com uma baixa de forma evidente. Apesar de alguma melhoria no #22 e no #5, em relação a outros jogos, esta situação causa-me alguma apreensão, pelo facto destes jogadores serem fundamentais para fazer resultar a actual táctica.

“Vistas-Menos-Boas”

O jogo não foi complicado de arbitrar mas árbitros dourados, deixando um rasto sem casos, é coisa que raramente existe. João Vilas-Boas deixou um penalty por assinalar devido a um puxão de Amoreirinha em Nuno Gomes.
Nada que nos surpreenda, ainda assim foi bem assistido. Esses tiveram trabalho praticamente imaculado.

De realçar, também, as inúmeras faltas – duras ou não – que fez Marco Paulo, sem que tal tivesse correspondido a uma admoestação. Tenho-o como um jogador correcto e leal mas não admito que tenha a veleidade de ir puxar as orelhas a Karagounis – e aqui o sentido é literal porque foi mesmo isso que aconteceu. Salvo as devidas diferenças, a referida atitude é parecida – em termos de intenção e de postura – com o facto de Katsouranis atirar a bola à cara de Harison. Coincidência que ninguém tenha falado deste lance, nem exigido a expulsão do capitão do Estrela. A bem da verdade – e como se recordam, fui dos poucos a aceitar a possível expulsão do #8 benfiquista –, nenhum dos dois lances pode ser considerado agressão, mas sim um comportamento anti-desportivo e incorrecto.

O Jogo do Título…

Das insinuações relativas à idoneidade e postura profissional dos jogadores do Estrela não me quero alongar. É preciso não ter vergonha na cara para acusar o Benfica de fazer aquilo que se teve, e tem, a ser investigado pela Policia Judiciária. Indignar-se com o conteúdo de teorias elaboradas que atacam os rivais mas branquear, tolerar e regozijar-se quando tais atitudes foram cometidas por aqueles que conduzem os destinos do seu clube. É idiota, não é? Gente assim mete-me nojo, gente hipócrita e sem carácter! Não é a tão famosa azia, é ser um canalha sem princípios e sem moral.

Na minha opinião tudo se irá decidir na próxima jornada. A derrota do Benfica significará, praticamente, o fim do sonho de conquista do título mas um empate ou, principalmente, a vitória darão um descomunal boost que impulsionará o clube rumo ao 32º Campeonato.
A motivação dos adeptos será imprescindível nesta caminhada de 8 jogos, a fabulosa “Onda Vermelha” está a ressuscitar e entrará no seu expoente máximo se a liderança da Liga se alterar no dia 1 de Abril. Não quero um Dia de Mentiras, e não irei abdicar de uma arbitragem isenta. Tenho grande receio que seja nomeado um dos fiéis arguidos, porque é pouco provável que seja Pedro Henriques a ser escolhido, de novo, para o jogo grande da jornada. Se houver honestidade, não tenho dúvidas que o grandioso Sport Lisboa e Benfica sairá vencedor.

NDR: A polémica da semana é, indiscutivelmente, a tal decisão do Tribunal Constitucional relativo aos Direitos de Formação de Miklos Fehér. Não tenho nada contra a eventualidade do Benfica ter de cumprir as leis e as regras em qualquer assunto, muito pelo contrário. Quem é honesto tem este tipo de atitudes, tão incompreensíveis para algumas pessoas.
Apesar de ainda não se saber bem como tudo isto se vai resolver, já que os advogados do Benfica reiteram que a referida decisão nada tem a ver com questões monetárias, aguardo serenamente pelo seu desfecho mas repudiando a vilania que é a envolver o nome de uma pessoa que já faleceu em querelas clubistas, perpetuadas através dos Tribunais. Principalmente tendo em conta a tragédia que todos conhecemos. Mas vindo de quem vem, nada me surpreende!

Podem ver o resumo do jogo aqui. Como sempre, o vídeo é a bS7.

Ficha de Jogo:

22ª Jornada da Liga BWin

Estádio José Gomes, na Amadora

Árbitro: João Vilas-Boas (Braga)

ESTRELA AMADORA – Paulo Lopes; Rui Duarte, José Fonte, Amoreirinha e Edu Silva; Marco Paulo, Luís Loureiro (Zamorano, 74 m), Tiago Gomes e Daniel (Anselmo, 83 m); Moses e Dário (Nuno Viveiros, 66 m).

SL BENFICA – Moretto; Nélson, David Luiz, Anderson e Léo; Derlei (João Coimbra, 57 m), Petit e Karagounis; Simão (Paulo Jorge, 88 m); Fabrizio Miccoli e Nuno Gomes (Mantorras, 90+1 m).

Disciplina: Amarelos a Amoreirinha (24 m) e José Fonte (60 m).

Golos: 0-1, Petit (81 m).

#Fotos: Reuters, AFP-Getty Images e Site Oficial

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

domingo, março 18, 2007

sexta-feira, março 16, 2007

Crónica Taça UEFA - Toujours, Capitaine Simão!

Todos sabemos que o Paris SG está num péssimo momento da época mas, como vimos no encontro da 1ª mão, estaria tudo em aberto na discussão da eliminatória. O Benfica não fez um mau jogo em França, mas 10 minutos catastróficos custaram uma boa e decisiva vantagem. O problema da 2ª mão subsistia, então, na possibilidade dos franceses marcarem e obrigarem o Benfica a ter uma almofada de dois golos para prosseguir na Taça UEFA. O adversário era mais ou menos fraco, portanto, mas um golo forasteiro complicaria bastante as pretensões da equipa da casa. E com Pauleta à solta as coisas poderiam complicar-se ainda mais! No cômputo geral, a exibição acaba por ser tremida, com 10 minutos muito bons, mas é justo ser o Benfica a passar para os quartos-de-final… principalmente quando ainda atirou 2 bolas ao ferro.

O primeiro grande problema, na abordagem a este jogo, foi a incompreensível opção de Fernando Santos em Moretto. O busílis da questão nem está em relegar Moreira como 3ª opção para a baliza – nem é por aí que se devem basear as críticas –, mas sim em tomar esta decisão quando foi Moreira que substituiu Quim frente à União de Leiria. Qual o sentido de dar esse tipo de confiança a um guarda-redes, fazer sentir que se acredita nele caso o titular se lesione, e depois dar o lugar a outro? E ainda por cima dar a titularidade a um guarda-redes que ainda não conseguiu provou categoria indiscutível no Benfica, mal amado por 80% dos adeptos, e num jogo crucial! Não havia, já, problemas suficientes para lidar?

Tremedeira evitável

O Benfica não entrou bem no jogo, algo que surpreendeu, e viu o PSG acercar-se da baliza e causar algum frisson. Pauleta, logo aos 2 minutos, tem uma óptima oportunidade para adiantar a sua equipa no marcador mas remata à figura de Moretto, que sacode para canto. Daí até aos 5/7 minutos os franceses dominaram e aproveitaram algum desnorte do Benfica para manter a bola no meio-campo contrário. Foi com o golo de Simão, após assistência magistral de Nuno Gomes, que o “castelo de cartas” parisiense desabou por completo. O empate tranquilizou o Benfica de forma evidente, levando a um massacre à baliza do internacional francês Landreau. Katsouranis aproveitou novo passe magnífico do #21 e estoira na barra, na sequência do lance Karagounis acerta no poste. Miccoli e Nuno Gomes, na mesma jogada, também têm oportunidades para facturar mas sem sucesso.

Perante tantas oportunidades, nada mais natural que o surgimento do 2-0, mas a forma como tal aconteceu não tem nada de normal. Petit ganha no confronto directo, a bola sobra para Léo, que mete de novo em Petit… e o trinco do Benfica faz um divino chapéu que corta a respiração de todos aqueles que estão grudados na jogada. Foi “audível” o silêncio naquele segundo que a bola sobrevoa Landreau, e bate na malha de dentro da baliza. Foi incrível, foi sublime! A melhor forma do Benfica se adiantar no marcador era, mesmo, com um golo ao nível do melhor que a Europa já viu este ano! Todas as descrições são supérfluas, o melhor é mesmo (re)ver o lance em vídeo.

Com a eliminatória a seu favor seria expectável que o Benfica tentasse controlar e baixar o ritmo, mas o futebol tem destas coisas. Contra a corrente de jogo, Anderson deixa Pauleta fugir mais uma vez e este mostra todo o seu instinto de goleador, fazendo o golo e empatando a eliminatória. O cabeceamento é impecável mas Moretto não fica isento de culpas. Não é, propriamente, um “frango” mas há claras responsabilidades do guardião benfiquista. E, com este incrível falhanço do sector recuado, o Benfica tremeu e deixou de ser a equipa que se impôs esmagadoramente durante 20 minutos. Os assobios do público também não ajudaram, serviram sim para intranquilizar a equipa de forma ainda mais evidente!

Passaram mais de 40 minutos sem sombra de remates da equipa da casa, e o desespero do público era ainda maior quando não se via qualquer reacção do banco. Houve alguma sorte no facto do empate não ter aparecido e muita azelhice do adversário, em mais uma má 2ª parte por parte do Benfica. A lesão de Karagounis terá tido uma importante fatia de responsabilidade nessa situação. Mas quando já todos víamos o prolongamento ali tão perto, Léo é protagonista de uma jogada ao seu estilo e, depois de um sprint e de duas fintas, é ceifado dentro da área. O indiscutível penalty, a 4 minutos dos 90, garantiu o merecido apuramento. Simão resolveu, como sempre!

Melhor que Simão? Onde?

A nível individual destaco os dois melhores em campo, Simão e Petit, e os dois piores, Anderson e Moretto – falar de Nelson já é completamente recorrente. Petit voltou a calar aqueles que de futebol nada percebem, não só com um grande jogo mas também com um golo deste e do outro Mundo. Petit é a pura classe num trinco, o pulmão e a âncora deste Benfica. Recuperou inúmeras bolas, iniciou quase todos os ataques… exibição magistral!
Simão Sabrosa é, para mim, o melhor jogador português depois de Cristiano Ronaldo. A forma como não tremeu, num momento tão importante quanto o decisivo penalty, demonstra que já atingiu o patamar daqueles que são reconhecidos como os melhores jogadores da história do Benfica. Em dois jogos fez três golos, isso diz tudo acerca da sua importância!

Não há um único jogo onde o Moretto sai com a folha imaculada, da última vez que actuou pelo Benfica deu uma frangalhada estrondosa em Paços de Ferreira.
É um guarda-redes horrível – a forma como se faz aos cruzamentos é de bradar aos céus –, e para mim será o pior da história do Benfica… pelo menos daqueles que já tiveram vários jogos para provar o seu valor É mau, muito mau! Para além disso não tem uma personalidade de que gosto, muito espalhafatoso, bipolar e convencido. Completamente oposto ao low profile de Quim e mesmo de Moreira. Aos 29 anos tem de sair, rapidamente, não só do 11 como do Benfica. E só não saiu já por causa da forma como entrou. Parece-me óbvio! Não meter o Moreira, que é da casa e sempre mostrou qualidade até para ir aos AA, é uma canalhice nandinhesca ao nível de quando Koeman meteu Ricardo Rocha a defesa-esquerdo, deixando Léo quase dois meses no banco. É profundamente idiota, quase custava a eliminatória e vai custar a Liga se o treinador insistir.

A marcação individual de Anderson a Pauleta foi algo parecido com um dilúvio bíblico. Raramente se conseguiu antecipar e permitiu tanto espaço ao açoriano que este teve 4 oportunidades de golo completamente à vontade – um remate para Moretto, um golo, um falhanço de menos de meio metro e, já na segunda parte, um remate completamente à figura a sensivelmente 20 metros da baliza.
O #3 continua a não estar bem nos grandes jogos, o que é algo inexplicável tendo em conta o seu historial de enormes exibições na Champions League do ano passado.

Alemão, mas fraquinho

A partida foi muito complicada para a arbitragem, das mais complicados desta época na Luz, e Florian Meyer nunca conseguiu segurar o jogo e contribuir para o espectáculo. Incrivelmente mostrou cartões algo discutíveis mas esqueceu-se deles no bolso em situações muito mais gravosas. O amarelo logo no 1º minuto faz pouco sentido porque esse critério, de punir entradas duras e sem bola, nunca foi seguido em conformidade.
Nesse aspecto, o dos cartões diga-se, o Paris SG foi claramente beneficiado, em virtude da dureza excessiva da sua defesa… por outro lado, o Benfica viu-se beneficiado nalgumas faltas a meio-campo que não foram assinaladas.

Pecou ainda – e aí acho que é um erro bastante grave, que lhe poderá dar problemas –, na forma como foi pouco expedito na gestão da assistência médica aos jogadores caídos. A massa adepta do Benfica está marcada, para a vida, por este tipo de lances, mas não é aceitável que um árbitro credenciado, e da escola alemã, permita que os atletas estejam tanto tempo prostrados em campo. Uma dessas situações deu origem a um sururu, que não conseguiu resolver, quando Derlei estava no chão e foi provocado e quase agredido por dois jogadores franceses. Se o jogo tivesse sido interrompido nada disto teria acontecido!

Resta analisar, claro, os dois lances disputados na área – sinceramente não me recordo do outro lance em que fala Paul Le Guen. E aqui muita gente gosta de discutir arbitragens e insinuar benefícios mas a esmagadora maioria delas não sabe as regras de futebol. Assim, no lance de disputa de bola entre Nelson e Luyndula, não há nada mais que uma carga de ombro do defesa do Benfica. Ora, mesmo que exista uma queda do avançado parisiense, o referido gesto técnico não é considerado faltoso em qualquer parte do campo… portanto, não há lugar a qualquer penalty.
No lance com Léo, o abalroamento é tão óbvio que é impossível um penalty ser tão claro! Só má fé, ignorância ou alguém que não viu o lance correctamente, poderá dizer que não há falta. Qualquer árbitro do Mundo – honesto, obviamente –, teria indicado a marca dos 11 metros. Claro que, para aqueles que já faziam uma festa com a possível eliminação do Benfica, custa muito… é a viding!

O Inferno na Luz…

Tão orgulhosos que nós somos do nosso Inferno da Luz, mas que se torna por vezes num Inferno na Luz. E foi precisamente isso que aconteceu neste jogo!
Uma coisa é achar que o Fernando Santos e o Moretto são do mais incompetente que já passou por este clube, como eu acho, outra coisa é assobiá-los e fazer tristes espectáculos prejudicando a tranquilidade e aspirações do Benfica. É incrível ver um atleta no chão a ser assistido pela equipa médica, e ver o público a gritar o nome do seu concorrente directo. Tenha o envolvido Moretto na parte de trás da camisola, ou outro nome qualquer, é algo que nunca tinha visto em 26 anos de benfiquismo e que nem sequer consigo qualificar. Para ser assim mais vale ter só 50 mil e esses serem apoiantes a sério. Assobiar os nossos é algo que nunca vou conseguir entender!

No que diz respeito ao sorteio, tornei público que gostava que fosse o Tottenham o adversário do Benfica – sou um enorme fã de Dimitar Berbatov –, mas é com o Espanyol de Barcelona que se irá decidir a passagem às Meias-Finais da Taça UEFA. Equipa difícil mas ao alcance de um Benfica ambicioso e tranquilo. Que não sejam as lesões, as opções de Fernando Santos, ou as quebras físicas, a diminuir as possibilidades de sucesso!
Em dois anos consecutivos o Benfica chega a Março e ainda disputa uma prova europeia, confesso que já não me lembrava de tamanho feito. O Benfica está de volta, que seja para ficar que nós agradecemos!

NDR: Guardo, obviamente, um espaço para escrever sobre Pedro Pauleta. Não partilho a opinião daqueles que relativizam a carreira deste açoriano, e que minimizam os seus feitos quase como que virando as coisas a um dos melhores avançados portugueses de todos os tempos – estatisticamente, pelo menos, é-o de forma inegável. Sou um fã de Pauleta, sempre o fui, não só devido às suas características inatas como finalizador mas também devido ao carácter, humildade e profissionalismo que só os grandes campeões demonstram.

Já passou por maus momentos? Claro que sim, nomeadamente no Euro 2004 e na parte final do Mundial 2006, mas qual o jogador que nunca passou? Pauleta é um exemplo para aqueles que o vão seguir, não só pela importância que teve como jogador mas também como um dos capitães de Portugal.
Depois de fazer dois golos ao Benfica, e ainda claramente magoado com alguns experts da bola, é sintomática a forma como o #9 do Paris Saint-German lançou uma provocação. “Então eu só continuo a marcar golos a equipas medíocres? Ou também acham que o Benfica é medíocre?” Brilhante!

Podem ver o resumo do jogo aqui. Magnifico vídeo da bS7.

Ficha de Jogo:

2ª mão dos oitavos-de-final da Taça UEFA

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Florian Meyer (Alemanha)

SL BENFICA – Moretto; Nélson, David Luiz, Anderson e Léo; Petit; Katsouranis, Simão e Karagounis (João Coimbra, ao int); Fabrizio Miccoli (Derlei, 76 m) e Nuno Gomes (Paulo Jorge, 90+5 m).

PARIS SAINT-GERMAN – Michael Landreau; Mabiabala (Bernard Mendy, 74 m), David Rozenhal, Traoré e Dramé; Diané, Mulumbu, Jérôme Rothen e Marcelo Gallardo (Ngog, 70 m); Pauleta e Peguy Luyindula (Bonaventure Kalou, 70 m).

Disciplina: Amarelos a Mulumbu (1 e 87 m), Katsouranis (21 m), Rothen (60 m), João Coimbra (73 m), Nuno Gomes (90+1 m) e Traoré (90+1 m). Vermelho por acumulação de amarelos a Mulumbu (87 m).

Golos: 1-0, Simão (12 m); 2-0, Petit (27 m); 2-1, Pauleta (32 m); 3-1, Simão (88 m, de g.p.).

(O Benfica segue em frente, para os quartos-de-final da Taça UEFA, com um agregado de 4-3)

#Fotos: AFP-Getty Images, Reuters e Site Oficial

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

terça-feira, março 13, 2007

Crónica 21ª Jornada - Resolvido à Bomba!

De certeza que todos acharam um deleite assistir à primeira parte do Benfica. Jogo defensivo irrepreensível – apesar de grande, recorrente e preocupante atrapalhação nos pontapés de canto –, rápida e imponente circulação de bola, muito emprenho, velocidade de execução e múltiplas oportunidades de golo. Foi mais um grande primeiro tempo do Benfica na Luz, situação claramente impulsionada pelo público presente que, numa 2ª feira às 19h45, se fez sentir sempre em grande força.

Quem recorda, ou já reviu, assistências passadas sente, claramente, como tem sido importante o factor casa neste Benfica 2006/07. E perante um adversário bastante complicado e que possui uma boa equipa, seria importante abordar o jogo de forma decidida. Todos sabemos que não há margem de manobra e é imperativo vencer todos os jogos até ao final do Campeonato, tarefa que é extremamente difícil – e dificultada por factores extra, que todos nós conhecemos há muitos anos.

Como se sabe, tenho um especial carinho pela União de Leiria pelo que este ano, apesar de óptimos resultados, tem-me sido particularmente difícil gerir toda a sua associação ao FC Porto e a situações menos lícitas que daí advém. Mas não se iludam, este tipo de situações não agrada à esmagadora maioria dos leirienses com quem confraternizo. Para além do Benfica, a União é a equipa que conheço melhor, e que vi jogar mais vezes. Fora do Magalhães Pessoa as coisas não têm corrido bem ultimamente, muitas das vezes por opções incompreensíveis de Domingos. Por isso, o Benfica teria uma tarefa facilitada se entrasse em jogo de forma imponente. Mas confesso que me incomodam os jogos à 2ªfeira, e depois de toda a gente ter jogado. Fico mais tranquilo quando é o Benfica a jogar primeiro, felizmente que tal acontece porque ainda há outra competição em disputa.

Trituradora encravou ao Intervalo

Embora o Benfica tenha entrado muito bem no jogo, o que é certo é que o golão de Simão Sabrosa, um dos melhores do Campeonato, embutiu a tranquilidade necessária para que a equipa continuasse a produzir bom futebol. E há que ter em conta que tanto os adeptos, como os jogadores, andam com o “Fantasma Boavista” na mente.
Ter-se-ia partido para a goleada caso Nuno Gomes tem finalizado para a baliza, após magnifico passe de Katsouranis. Também o grego poderia ter resolvido a contenda, numa bomba a que Fernando se opôs – ele que é um dos melhores guarda-redes da Liga.

Mas os últimos minutos antes do intervalo, sensivelmente 20 minutos depois da obra-prima do capitão, já indiciavam que havia alguma inquietação na equipa da casa. Inquietação essa que se viu muito nas bolas paradas, com sucessivas marcações falhadas a darem origem a espaços proibitivos. E esse comportamento não se explica só na vontade leiriense em dar a volta ao resultado…
Mesmo assim, é Nuno Gomes e Miccoli, após magnificas jogada individuais de Simão na direita, que se mostram mais perto de facturar. Mas a tal ansiedade, talvez devido à importância dos 3 pontos e já com o Paris SG à vista, confirmou-se num segundo tempo particularmente complicado, com a União a assumir as despesas de jogo embora criando poucas oportunidades visíveis.

A bem da verdade, em apenas um lance terá havido grande preocupação na Luz. O monumental falhanço de Quim, ao blocar uma bola, deu origem a melhor oportunidade de golo da União de Leiria. N’Gal, um dos melhores em campo, não conseguiu encostar para golo mas daí resultou a lesão de Quim. Mesmo com o regresso do grande Moreira, é uma lesão preocupante porque o #12 tem estado magnífico nessa época!
Depois surgiram os lamentáveis sururus, originados por uma atitude reprovável de Harison, que não “obedeceu” à lei do fair-play. Apenas com a “bomba” de Petit nos conseguimos aperceber que a vitória não fugiria… e sofrer até ao fim não é nada aconselhável!

A Noite de Sonho de David Luiz

A nível individual há que destacar a fabulosa exibição de um miúdo com 19 anos que, com tranquilidade e acompanhamento, tem potencial para altos voos.
A 2ª parte de David Luiz em Paris já tinha deixado boa impressão, mas frente à União de Leiria o jovem brasileiro deslumbrou a plateia. Espectacularmente bem colocado e expedito a tentar o desarme, tem, ainda, a capacidade para sair a jogar com tranquilidade.
O público da Luz também teve influência na forma como o #23 jogou, dando-lhe os incentivos necessários a que se sentisse, realmente, em casa. Palmas para o público!
Como ponto negativo que tem de corrigir, e que é um pouco semelhante no seu colega Anderson – que esteve bastante melhor que noutros jogos mas, ainda, sem deslumbrar –, é a forma como alivia as bolas. Como tem grande capacidade técnica, não é aceitável que o faça para o centro do terreno… podendo dar origem a lances perigosos!

A destacar, ainda, os homens dos golos que mesmo sem marcarem teriam nota muito positiva. Simão e Petit, para além dos fabulosos golos, mostraram tudo aquilo que os fez ídolos dos benfiquistas. O #20 esteve espectacular em tudo o que se refere ao ataque, o #6 no outro lado do campo. Há que dizer que o capitão já é o melhor marcador do Campeonato, só quem não percebe nada de futebol poderá dizer que Simão não é um fabuloso jogador!
É impossível não mencionar Karagounis, que tem deslumbrado com os seus passes teleguiados e apontamentos técnicos de índole individual – aquela rotação à Zidane sobre Laranjeiro é colossal. Mais um grande jogo do grego, a assumir-se definitivamente como uma peça chave na equipa.

Nuno Gomes esteve muito perdulário mas bem mexido e activo, Katsouranis falhou alguns passes mas executou outros de forma brilhante e Miccoli continua, infelizmente, muito colado à esquerda. Se for opção do italiano é incompreensível, e tem de ser corrigida for Fernando Santos, se for opção do treinador é mais uma grande nabice.
Nélson, para além de novo penteado, voltou a ser o pior jogador do Benfica em campo, com um sem número de patéticas opções de ataque e medíocres marcações na defesa. O que me tem vindo a surpreender são os maus jogos de Léo, uma situação preocupante e já recorrente há pelo menos um mês. O que se passa com este pequeno grande jogador?


Errar a quanto obrigas

Não tenho qualquer respeito pela figura de Paulo Pereira, tal como não tenho por nenhum dos seus colegas que também são arguidos no processo Apito Dourado. Acho incrível, aliás, como é possível os árbitros indiciados por corrupção continuarem a apitar jogos em Portugal. Isto não acontece em mais nenhum país civilizado! Mesmo no Brasil, que é considerado terceiro-mundista, há punições severas para quem é suspeito deste tipo de comportamentos.
A sua actuação é bastante enervante para o público no Estádio mas, na verdade, o árbitro de Viana do Castelo só está envolvido em dois casos de possível equívoco grave onde, na minha opinião, errou nos dois. Há uma falta de Éder sobre Simão, na primeira parte, onde teria de ser assinalado penalty. O lance é de difícil análise – muito parecido com o de Raul Meireles frente ao Braga mas neste caso dentro da área – mas o “puxão” existe e teria de ser assinalado.

O outro lance é a “bolada” de Katsouranis na cara de Harison. Quando faço estas análises de arbitragem não me refugio em outras ilegalidades de outros clubes para fugir à realidade. Sim, é verdade que Caneira teria de ter isto o vermelho por dar uma estalada em Ricardo Fernandes, Bruno Alves teria de sair de campo depois da patada que deu em Setúbal, Quaresma e Lucho teriam de ser expulsos devido ao pisão à Vítor Vinha que fizeram em Luís Filipe e Hélder Barbosa, Pepe teria de ter sido expulso em Leiria por ameaçar o árbitro e também teria de ter sido punido por cuspir num apanha-bolas… mas também acho que Katsouranis teria de ver o vermelho no lance com Harison. A gravidade do que fez não é comparável aos outros casos que descrevi – e há muitos outros, igualmente graves – mas é uma atitude feia e reprovável, mesmo que seja de revolta em resposta à falta de fair-play do brasileiro. Não gosto de ver este tipo de coisas em jogadores do Benfica!

Faltou um amarelo aqui ou ali, nomeadamente a Karagounis, a Harison e a Paulo Gomes mas são erros sem influência no resultado. Magnifico trabalho dos árbitros auxiliares, depois de um primeiro tempo onde todos os foras-de-jogo foram bem assinalados – e alguns bem difíceis. O trabalho só sai um pouco manchado numa jogada em que é levantada a bandeirola mas onde Fabrizio Miccoli está em jogo, e segue para a baliza. O lance não teria seguimento porque Fernando se antecipou, e é de difícil análise porque há outro jogador em posição irregular, mas fica o reparo.

Monday Night Football…

Há que dizer que não são as vitórias ou as derrotas que mudam a minha opinião acerca do que possa estar errado no comando técnico do Benfica. Aliás, seria bem mais fácil dissertar sobre Fernando Santos se a União tem empatado, felizmente tal não sucedeu. Talvez pareça presunção ou perseguição mas os mesmos erros continuam a ser cometidos e tanto tempo a sofrer, com malta no banco a querer entrar, e alguns titulares a arrastarem-se, não pode merecer elogios. Não pode, é ridículo o treinador não fazer as três alterações e depois queixar-se que há muito cansaço. E se isso tivesse acontecido só hoje… uma vergonha!
Elogio a aposta, infelizmente tardia, em David Luiz e a recolocação de Nuno Gomes no ataque. Acho que são opções mais ou menos óbvias mas perfeitamente correctas, do meu ponto de vista.

Nunca disse que não há mérito no treinador na forma como a equipa joga, quando joga bem, e também compreendo que as minhas convicções não sejam aceites por muitos benfiquistas. Mas não abdico delas, e não se moldam ou retraem facilmente. Um treinador para ter o meu apoio incondicional não pode cometer disparates atrás de disparates, alguns deles que já nos custaram duas competições. Sou sempre a favor do Benfica, é precisamente por isso que coloco o trabalho de Fernando Santos em causa, quando esse é mal feito. E falo-ei sempre que se justificar!
Miguelito, Paulo Jorge, David Luiz, João Coimbra e até Mantorras têm qualidade para jogar mais do que um minuto por jogo. Têm qualidade para ser opções válidas que permitam apostas regulares, principalmente na Luz. E isso, meus caros, ninguém consegue explicar, porque é inexplicável.

Depois de uma vitória é quase impossível colocar alguém a falar nisto, e talvez até pareça forçado entrar neste tipo de quezílias, mas pensem um bocadinho como se está a minar um plantel ao não dar rimo nem tranquilidade a jogadores que poderiam ser úteis, e ao não precaver situações complicadas com aqueles que têm titularidades indiscutíveis.
Depois de um grande jogo em Paris, João Coimbra não jogou um único minuto, estando preparado para entrar duas vezes. Mas Fernando Santos só faz duas alterações na equipa, e uma delas forçada… não havia ninguém cansado, nem em risco de suspensão?
Parece um fait-diver vendo o resultado, mas não é. Eu fico-me pelas minhas convicções, sem qualquer tipo de subterfúgio. Veremos como vão decorrer os próximos 4/5 jogos, aí se decidirá o que irá sair desta época.
O que é mais importante, no momento, é apoiar a equipa na Luz de forma incondicional. Juntamente com outros factores, esse apoio será fundamental nas pretensões da equipa.

NDR: Não sei se tiveram a oportunidade de acompanhar o Prós & Contras da RTP, logo a seguir a este jogo mas foi interessante, entre outras coisas, ver o massacre que Octávio Machado deu em Rui Santos e a atrapalhação de Miguel Ribeiro Telles quando lhe perguntaram se Rui Meireles ia, ou não, sair do Sporting. Mas o mais incrível foi constatar que se discutia Arbitragem e Corrupção mas, em nenhuma circunstância que eu tenha visto, foi lançado o nome de Pinto da Costa – que foi ouvido pela PJ mais uma vez, e sem directos – ou do FC Porto.
Curioso ainda, tendo em conta o tema do programa, que o FC Porto foi o único clube, dos 3 mais expressivos, a não estar representado. Porque será?

E ó N’Gal, que cabelo é esse, pá?

Podem ver o resumo do jogo aqui. Como sempre, o vídeo é a bS7.

Ficha de Jogo:

21ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Paulo Pereira (Viana do Castelo)

SL BENFICA – Quim (Moreira, 72 m); Nélson, David Luiz, Anderson e Léo; Petit; Katsouranis, Simão e Karagounis; Nuno Gomes e Fabrizio Miccoli (Derlei, 76 m).

UNIÃO LEIRIA – Fernando; Éder, Marcos António, Eliézio e Laranjeiro; Harison, Paulo Gomes e Marco Soares (Ivanildo, 75 m); Paulo César (Paulo Machado, 59 m), Touré (Slusarski, 67 m) e N’Gal.

Disciplina: Amarelos a Touré (31 m), Harison (70 m), Kastouranis (81 m) e Moreira (83 m).

Golos: 1-0, Simão (16 m); 2-0, Petit (86 m).

#Fotos: AFP-Getty Images, Site Oficial e SerBenfiquista

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

segunda-feira, março 12, 2007

Videoteca Encarnada #2 - Entrega Taça Portugal 1995/96

O vídeo diz respeito à entrega da Taça de Portugal de 1995/96, cerimónia realizada aquando de um jogo amigável entre Benfica e Vitória de Guimarães, que serviu de apresentação, na Luz, do plantel de 1996/97. Esta insólita situação, penso que terá sido inédita, deveu-se à tragédia ocorrida aquando do jogo da Final entre o Benfica e o Sporting que culminou na morte de um adepto sportinguista. Jorge Sampaio, o Presidente da República da altura, suspendeu a cerimónia devido a grande consternação existente.

Há, ainda, algumas entrevistas com protagonistas mas o grande destaque vai para o desolador aspecto das bancadas. Comparem com o que é o Benfica actual!


#os coleccionadores podem fazer o download aqui, garanto que a qualidade da imagem é bastante melhor.

#adicionado a Videoteca Encarnada

#publicado em simultâneo com o Encarnados

quinta-feira, março 08, 2007

Crónica Taça UEFA - O "Canto do Cisne" de Nandinho...


A expectativa dos milhares de emigrantes portugueses em França, principalmente em Paris e arredores, sempre que o Benfica joga relativamente perto é sempre enorme. Na realidade, o Benfica não tem, nos últimos anos, correspondido a esse enorme sentimento benfiquista! No ano passado, o Benfica fez um jogo paupérrimo em Saint-Dennis frente ao Lille e também me lembro de uma derrota humilhante em Bastia para a Taça UEFA. Mas esta paixão pelo Benfica nunca esmorece, mesmo que a força do clube já não seja aquela de um espectacular Benfica que discutiu e garantiu uma ida à Final da Champions com um dos melhores Marselhas de todos os tempos – onde Carlos Mozer, Jean-Pierre Papin, Didier Deschamps e Chris Waddle brilhavam.
Estiveram 15 mil portugueses no Parc des Princes para o jogo com o PSG e, num estádio com 38 mil lugares esgotados, só não estiveram mais porque não havia mais bilhetes disponíveis!

É verdade que o Paris Saint-German tem três ou quatro jogadores de grande categoria mas é inegável que a equipa atravessa um momento desastroso na Ligue 1, estão em 18º lugar e em risco de descida de Divisão! E mesmo com Bonaventure Kalou, Michael Landreau, Jérôme Rothen ou Pauleta, os franceses são uma equipa perfeitamente ao alcance de um Benfica acima de mediano. Então, jogando com tanto público a favor e contra uma equipa a jogar em brasas, nada mais que uma vitória, ou um empate com golos, seria exigível a um Benfica que pretende vencer a Taça UEFA.

Algumas circunstâncias de última hora impediram o escalonamento natural da equipa titular. Assim, o Benfica apresentou-se algo diferente daquilo que estávamos à espera. Na defesa tudo igual – com Quim, Nélson, Luisão de regresso, Anderson e Léo –, mas a inesperada indisposição física de Katsouranis provocou a entrada em campo de João Coimbra, que cobriu a posição de interior-direito.
A opção por Derlei, em detrimento de Nuno Gomes, foi outra das surpresas que Fernando Santos apresentou. E uma grande surpresa, tendo em conta que o #21 tinha facturado nos últimos dois jogos e na partida frente ao Aves tinha sido, mesmo, um dos melhores jogadores em campo. Será essa a melhor forma de estimular e dar confiança a um jogador?

10 minutos catastróficos

O Benfica entrou relativamente mal na partida, dando o controlo de jogo à equipa da casa e mal conseguindo passar o meio-campo. O que é certo é que alguma atrapalhação dos franceses possibilitou ao Benfica um aumento de tranquilidade que, 5 minutos depois do apito inicial, lhe entregou por completo o domínio dos acontecimentos. Nada mais natural depois de alguns lances perigosos – um dos quais com Derlei isolado em frente a Landreau –, o magnifico golo de Simão colocou justiça no marcador. 9 minutos de jogo, Benfica na frente e tudo em aberto para uma exibição de gala! Daí até aos 35 minutos, o Benfica mandou no jogo, construiu algumas oportunidades para marcar – de novo Derlei a desperdiçar, agora de cabeça e na sequência de um canto – e deixou a sensação que traria de Paris um belo resultado Europeu.

A lesão de Luisão, com a consequente estreia a frio de David Luiz, provocou um autêntico cataclismo defensivo como já há muito tempo não víamos no Benfica, uma tal sensação de impotência que dava a ideia que só por um milagre o Benfica não sairia goleado até ao intervalo. O PSG virou o resultado com incrível facilidade – há claras responsabilidades para o sector recuado –, e só não marcou o 3º por manifesta falta de jeito.
A esplendorosa exibição de João Coimbra, no primeiro tempo, não foi suficiente para aguentar o jogo e felizmente que o intervalo chegou rapidamente… porque se tal não acontece a eliminatória estaria já decidida.

Mas no reatamento tudo mudou, o Benfica acalmou e passou a controlar os acontecimentos. A equipa da casa estava satisfeita com o resultado e raramente acelerou o ritmo – ainda assim Pauleta teve uma oportunidade clara, para fazer o 3-1, mas chutou mal e ao lado. Incrivelmente, e a perder há imenso tempo, Fernando Santos só introduziu alterações na equipa aos 68 minutos! David Luíz esteve perto de empatar e o italiano Fabrizio Miccoli, demasiado encostado à esquerda, também teve dois lances para o fazer mas não conseguiu. João Coimbra, pouco utilizado durante a época, ressentiu-se depois de fazer o equivalente a 72 jogos consecutivos e teve de sair. Entrou Beto, que não conseguiu acompanhar o brilhantismo do seu jovem colega, e a equipa estagnou… tudo terminou como tinha ficado ao intervalo! Benfica e PSG pareceram satisfeitos com o resultado e agora tudo se irá decidir na 2ª Mão, com os franceses em vantagem!

O Show do one-minute-man Coimbra

O singelo minuto que João Coimbra foi fazendo, em cada jogo, ao longo da época não deu para descortinar a sua capacidade futebolistica. É impossível saber se a espantosa exibição em Paris é fruto da sua maturação futebolística – há que confirmar com outras prestações de futuro – ou de um mero acaso. Fazemos todos fé que seja o sinal imperativo do nascimento de mais um talentoso médio, vindo das escolas do Benfica.
O jovem #28, de apenas 20 anos, fez uma primeira parte simplesmente colossal. Brilhante no desarme, seguro no passe e exibindo um porte de cabeça levantada que faz lembrar Paulo Sousa. Foi uma surpresa, uma boa e revigorante surpresa. Falta-lhe, ainda, um pouco mais de confiança para não ter medo de assumir o risco, subir no campo ao invés de lateralizar o jogo… mas isso é algo que vai aparecer com a idade e a maturação desportiva. O jovem João tem algo que alguns, por mais que se esforcem, nunca vão ter: classe!
Apesar de ter decrescido de produção no segundo tempo, muito pelas limitações físicas de quem não ainda não tinha jogado um jogo completo pelo Benfica, foi o melhor em campo.

Há a destacar, ainda, mais uma boa exibição de Simão, que não consegue jogar mal. O capitão fez mais um bonito golo e é protagonista de três ou quatro passes magnificos que isolam colegas – Derlei aos 8 minutos e Miccoli aos 61 foram os mais espectaculares. Desapareceu um pouco no segundo tempo e a equipa ressente-se sempre muito disso, curiosamente os dois golos que marca de cabeça nesta época significaram derrotas por 2-1 frente a equipas inferiores. Nota positiva também para Karagounis, denotando grande classe no controlo de bola, e para o segundo tempo de David Luiz – caso não tem comprometido as marcações naqueles 10 minutos desastrosos e teria uma estreia impecável. Destaque ainda para o magnifico centro de Nélson que dá o golo, apesar do #22 não ter actuado de forma claramente positiva noutras vertentes de jogo. Rothen criou-lhe inúmeros problemas na hora de defender!

Negativamente é obrigatório falar de Anderson, que fez um jogo horrível falhando clamorosamente nos dois golos e tendo um sem número de deslizes comprometedores que deram várias oportunidades de golo ao adversário, e de Derlei. O #27 fez mais um péssimo jogo, e continua com mais faltas que remates e mais cartões amarelos que golos. Aliás, penso mesmo que ainda não houve um único jogo onde não tenha sido admoestado pelo árbitro. Quase marcava na própria baliza, continua lento, indisciplinado, pesado e completamente alheado do jogo colectivo do Benfica. Uma peça a mais, portanto!
Mas a grande surpresa foi, mesmo, a má exibição de Léo e de Petit. Estiveram os dois muito mal no passe e ainda pior nas marcações. Claramente o pior jogo que fizeram esta época, e o Benfica precisa destes grandes profissionais ao seu mais alto nível!

À Inglesa

De caseira a arbitragem de Graham Poll não teve nada, mas confesso que gosto das arbitragens inglesas. O jogo foi relativamente simples mas com alguns casos, que Poll decidiu quase sempre bem. Na retina fica a sua apetência para deixar jogar nos contactos mais aparatosos, o que é positivo para a fluidez do jogo mas que enervou um pouco os adeptos. A bem da verdade o Benfica acabou por ser, aqui e ali, beneficiado pela arbitragem… algo a que não estamos habituados.

A destacar, obviamente, os dois lances duvidosos na área do Benfica protagonizados por Léo e por Nélson. No que diz respeito à disputa de bola de Léo com Frau, há um óbvio aproveitamento do francês para ganhar a falta… Poll e auxiliar estiveram muito bem, porque é um lance de muito difícil análise.
Quanto a Nélson, e uma suposta mão na bola, acho que o inglês errou e deveria ter assinalado penalty contra o Benfica. O movimento do #22 não é inocente e serve para controlar a bola dentro da área, quando esta lhe fugia. O lance é impossível de ver para o auxiliar porque Nélson esconde a bola com o corpo, mas o árbitro principal tinha a obrigação de ver e agir em conformidade.

Decisões e mais decisões…

Muito há para dizer sobre as incidências de jogo e sobre as explicações para essas incidências. A resposta está, claramente, em Fernando Santos. Aquilo que venho a dizer ao longo deste espaço de crónicas veio a confirmar-se de forma clara e, sem querer ser vidente, tudo isto era expectável.
Não sei qual a gravidade dos problemas de Luisão e de Katsouranis mas, a serem graves, vão causar mossa nas possibilidades do Benfica sagrar-se Campeão Nacional. Posso desde já dizer que acho praticamente impossível, mediante o actual estado das coisas, o Benfica chegar mais longe do que umas Meia-Finais da Taça UEFA. Tudo dependerá do sorteio se o Benfica eliminar este PSG, mas um Werder Bremen, um Sevilha ou um Tottenham não darão hipóteses.

A gestão do plantel e da equipa irão comprometer as aspirações do Benfica no que resta da época, é com muita tristeza que o prevejo. Não se compreende como Derlei entra para o 11 – quando Nuno Gomes esteve impecável nos dois últimos jogos –, não se compreende porque não tem havido substituições decentes e atempadas quando João Coimbra, Paulo Jorge, Miguelito e Mantorras são boas opções – comprometendo o seu ritmo de jogo, propensão a lesões e sua capacidade para lidar psicologicamente com uma titularidade depois de tanto tempo sem jogar –, não se compreende porque David Luiz nunca teve uma oportunidade de se estrear em jogos já decididos e depois é lançado às feras, não se compreende porque Luisão joga se não está a 100% – mais um caso ridículo porque não é o jogador que decide e uma situação destas já tinha acontecido numa lesão de Miccoli –, não se compreende que seja Anderson a saber qual o lado predilecto de David Luiz para actuar no centro da defesa e que o treinador não saiba, não se compreende que não haja celeridade nas alterações, principalmente quando a equipa está a perder...

E o que mais me incomoda são as declarações à Imprensa, muitas das vezes “queimando” os seus próprios jogadores. Enfim, são tantas coisas anedóticas, que não consigo compreender como é que há benfiquistas que se satisfazem com a mediocridade, com derrotas “apenas” por 2-1, que fazem comparações com anos anteriores como se o Futebol fosse só estatísticas. Não é!
Não discuto que o Benfica produz grandes espectáculos em casa mas já pensaram o que seria se Camacho tivesse Léo em vez de Fyssas ou Cristiano, Fabrizio Miccoli em vez de Sokota, Katsouranis em vez de Fernando Aguiar, Nélson em vez de Armando Sá, Karagounis em vez de Andersson ou o melhor Simão de sempre?
O plantel actual é curto? Claro que é, e a Direcção do Futebol cometeu muitos erros graves – alguns também previsíveis pelo adepto mais atento –, mas o treinador contribuiu para a destruição de opções válidas. Isso é inegável!
Os resultados da equipa, com estes 14/15 jogadores de enorme qualidade, são desastrosos! Só não vê quem não quer. Espero engolir um sapo, até engoliria dois se tal significasse uma qualquer vitória nas duas competições que restam…

NDR: Jogo Europeu do Benfica e, claro, benfiquistas e muitos outros em frente à TV. Acho simplesmente patéticos aqueles infelizes que usam as derrotas do Benfica na Europa, ou numa competição interna, para tentar demarcar o seu clube do Apito Dourado. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que um ladrão não ser preso por assaltar uma casa porque, depois do assalto, houve um incêndio que destruiu o que restava. Ou um agressor que tentou assassinar alguém não ser preso porque o agredido faleceu devido a um espontâneo acidente de viação. Patético não é? Pois, há muitos que “pensam” assim!


Ficha de Jogo:

1ª mão dos oitavos-de-final da Taça UEFA

Stade du Parc-des-Princes, em Paris

Árbitro: Graham Poll (Inglaterra)

PARIS SAINT-GERMAN – Michaël Landreau; Bernard Mendy, Sakho, David Rozehnal e Sylvan Armand (Drame, 79 m); Edouard Cissé, Chantome, Jérôme Rothen (Marcello Gallardo, 61 m) e Bonaventure Kalou; Pierre-Alan Frau e Pauleta (Peguy Luyndula, 73 m).

SL BENFICA – Quim; Nélson, Luisão (David Luiz, 32 m), Anderson e Léo; Petit, João Coimbra (Beto, 72 m), Karagounis e Simão Sabrosa; Fabrizio Miccoli e Derlei (Nuno Gomes, 68 m).

Disciplina: Amarelos a Karagounis (7 m), Rothen (46 m), Derlei (56 m) e Kalou (80 m).

Golos: 0-1, Simão (9 m); 1-1, Pauleta (36 m); 2-1, Frau (41 m).

(2ª mão a 15 de Março, no Estádio da Luz)

#Fotos: AFP-Getty Images e Reuters

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

sábado, março 03, 2007

Crónica 20ª Jornada - Dá para "abater" estas "Aves Raras" de Apito?!

É ponto assente que a prestação do Benfica na Vila das Aves foi próximo de miserável, e que esse facto ainda se torna mais grave quando sabemos que a equipa local se encontra em último e apenas possui uma equipa muito fraquinha – mesmo com 2 ou 3 grandes reforços, como o são Nuno e Jorge Ribeiro. Confesso que esperava bastante mais deste jogo, esperava uma boa exibição e alguns golos, mas parece-me óbvio que o Aves já não é aquela equipa que foi goleada na Luz.
O que é certo é que é muito importante vencer o jogo quando se joga mal e quando o árbitro em causa faz tudo para vilipendiar o esforço dos atletas… sim, roubando à descarada mesmo sendo arguido de um processo por corrupção.
Como curiosidade há ainda a acrescentar que foi a primeira vitória do Benfica no Norte e, também, o primeiro triunfo envergando esta horrorosa camisola creme… que até parece branca nas fotos mas não é, o que é pena!

Com a suspensão de Luisão – e, nós adeptos, já nos apercebemos que as coisas podem complicar-se caso haja impedimentos do núcleo duro – havia grande curiosidade em saber qual a solução adoptada no centro da defesa. Aí estou de acordo com Fernando Santos, acho natural que seja Katsouranis, que é um jogador soberbo e ainda por cima polivalente, a ocupar a vaga. Até ao momento não vimos jogar o jovem David Luiz e penso que seria má aposta lançar às feras um miúdo que nunca jogou em Portugal, ainda por cima num jogo crucial!
O que é incrível é o facto de toda a estrutura do meio-campo ser alterada, portanto modificações em 2 dos 3 sectores, apenas porque sai um jogador do 11. Colocar Derlei como interior esquerdo, ainda por cima com limitações físicas e excessiva dureza, é de bradar aos céus e destruiu 45 minutos de futebol. Já é positivo que na 2ª parte o erro tenha sido corrigido… talvez o amarelo do brasileiro, próximo do intervalo, tenha acelerado a correcção!

Obrigado Bent… Quim, bem-vindo Nuno “Golos”

No meio da mediocridade que foi a prestação colectiva da equipa, há que destacar a segurança de Quim, a classe de Petit, obviamente, e Nuno Gomes, que regressou em força desde que foi remetido para o banco.
Apesar do golo, o sangue-frio do guarda-redes do Benfica foi, mesmo, o ponto alto do jogo. Acredito, francamente, que o Benfica não iria vencer caso Quim não têm sustido o remate de Hernâni, aquando da marcação do penalty. Esteve seguríssimo, como é normal, e mais uma vez está em grande quando é chamado a intervir. Para mim é o melhor em campo, não pelo que teve para fazer – que foi pouco – mas pela sua importância quando teve de mostrar serviço. A escolha é difícil mas opto pelo #12, em vez do #21.

Destaque, também, para a categoria de Katsouranis como central e para o centro de Nélson – que até nem é grande coisa, como têm sido a esmagadora maioria – que dá origem ao golo.
Hoje as estrelas, Miccoli e Simão, estiveram longe daquilo que já vimos nesta época, e a equipa também se ressentiu um pouco disso. Anderson e Karagounis fizeram um jogo próximo do sofrível! O excesso de patetices, e de entradas faltosas, do primeiro poderiam ter complicado as coisas.

Mais um da AF Porto

Não digo que Jorge Sousa não tenha beneficiado o Benfica aqui ou ali – parece-me que há algumas entradas duras de Petit e de Karagounis que mereciam cartão – mas permitiu tudo ao Aves, principalmente nos últimos 20 minutos, onde errou tudo o que era possível sempre em prejuízo do Benfica… estavas à espera do empate, era?
Nesses inacreditáveis minutos finais faltou o amarelo em entradas duras de Anilton Júnior sobre Karagounis, e de Octávo e Pedro Geraldo sobre Simão, em lances onde nem falta foi assinalada. Karagounis e Simão foram, mesmo, os jogadores que sofreram mais faltas não assinaladas. Petit foi, sempre, o jogador mais castigado pelos adversários e, claro, viu um amarelo num lance onde nem há qualquer irregularidade!

Começa a enojar esta ladroagem, esta sem-vergonhice! A impunidade desta gente é inacreditável! Será que, neste Campeonato, só os jogadores do Benfica levam cartão amarelo por protestos, ou insultar o juiz nas suas barbas é aceitável? Paulo Sérgio foi um dos que mais puxou pelo vernáculo. Será que o penalty, discutível mas na minha opinião bem assinalado, seria marcado do outro lado?
E obviamente que Sérgio Nunes é bem expulso, era só o que faltava uma mão na bola daquelas não ser amarelada. Era o segundo, para a rua... obviamente!

É preciso um Milagre

Há que dizer, ainda, que o meu Benfica não é o mesmo de um atarantado Fernando Santos – já nem vale a pena dizer nada sobre as substituições nem sobre a gestão do plantel ou dos cartões dos amarelados, então o sistema táctico inicial de hoje é de rir às gargalhadas. O meu Benfica também não é o mesmo de um Derlei, que parece que vai agredir tudo e todos em cada lance que disputa. Já todos sabem o que penso do #27 mas podem acreditar que é um grande desgosto vê-lo com o manto sagrado.

Pelo que vimos na Jornada 20 será preciso um milagre para que surja uma possibilidade do Benfica conseguir subir para o 1º lugar. É imperativo que se mantenha a equipa forte e coesa, para poder lutar contra todos aqueles que não querem que o Benfica seja o novo Campeão Nacional. Tenho alguma esperança, como é óbvio, mas quando vejo Jorge Sousa, Olegário Benquerença e Paulo Costa nomeados para os jogos mas importantes, é impossível estar tranquilo e acreditar que a arbitragem irá tentar fazer prevalecer a Verdade Desportiva. Até quando vamos ter de levar com estas "aves raras" de apito? Demora muito Dr.ª Maria José Morgado? É que já se faz tarde!

NDR: É-me impossível quantificar e qualificar o nojo que me metem os vermes asquerosos que insultaram a memória do grande Manuel Bento – e que o fazem ao Benfica numa base diária –, na amena cavaqueira entre amigos que foi o FC Porto-Braga. Ao utilizarem aquela versão ordinária do popular cântico benfiquista, aquando do minuto de silêncio, os Super Dragões, e não só, demonstraram mais uma vez que não são, sequer, dignos dos escarros que os cães atiram para o chão. Num país decente, que não temos, animais do género não seriam permitidos em estádios de futebol!
Como é a claque do Porto ninguém da Imprensa passa cartão, se fosse uma do Benfica teria capas de jornais a si dedicadas. Uma vergonha que ninguém responsável tome uma atitude!

Podem ver o resumo do jogo aqui. Como sempre, o vídeo é a bS7.

Ficha de Jogo:

20ª Jornada da Liga BWin

Estádio do Clube Desportivo das Aves, na Vila das Aves

Árbitro: Jorge Sousa (Porto)

DESPORTIVO AVES – Nuno; Anilton Juníor, William, Sérgio Nunes e Pedro Geraldo; Filipe Anunciação e Mércio; Paulo Sérgio, Hernâni (Diego Gama, 71 m) e Jorge Ribeiro; Octávio (Sérgio Carvalho, 67 m).

SL BENFICA – Quim; Nélson, Anderson, Katsouranis e Léo; Petit, Karagounis, Simão e Derlei (Paulo Jorge, 81 m); Nuno Gomes e Fabrizio Miccoli (João Coimbra, 90+2 m).

Disciplina: Amarelos a Mércio (13 m), Derlei (37 m), Sérgio Nunes (37 m e 65 m), Octávio (58 m), Jorge Ribeiro (60 m), Petit (83 m), Nuno Gomes (84 m), Paulo Sérgio (89 m), Paulo Jorge (90+2 m) e Quim (90+3 m). Vermelho por acumulação de amarelos a Sérgio Nunes (65 m).

Golos: 0-1, Nuno Gomes (60 m).

#Fotos: AFP-Getty Images

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

Videoteca Encarnada #1 - Campeão Nacional 2004/05


Como prometido, inauguro o espaço dos videos - pretendo que seja longo, em virtude do imenso material que tenho - com uma curta montagem da SportTV sobre a festa que se fez em Portugal aquando da conquista do 31º título do Sport Lisboa e Benfica.

Vale a pena recordar a grande alegria que sentimos nesse dia, e na madrugada do dia seguinte. 22 de Maio de 2005, depois de 11 anos de sofrimento, é inesquecível!

#os coleccionadores podem fazer o download aqui, garanto que a qualidade da imagem é bastante melhor.

#adicionado a Videoteca Encarnada

#publicado em simultâneo com o Encarnados

quinta-feira, março 01, 2007

Manuel Bento, 1948-2007

Partiu um dos nossos, um daqueles que pautaram toda sua vida pela defesa – neste caso o sentido é literal – do grandioso clube que é o Sport Lisboa e Benfica. O sentimento, de nós adeptos, é o choque e a profunda tristeza por ver desaparecer, tão cedo, uma das maiores referências de 103 anos de benfiquismo. E Bento era o benfiquismo em estado puro!
Tinha a sagacidade, agilidade e a classe dos predestinados, características que o elevaram ao topo do Desporto Português durante 20 anos, quer de águia ao peito, quer na Selecção Nacional.

É um dia profundamente triste! 1 de Março de 2007, o dia em que faleceu o maior guarda-redes português de todos os tempos. Manuel Galrinho Bento, natural da Golegã, tinha 58 anos… e deixa um enorme vazio. O benfiquista, e o homem bom que era, não serão esquecidos!

#podem recordar a sua longa carreira no excelente blog do Rex.

#publicado em simultâneo com o
Encarnados

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Crónica 19ª Jornada - Capital do Futebol Espectáculo!


A entrada demolidora do Benfica no jogo chegou para, depois de marcar, controlar as incidências. Isto, apesar de alguns percalços originados pelo nervosismo aquando do golo do Paços. Houve alguma azelhice do adversário na finalização, é verdade, mas o Benfica também teve várias oportunidades para sentenciar, de vez, o jogo. Foi um grande espectáculo de futebol, isso ninguém tem dúvida, que permitiu a consolidação da 2ª posição na tabela!

Na globalidade vimos uma grande exibição do Benfica, com uma vitória justa e valorizada por um excelente, mas por vezes duríssimo, Paços de Ferreira.
Continua incompreensível o facto de haver jogadores esgotados, e outros em risco de suspensão, insistindo Fernando Santos nas duplas substituições aos 90+2 minutos.

“Entrada a Matar”

Logo aos 8 minutos, e na sequência de um forte pressing inicial, Simão fez reaparecer uma das suas grandes especialidades: os exímios livres directos. Não se poderá dizer que o golo surge contra a corrente de jogo, porque até aí, e como se costuma dizer, só deu Benfica. Karagounis foi o principal impulsionador do ataque benfiquista - bem apoiado pelo capitão e pelo irrequieto Miccoli -, tendo sofrido várias faltas naquelas típicas jogadas de confronto individual.
O golo deu a tranquilidade necessária e impulsionou o Benfica para uma meia hora de grande fulgor atacante, remetendo o Paços ao seu meio-campo defensivo. Foi sem surpresa que o marcador se avolumou, na sequência de mais um lance de pura classe de Karagounis. O grego, depois de “limpar” Geraldo de forma “enciclopédica”, cruza para Nuno Gomes, e o #21 finaliza de cabeça para um golo de grande espectáculo. Merecido e sintomático, diga-se!

Há que dizer, também, que o tento de Fahel que reduziu a contenda teve consequência de um evidente crescer dos pacenses… isto por volta dos 40 minutos. Apareceram algumas jogadas perigosas, a que Quim se opôs superiormente, mas o #12 nada poderia fazer quando a sua defesa fica aos papéis na sequência de um canto. Canto, esse, já originário de um estoiro perigosíssimo de Geraldo, a que Quim se opôs de forma magistral.
Mas voltemos ao golo pacense, onde a defesa comprometeu de forma evidente. Ao dar muito espaço no jogo aéreo e falhando as marcações por completo, o Benfica permitiu que o Paços reduzisse o resultado, causando algum frisson, já que o intervalo surgiu logo depois. Havia alguma apreensão nas hostes encarnadas!

O início da 2ª parte confirmou o que de pior tínhamos visto ao Benfica, naqueles minutos finais antes do intervalo. Em 10 minutos as coisas complicaram-se e o Paços teve um lance claro onde poderia ter feito o empate. Luisão perde o duelo individual, e deixa que Fahel assista João Paulo, que falha o golo por centímetros.
O medo do empate terá acordado Simão & Lda, que não mais deram hipóteses à equipa da Capital do Móvel. A jogada do 3-1 é formidável, com Fabrizio Miccoli a explanar todo o seu potencial técnico permitindo o cabeceamento decisivo ao seu colega e amigo.
Resultado feito, havia que controlar a partida… e isso o Benfica sabe fazer como ninguém!

Zorba, o Grande…. e ninguém segura o Super-Capitão

A nível individual há que destacar o inevitável Simão Sabrosa, Petit e o grego Karagounis, que terá feito a melhor exibição de sempre com a camisola do Benfica.
De Simão e de Petit já se foi dizendo tudo, ao longo desta época, mas foi de Karagounis que se viu grande espectáculo. Tenho sido um crítico na forma como, por vezes, segura muito a bola, mas neste jogo o grego mostrou a classe que levou o Inter de Milão a contratá-lo. Timings impecáveis, velocidade de execução, colocação de bola irrepreensível e até mostrou pormenores individuais, no capítulo da finta, de grande classe. A forma como dá o golo a Nuno Gomes só está ao alcance dos grandes jogadores! Para mim, e apesar dos dois golaços de Simão, foi o melhor em campo!

Deve destacar-se, também, a classe de Miccoli na área contrária e a enorme exibição de Nuno Gomes… valeu a pena ficar a “aquecer” o banco na Roménia. Seria inevitável que regressaria em força e em categoria, é fundamental para o Benfica que consiga estar em forma no maior número de jogos possível. A sua veia goleadora será decisiva!
Não será justo destacar ninguém pela negativa – apesar de alguns erros individuais comprometedores, sensivelmente dos 40 aos 60 minutos –, porque toda a equipa exibiu-se em grande plano. Que seja sempre assim, principalmente quando houver deslocações.

”Paulinho das Feiras” volta a atacar!

Quanto a Paulo Paraty, mais do mesmo! Valeu tudo ao Paços na 2ª parte. Agarrões, estaladas, “paralíticas”, joelhadas, entradas a pés juntos… e parece que, neste Campeonato, só os jogadores do Benfica são justamente, repito justamente, amarelados por protestos. Depois do que vi em Leiria, onde insultos e até ameaças Elmano Santos sofreu, fico estupefacto como isto só acontece a alguns…
Edson, Mangualde e Paulo Sousa viram a expulsão perdoada por duplo amarelo, o último dos quais – que sai de campo com a folha limpa – por duas vezes! O juiz do Porto, felizmente, não teve influência no resultado mas era necessário ser tão óbvio?!

A rábula dos amarelos por pedir cartão nem vale a pena comentar, é apenas uma tentativa de obter protagonismo. E é verdade que houve algumas entradas duras de benfiquistas na 2ª parte, mas no meio da madeirada oferecida pelos pacenses, ninguém honesto poderá dizer que o excesso esteve do lado da equipa da casa.
Ainda estou para perceber qual a razão para o fiscal, do lado direito, ter marcado falta a Miccoli, com este isolado, quando é o defesa do Paços de Ferreira que agarra o braço do italiano. Era uma jogada de golo eminente, e também não percebo qual a necessidade de mostrar risinhos cúmplices, apesar da fraca dentadura, para com o chefe de equipa!
Lance limpo de Simão no 3-1, num bom trabalho dos auxiliares nesse capítulo. Segundo as regras do futebol, em linha não é fora-de-jogo, sabiam?

Se Nos Deixarem…

Mediante a qualidade dos futebóis apresentados ultimamente, o Benfica terá assegurado, pelo menos, o 2º lugar na tabela em 2006/07. Confesso estar algo céptico em relação à conquista do título, e por vários factores…
A falta de oportunidades dadas à 2ª linha do plantel destruiu por completo a mais-valia que alguns atletas poderiam dar à equipa nesta época. Karyaka já partiu para a Rússia, Paulo Jorge e João Coimbra jogam um minuto de cada vez, Mantorras passa vários jogos no banco ou na bancada, não há lateral-direito e central suplentes, e Miguelito, apesar de ter muita qualidade e polivalência, não joga há 3 meses – Marco Ferreira e Beto, obviamente, não contam… ou não devem contar. Ora, isto poderá complicar as aspirações da equipa caso apareça alguma lesão, ou castigo, no núcleo duro da equipa.
E já nem acentuo possíveis erros cometidos por Fernando Santos noutras vertentes técnico-tácticas!

Outra situação fulcral será o comportamento que a corrupção instalada há décadas terá com uma hipotética subida à liderança, nas próximas semanas, por parte do Benfica.
E por isso é fundamental estar especialmente atento – sim, Direcção e Equipa Técnica incluídas – aos próximos 3 jogos do Campeonato… não podemos pactuar com a perpetuação dos crimes que têm minado a Verdade Desportiva.
A nomeação de Jorge Sousa, do Porto, para o Aves-Benfica e de Olegário Benquerença, de Leiria, para o FC Porto-Braga causam-me enorme apreensão. Não só pelo longo historial de gamanço destes dois árbitros – recordo um golo que não contou e outro assistido com o cotovelo – mas também pelo facto de serem ambos arguidos no processo Apito Dourado.

A próxima jornada vai decidir muita coisa, assim como todas as outras jornadas até ao confronto do título marcado para a 23ª ronda. E estou curioso para saber quem vai substituir o fundamental Luisão!
Alguns falam em “contra tudo e contra todos”! Sim, deve ser… contra a honestidade e a justiça, claro! É de final em final mas há que ter fé, é preciso ressuscitar a Onda Vermelha!

NDR: Já andava para tomar esta iniciativa há mais de um ano e, em conversa com o Urra e com o Bakero, tomei a decisão de tentar partilhar as mais de 20 cassetes VHS que tenho com jogos, resumos e curiosidades do Sport Lisboa e Benfica.
Já tenho estado em fase de testes, atenção que é a primeira vez que entro no mundo da edição de vídeo, mas brevemente haverá novidades acerca de material com alguns anos de idade. Poborsky, João Vieira Pinto, Valdo e Michel Preud’Homme, entre outros, estarão presentes na maioria daquilo que apresentarei à comunidade benfiquista.
Será uma espécie de Memória Gloriosa em ponto muito pequeno e individual, a partilhar com vocês no Encarnados e no Mar Vermelho. Estejam atentos!

Podem ver o resumo do jogo aqui. Como sempre, o vídeo é a bS7.

Ficha de Jogo:

19ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Paulo Paraty (Porto)

SL BENFICA – Quim; Nélson, Luisão, Anderson e Léo; Katsouranis, Petit, Simão (João Coimbra, 90+2 m) e Karagounis (Derlei, 83 m); Fabrizio Miccoli e Nuno Gomes (Paulo Jorge, 90+2 m).

PAÇOS FERREIRA – Peçanha; Mangualde, Geraldo, Luiz Carlos e Antunes; Elias (Mojica, 82 m), Paulo Sousa e Fahel (Leanderson, 63 m); Edson, João Paulo e Cristiano (Ricardinho, 69 m).

Disciplina: Amarelos a Elias (9 m), Edson (20 m), Mangualde (23 m), Fahel (31 m), Luisão (49 m), Katsouranis (64 m), Luiz Carlos (65 m) e Ricardinho (82 m).

Golos: 1-0, Simão (8 m); 2-0, Nuno Gomes (33 m); 2-1, Fahel (45+1 m); 3-1, Simão (66 m).

#Fotos: Reuters e SerBenfiquista

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Curiosidade Mórbida!

Podemos considerar o Roubo do Ano, um jogo onde 4 de 5 golos são obtidos de forma irregular, ou é mais uma incontestável vitória da melhor equipa?

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Crónica Taça UEFA - "Chutar p'ra Canto!"


A dúvida baseava-se, essencialmente, em saber qual o Benfica que se iria apresentar em campo. Um Benfica apático, conformado e expectante, tendo em conta o resultado alcançado na Luz, ou por outro lado um Benfica pressionante, atento e eficaz. Ao fim ao cabo tivemos um pouco dos dois, em dois períodos de tempo distintos.
tínhamos visto o que valia este Dínamo – ou pelo menos tínhamos visto qualquer coisa – no confronto da Luz, e parecia evidente que um Benfica ao mais alto nível sairia de Bucareste com a eliminatória garantida… e quem sabe com a vitória!
Não é que os romenos sejam uma má equipa, porque não são – e até já se tinha tirado essa conclusão anteriormente –, mas, a bem da verdade, as individualidades do Benfica são de outro campeonato.

Na globalidade, e depois dos dois jogos, chegámos facilmente à conclusão que, em nenhuma circunstância, esteve comprometida a passagem do Benfica aos oitavos-de-final da Taça UEFA. Nem mesmo naqueles 25 minutos depois do golo de Munteanu, período onde o Benfica foi completamente dominado pelo adversário e onde houve muitas dificuldades para sair do meio-campo defensivo! Período tal, de maior apreensão e enervamento para nós adeptos… pelo menos para mim foi.
Depois de ameaçar, no final do 1º tempo, o Benfica impulsionou-se para a vitória com o espectacular golo de Anderson. Foi nesse cabeceamento estudado, poderoso e afirmativo, que o jogo se decidiu. Os visitados esmoreceram, já que só com um milagre garantiriam a qualificação, e impulsionou-se a tranquilidade necessária na equipa, para poder explanar toda a categoria individual e colectiva.

Fernando Santos, finalmente, optou por colocar Nuno Gomes no banco. O #21 é um jogador de qualidade, toda a gente o sabe, mas há que saber proteger os atletas quando as coisas estão a correr mal. E tendo em conta que há outras soluções, poucas é certo, aplaudo a decisão. Ganha a equipa e ganha o Nuno, que regressará com mais força e tranquilidade.
Mas a saída do sub-capitão colmatou-se com a entrada de um jogador que detesto, e não vale a pena voltar a ter a mesma conversa para justificar esse sentimento. Para além de todas essas razões de índole mais ou menos pessoal, o brasileiro está pesado, excessivamente lento, trapalhão e completamente desenquadrado com a realidade do clube e da própria equipa. Não estaria Mantorras mais capacitado?

Da Miséria à Classe

O início de jogo foi de má qualidade, com o Benfica sem chama e onde os jogadores do Dínamo apresentaram um excessivo nervosismo, claramente limitativo da sua capacidade futebolística. Esse nervosismo originou algumas perdas de bola potencialmente perigosas, perigo que nunca conseguiu ir mais além de uns fogachos individuais ou de Simão ou de Miccoli.
Foi num contra-ataque aos 10 minutos que, num três-para-um, o Benfica teve a primeira oportunidade para decidir a eliminatória. O lance acabou nas mãos do excelente Lobont e contribuiu para “acordar” os romenos. De uns primeiros minutos de expectativa e apatia – dos dois lados diga-se –, o Dínamo começou a empurrar o Benfica de forma evidente.

Sucederam-se alguns pontapés de canto e remates de longe, situações que anteviam o golo e que Quim safou, que acabou por acontecer e, na minha opinião, sem qualquer responsabilidade para a defesa encarnada. É um golo bonito, numa grande desmarcação após excelente passe.
A partir daí começaram os problemas mais graves, o Dínamo encostou e, apesar de um pouco trapalhões, não deixaram o Benfica sair para o contra-ataque. Quim, e a dupla de centrais, acabam por ser muito importantes nesse momento sufocante, apenas interrompido com alguns lances de bola parada de Simão.
Conseguindo suportar o ímpeto romeno com dificuldade, o Benfica acabou a 1ª parte em cima do adversário – a imposição no jogo é notável – tendo dois lances claros para empatar a contenda: Simão num remate de fora da área e Katsouranis num canto, ambos os lances parados com grandes defesas de Lobont.

Dando seguimento aos excelentes 5/7 minutos finais, a entrada na 2ª parte foi espectacular… e decisiva! O golo de Anderson estagnou por completo a parca “raiva” dos Red Dogs e impulsionou o Benfica para uma 2ª parte de grandíssima qualidade, claramente do melhor que já vimos deste Benfica 2006/07.
Sucederam-se as oportunidades de golo, com Simão e Miccoli em grande plano, e não foi por acaso que se deu a volta ao resultado… num golo típico de Katsouranis!
Com o 1-2 no placard, o Benfica manteve-se sempre em cima do adversário até ao final, sempre com o domínio de jogo, sempre com o golo a poder surgir a qualquer momento. Deu para Simão falhar um golo feito aos pés de Lobont, para Miccoli tentar um bonito com a bola a sair ao lado, e até Petit quase fazia um golo de bandeira, num estoiro de fora da área.
Com o resultado feito nem faltaram as substituições à Fernando Santos.

O regresso dos Cabeceadores

A nível individual, os destaques acabam por já ser recorrentes. Simão, Luisão e Petit impuseram-se como os melhores, havendo ainda notas muito positivas para a irreverância de Miccoli, para a segurança de Quim, e para Anderson e Katsouranis… dois dos três, juntamente com Luisão, grandes cabeceadores do plantel e que mostraram um “cheirinho” daquilo que de melhor já lhes vimos. O brasileiro esteve muito seguro e o grego imperial na circulação de bola.

Luisão teve importância fulcral naquele período mais complicado do Benfica. Não teve falhas, como é normal, e procurou incutir tranquilidade aos seus colegas, como sempre o faz! Voltou a ajudar Nélson e até teve um lance para marcar de cabeça, onde falhou por pouco. Confirma a grande forma e a grande categoria individual, um autêntico patrão.
O melhor marcador da Taça UEFA, em 180 minutos, teve uma única oportunidade para marcar… isso diz tudo! São jogadores assim, experientes internacionalmente, que garantem eliminatórias europeias.

Petit voltou a ter algumas dificuldades a entrar no jogo, e a equipa voltou a ressentir-se disso. Terá de ter a esmagadora parte do mérito no acordar do Benfica, foi através da garra e da determinação que o caracterizam que o controlo do jogo mudou de dono. Principalmente depois do golo do empate, é protagonista de 2 ou 3 cortes de grande espectáculo, um deles pelas costas, aos pés de Munteanu. Quase fazia o 1-3, num “míssil” bem ao seu estilo! Grande exibição, alguém sabe como se escreve Petit em romeno?

Começam a faltar palavras para elogiar a excelência do futebol de Simão Sabrosa.
Quando foi preciso pegar no jogo atacante foi Simão a assumir-se, quando foi preciso cobrar as bolas paradas foi Simão a responsabilizar-se, quando era preciso ou velocidade ou tranquilidade foi Simão a definir. Simão esteve em todo o lado, em todos os lances de ataque… foi, e é, o dínamo do Benfica!
Na ficha de jogo contam-se duas assistências, e também 3 golos falhados perante o gigante Lobont. O capitão foi, sem margem para dúvidas, o melhor em campo!

O equívoco Derlei

Desta vez não quero massacrar novamente o(s) mesmo(s) e faço apenas um breve comentário sobre Derlei. Já fui atacado por muitos benfiquistas pela forma castradora como analiso as prestações do #27, mas eu sou assim… and that’s the way it is! Tem de me mostrar muito para o conseguir, sequer, tolerar na equipa. Já fiz uma breve menção no início da crónica mas volto a dizer que, na Roménia, voltou a ser um corpo estranho. Tem um bom lance, ao isolar Simão, mas fora isso foi uma completa nulidade.
Sim, já sei, é muito batalhador e tal mas de batalhadores que jogam na frente de ataque do Benfica já estou eu cansado. Não dava para o deixar lá, assim tipo dizer-lhe que o voo era mais tarde?

Volto a dizer que, apesar de bom jogador e extremamente útil na manobra da equipa, enerva-me bastante a teimosia de Karagounis em continuar a segurar a bola demasiado tempo. Há que procurar soltar mais rápido, esse “empastamento” do jogo – propicio a perdas de bola comprometedoras – não beneficia nada a equipa!

Queimando Tempo… e um Plantel

No que diz respeito ao trabalho de Fernando Santos, e depois de uma bela vitória fora de casa, há pouca margem para criticar. Ou, pelo menos, haverá pouca tolerância para ouvir aqueles que se assumem como acérrimos críticos do seu trabalho, como eu. Terá mérito na tal “conversa” ao intervalo, mas insiste nas alterações depois dos 80 minutos.
Não há explicação para isso, é perfeitamente incompreensível. É rezar para o cansaço não se tornar inibitório na parte decisiva da época. E Beto porquê? Tudo menos o Beto!

Serenidade Nórdica

Da Dinamarca apareceu uma arbitragem tranquila e quase imaculada. Nicolai Vollquartz não terá tido grandes lances para decidir mas, quando eles apareceram, mostrou categoria. Ao amarelar Danciulescu, por simulação grosseira de um penalty, mostrou que não se iria afectar pelo difícil ambiente. Não o conhecia, e parecia ser fisicamente “gasto” para o cargo, mas mostrou o contrário. Sempre muito perto dos lances, e rigoroso na sua análise!
Imperial, também, o trabalho dos árbitros auxiliares no capítulo do fora-de-jogo.

Paris é Nossa, e Há-de Ser

E pronto, já se sabe que a próxima eliminatória será uma bela oportunidade para os emigrantes matarem saudades. Será que, novamente, será batido o recorde de assistência forasteira nas competições da UEFA? Em Saint-Dennis estiveram 40 mil portugueses, naquela horrível exibição com o Lille, quantos estarão no Parque dos Príncipes?
A oportunidade é muito boa, quer para os portugueses que poderão ver o seu clube de perto, mas também é uma grande oportunidade para o Benfica garantir, pelo 2º ano consecutivo, os quartos-de-final de uma prova da UEFA.
Será importante fazer um golo em solo gaulês! O PSG está perfeitamente ao alcance, depois de ir à Cidade Luz, há que decidir na Luz.

NDR: Não vejo necessidade de retirarem o vosso dinheiro da Caixa Geral de Depósitos... como fizeram tantos sportinguistas aquando da fundação da Caixa Futebol Campus. Sempre quero ver qual a atitude de algumas "personagens", que cheias de raiva e ódio se insurgiram contra os "benfiquistas" do Conselho de Administração da CGD. Seguindo uma atitude de coerência, que obviamente não têm, deveriam engolir um sapo e enfiar a viola no saco.
Mas não digo para terem vergonha disto, porque acho perfeitamente legítimo uma empresa, mesmo que pública, investir o seu orçamento de publicidade onde bem entender. Como já o tinha dito antes!
Mas depois do que tive de ouvir, há uns tempos atrás, não me vou calar: como é, malta lagarta que nos lê, agora vão voltar a meter lá a “guita” ou continuam sob protesto?

Podem ver o resumo do jogo aqui. A autora do magnífico vídeo é a bS7.

Ficha de Jogo:

2ª mão dos desasseis-avos-de-final da Taça UEFA

Dínamo Stadium, em Bucareste

Árbitro: Nicolai Vollquartz (Dinamarca)

DINAMO BUCURESTI – Bogdan Lobont; Blay, Moti, Radu e Pulhac; Margaritescu, Serban (Balace, ao int.), Catalin Munteanu (Mendy, 58 m) e Cristea (Zé Kalanga, 76 m); Danciulescu e Niculescu.

SL BENFICA – Quim; Nélson, Luisão, Anderson e Léo; Petit, Katsouranis (Beto, 89 m), Simão e Karagounis; Fabrizio Miccoli (Nuno Gomes, 76 m) e Derlei (Paulo Jorge, 86 m).

Disciplina: Amarelos a Moti (21 m) e Danciulescu (34 m).

Golos: 1-0, Munteanu (23 m); 1-1, Anderson (50 m); 1-2, (Katsouranis, 64 m).

(O Benfica qualifica-se para os oitavos-de-final da Taça UEFA, com o agregado de 3-1, onde vai defrontar o PSG de Pauleta)

#Fotos: AFP-Getty Images, Reuters e Site Oficial

#adicionado a Crónicas 06/07

#publicado em simultâneo com o Encarnados