domingo, fevereiro 19, 2006

Crónica 23ª Jornada - Mr. Nonsense and his freakshow!!


Uma boa entrada do Benfica num ciclo infernal que decidiria quais as oportunidades de conquista de títulos afigurava-se para este jogo como fundamental. Não só seria importante uma vitória como também moralizar as “tropas” para o confronto de Terça-Feira com o Liverpool e de Sábado com o FC Porto.

Um dos primeiros receios que tive, em sequência das "manobras" do recente Marítimo-Guimarães, seria a eventual elevada moralização dos jogadores vitorianos no sentido de tentar conseguir a complicada manutenção na 1ª Liga Portuguesa. É um facto que o Vitória tem um conjunto de jogadores de elevado valor – talvez até para nível europeu – mas nos últimos anos são mais as manutenções complicadas e à última da hora do que os campeonatos tranquilos. Como se sabe, no confronto com o SLB, são inúmeros os casos de “agigantação” dos adversários coincidindo o referido confronto com a melhor exibição da época. Infelizmente o que descrevi foi um facto do jogo.

O segundo receio estava relacionado com o estado do relvado do Estádio D. Afonso Henriques em virtude do temporal que se avizinhou no dia de hoje em todo o país. Se o futebol do Benfica tem por base um elevado pendor técnico, a ausência de condições para explanar no campo essas mesmas características poder-se-ia revelar um desastre. Facto que, também, se veio a confirmar.

E para não variar, o pensamento de que Ronald Koeman poderia, de novo, inventar em grande escala remetia-me ao silêncio no que diz respeito ao prognóstico para a partida.

Infelizmente tudo aquilo que temia que acontecesse, aconteceu de facto e aliando esses 3 factores a uma exibição paupérrima de alguns jogadores – mais uma – a vitória foi apenas uma miragem longínqua num deserto de ideias.


Mais uma vez o treinador benfiquista fez uma reformulação no onze – para quando a estabilidade?! – retirando inúmeros titulares da última partida

Por si só meter o Marco Ferreira a titular com o Manduca no banco aliado ao facto de só se ter percebido de mais um erro monumental e vergonhoso aos 66 minutos – depois de uma exibição do pior que já vi num jogador ao serviço do Benfica – deveria dar despedimento directo.

Se já não bastam os constantes equívocos técnicos, as suas declarações não abonam nada em seu favor. Demonstra sempre grande descrença na equipa e nos jogadores de forma individual. Não há que transparecer sobranceria mas um pouco mais de fé do maior responsável pela equipa é sempre positivo.

Outra coisa que me desagrada – e já com Trappatoni era igual – é o facto de muito raramente fazer todas as alterações possíveis durante o jogo. O banco do Benfica é muito bom e há que tirar partido dele de forma eficaz. Não o fazer é limitar a performance da equipa.

Sendo assim, o Benfica entrou pessimamente no jogo – para não variar – e deixou ao Vitória o controlo completo da partida. Sofreu um golo na 1ª parte e poderia ter sofrido mais – Moretto esteve muito bem – e só quando se viu a perdeu deu um “ar de sua graça”. É inadmissível que a equipa não entre forte no jogo, parece ter pouca vontade em vencer e só quando sofre um revês é que acorda para a realidade. Rematar pela primeira vez quase aos 40 minutos é vergonhoso para um candidato ao título ainda para mais tendo em conta que foi num lance de bola parada. É verdade que o golo surge de forma fortuita – num remate a quase 40 metros!!! – mas já tenho vindo a “alertar” para a inexistente cobertura dos médios a remates de longe.

A perder ao intervalo é inacreditável que o treinador não faça uma única alteração no 11, assim é dar toda a vantagem ao adversário. A 2ª parte foi um pouco melhor do que a 1ª, ainda assim, a normal fraca finalização - juntamente com novos erros defensivos individuais - ditou o resultado final.

As constantes falhas de energia na minha zona impossibilitaram que pudesse ver o jogo como desejava e nalguns momentos apenas através do rádio segui as incidências de jogo. Deu, no entanto, para perceber a fraca resposta do Benfica e a constante desorientação quer dos jogadores, quer de Koeman. É pena que fique a sensação que um Benfica de nível médio chegaria para vencer em Guimarães.


Individualmente e como melhores em campo por parte do Benfica destaco Moretto e Petit.

O guarda-redes benfiquista foi a dada altura, o grande responsável pelo facto do resultado não se alterar através de duas brilhantes defesas. Fora isso não teve grande trabalho mas é indiscutível que não tem culpa nos golos sofridos pela equipa. Parece estar no seu melhor momento desde que chegou ao clube, infelizmente a série de resultados não o tem ajudado a consolidar-se como uma das figuras do Benfica.

Quanto a Petit poder-se-á dizer que mantém sempre o seu nível. É raro vê-lo a jogar mal e foi hoje, como sempre, um dos grandes impulsionadores do Benfica. Infelizmente não teve a ajuda que se ajustava e muitas das vezes conduzia sozinho e quase por completo as iniciativas atacantes. Teve nos seus pés o melhor momento do Benfica de todo o jogo com um remate fantástico na sequência de um livre directo, parado por uma não menos brilhante defesa do guardião Nilson – na minha opinião, um dos piores da Liga mas que hoje, para não variar, esteve bem.

Em bom nível exibiram-se também Luisão, Simão e Léo.
O central brasileiro cotou-se entre os melhores e durante o jogo todo só se poderá apontar uma falha de marcação - que infelizmente até resultou no 2º golo - mas esteve impecável nos restantes lances. Secou por completo o polaco Saganowsky e ainda fez uma grande assistência para Marcel fazer, irregularmente, um golo. Voltou à tranquilidade que lhe era característica.


Num terreno muito pesado é normal que Léo e Simão tenham algumas dificuldades em explanar todo o seu futebol e também por isso as suas exibições equivalem-se bastante. Estiveram seguros a defender – e Simão fê-lo bastante bem, impressionou-me – e algo inconsequentes a nível ofensivo. No entanto, é dos pés deles que saíram as melhores jogadas do Benfica no que diz respeito ao ataque. A única crítica que tenho a apontar a Léo é o facto de, por vezes, procurar cair em falta ao invés de tentar em esforço algo mais de uma determinada jogada. Terá de melhorar esse aspecto.

Dos restantes jogadores foi tudo mau. Alguns estiveram mesmo muito mal.
Marco Ferreira esteve um verdadeiro desastre. A um extremo-direito do Benfica exige-se velocidade, técnica, sentido posicional e de desmarcação aliado se possível a um bom sentido de baliza. De Marco Ferreira apenas vi fintas a ele próprio, passes para trás e perdas de bola infantis. Mas isso sou eu, se calhar sou demasiado exigente! Se não entendo a contratação como é possível entender a titularidade?!

Manuel Fernandes e Nuno Gomes estiveram inexistentes com constantes erros na sua posição. O 1º talvez se tenha “poupado” e voltou a falhar defensivamente e no capítulo do passe enquanto que o segundo esteve verdadeiramente desastrado. Este tipo de campos não é o mais indicado para o futebol técnico de Nuno Gomes.
Com erros comprometedores estiveram Ricardo Rocha e Nélson - 1º e 2º golo respectivamente. Destacaram-se, ainda, por várias entradas demasiado “à queima” e por inexistente sentido atacante.

Marcel mais uma vez não existiu – não fez um único remate à baliza de forma legal – e os 2 suplentes que entraram já o fizeram bastante tarde para que pudessem fazer algo pela equipa. Aliás, Manduca e Karagounis, na minha opinião, deveriam ter sido titulares principalmente o grego em virtude do seu forte sentido de posse de bola necessário neste tipo de jogos.

No que diz respeito à arbitragem do sempre ignóbil Lucílio Baptista digo já que dos 4 penaltys “reclamados”, na minha opinião, não existe nenhum. No sobre Ricardo Rocha não existe, sequer, toque no jogador. No de Marcel a haver falta – que não me parece que exista – o lance começa fora da área. Na mão na bola de Geromel também não me parece que seja propositado e no mais polémico, o de Léo, parece-me que o contacto existente não é suficiente para que seja assinalada falta.

No entanto, a prestação do juiz de Setúbal não fica por aqui. Se bem que analisando a contagem de amarelos o Vitória fique bem na frente do Benfica, a atitude de Lucílio foi durante todo o jogo um manifesto contra-senso no capítulo técnico. Já me parece comum o constante corte de jogadas perigosas – principalmente na segunda parte – mas o elevado número de faltas não assinaladas ou marcadas ao contrário é surreal.

Esteve, efectivamente, bem ao mostrar apenas o amarelo a Cléber no lance em que o brasileiro abalroa Nuno Gomes já que o lateral direito vimaranense estava relativamente perto da jogada. É, no entanto, discutível o porquê do capitão do Vitória ter ficado em campo o jogo todo com a quantidade descomunal de "pau" que deu – e que já nem sequer deveria ter jogado em virtude da expulsão perdoada no célebre Marítimo-Guimarães.

Acrescento ainda que trabalho dos auxiliares foi bastante bom e em destaque a correctíssima invalidação do golo de Marcel por claro fora-de-jogo.


Em jeito de conclusão final e após a 6ª derrota na Liga – a 3ª nos últimos 4 jogos – deixo o meu completo descrédito na revalidação do título. Apenas uma vitória sobre o FC Porto trará alguma réstia de esperança na conquista desse objectivo e em caso de os 3 pontos não serem conquistados o Campeonato acaba definitivamente no Sábado que aí vem – pelo menos no que diz respeito ao que interessa aos benfiquistas.

É profundamente deprimente que com um plantel desta qualidade não se conquiste o título por erros de casting inacreditáveis. Parece-me inclusive que os reforços de Janeiro não trouxeram nada de positivo ao clube antes pelo contrário – pelo menos até agora – nem que seja pela destruição completa de um extraordinário balneário.

E já agora: Tentem o Camacho, por favor, e ontem.


NDR: O “SLB, SLB, Filhos da P*ta SLB!" e o ”Em cada lampião, há um c*brão!” ouvidos em grande tom na maior parte do jogo demonstram a verborreia mental da maior parte dos adeptos do Vitória. Qual a necessidade de insultar as pessoas, que mal é que os benfiquistas lhe fizeram? É isto que pretende demonstrar a “grande massa adepta” do Vitória? Faço votos para que vão para o lugar que merecem, exactamente: “Prá Segunda!”.



Ficha do Jogo:

23ª Jornada da Liga Portuguesa

Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães

Árbitro: Lucílio Baptista (AF Setúbal)

VITÓRIA SC DE GUIMARÃES: Nilson; Vítor Moreno, Geromel, Cléber e Paíto; Flávio Meireles e Svard (Moreno, 53 m); Neca, Benachour (Dário, 81 m) e Wesley (Otacílio, 46 m); Saganowski;

SL BENFICA: Moretto; Nélson, Luisão, Ricardo Rocha e Léo; Petit e Manuel Fernandes(Karagounis, 76 m); Marco Ferreira (Manduca, 66 m), Nuno Gomes e Simão Sabrosa; Marcel;

Disciplina: Amarelo para Nélson (12 m), Neca (14 m), Benachour (31 m), Paíto (40 m), Cléber (42 m), Flávio Meireles (70 m), Nilson (74 m) e Otacílio (88 m);

Golos: 1-0, Svard aos 22 m; 2-0, Neca aos 71 m;

#publicado em simultâneo com os Encarnados