quarta-feira, novembro 28, 2007

Crónica Fase Grupos Liga Campeões - Um Maxi Benfica!

A história dizia que já várias vezes o Milan espetou a farpa ao Benfica, duas delas em Finais da Taça dos Campeões. Com os italianos em mau momento no Campeonato, e com um Benfica em fase de enorme crescimento, seria de esperar uma grande oportunidade para vencer o actual Campeão Europeu. O problema é que o Milan da Série A não é o mesmo Milan da Champions League, para melhor. O Benfica entrou em campo de forma desastrada, nervosa, trapalhona e os italianos aproveitaram para mandar no jogo, criar várias oportunidades e… marcar. Nada surpreendente, claro está, tendo em conta a qualidade intrínseca da equipa milanesa. Reparem em Nesta, Seedorf, Gatusso, Gilardino e Pirlo, o patrão, que faz um golo soberbo. Fantásticos, não são?

Camacho optou pela equipa mais óbvia, o seu 4-2-3-1, sendo Nuno Gomes o único avançado de raiz. Cristián Rodríguez, Maxi Pereira e Petit regressaram ao 11, e formaram aquela que me parece ser, no momento, a melhor equipa possível do Benfica 2007/08. Luís Filipe à parte, evidentemente. A mecanização deste 11 parece-me bastante positiva, sendo que a reacção ao golo adversário foi quase imediata. E o que dizer da obra-prima de Maxi Pereira? O uruguaio até já tinha tentado algo do género anteriormente, mas saiu muito mal, e com aquele remate genial consegue obter um dos melhores golos da jornada europeia e, consequentemente, um dos melhores já marcados esta época, no palco da Luz. O golo uruguaio, esplendoroso, galvanizou o Benfica e atirou a equipa para uma restante primeira parte de grande qualidade. Acredito que o Milan também tenha optado por uma posição de maior prudência, mas isso não invalida a excelente exibição da equipa da casa.

Kaká foi, sempre, o jogador mais em foco do adversário. Não por ter feito uma magnífica exibição, porque isso até não aconteceu, mas porque o Benfica não tem nenhum jogador com um pique que dê para o acompanhar em velocidade. Luís Filipe foi autenticamente trucidado pela velocidade e técnica estonteantes do brasileiro e, só com a ajuda de Petit, Luisão e David Luiz – todos com exibições de alto quilate –, foi possível aguentar o genial brasileiro. Atrevo-me a dizer que com um Rodríguez ao seu nível, o Benfica teria saído vencedor da partida. O brilho uruguaio, ao contrário do que tem sido habitual, esteve todo do lado do colega menos categorizado. Maxi Pereira fez uma exibição verdadeiramente espantosa, e não o foi só pelo genial golo já mencionado. Veloz, desembaraçado, acutilante e, principalmente, com uma raça bem ao estilo sul-americano. A sua exibição teria sido de sonho, caso tivesse conseguido o 2-1, a roçar o intervalo, após assistência primorosa de Nuno Gomes.

E o capitão também esteve em bom plano, respondendo na mesma moeda ao seu colega, num remate em rotação depois de um grande trabalho do #14. Estávamos já na 2ª parte e foi essa a melhor oportunidade de golo encarnada, nesse período. O Milan, nos minutos finais, mostrou o tal cinismo italiano mas Quim, e a defesa, controlaram tudo com maior ou menor dificuldade. O problema deste Benfica, e que está directamente relacionado com a pouca produtividade das unidades atacantes, mantém-se na finalização. Nuno Gomes, já sabemos, não é o tal finalizador, Cardozo tem sido quase uma nulidade, Mantorras desapareceu e Bergessio não me parece ser jogador com qualidade para cá estar. Yu Dabao ainda está verde. O Benfica continua com um deficit gritante na hora de empurrar as bolas para a baliza e isso, contra estas equipas, paga-se caro.

Camacho arriscou com as substituições mas Cardozo e Di María nunca apresentaram futebol de bom nível e Adu, na minha opinião, terá entrado demasiado tarde. Boa arbitragem de Herbert Fandel, mas com algumas decisões incompreensíveis, embora sem erros em lances capitais. Bom trabalho da equipa auxiliar, apenas com um erro num fora-de-jogo de Nuno Gomes. O empate final, ao fim ao cabo, acaba por ser algo injusto e ainda mais se torna quando significa o afastamento prematuro da Champions League. Mas é verdade que não foi aqui que o Benfica esteve mal, mas sim na derrota em casa com o Shaktar e, porventura, no desaire na Escócia. Complicado será garantir o apuramento para a UEFA na Ucrânia, algo que só um grande Benfica terá possibilidade. Mas, para já, há que repetir, no Sábado, a humilhação que o FC Porto sofreu em Liverpool. Pois, ganhar na terra dos Beatles não é para todos!

NDR: Resposta de Léo, de luva branca, aos detractores. Grande jogo do "Maradoninha", urge renovar-lhe o contrato! É precisamente este erro clamoroso que falta a esta Direcção, para que a sua Gestão Desportiva se confirme um perfeito desastre.





Ficha do Jogo:

5ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha)

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe (Di María, 74 m), Luisão, David Luiz (Freddy Adu, 87 m) e Léo; Petit e Katsouranis; Maxi Pereira, Rui Costa e Cristián Rodríguez; Nuno Gomes (Óscar Cardozo, 74 m).

AC MILAN: Dida; Bonera, Alessandro Nesta, Kaladze e Serginho (Paolo Maldini, ao int.); Brocchi, Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso (Gourcuff, 50 m); Clarence Seedorf (Massimo Oddo, 72 m), Gilardino e Kaká.

Disciplina: Amarelos a Kaladze (36 m), Serginho (40 m), Petit (67 m) e Maldini (79 m).

Golos: 0-1, Pirlo (14 m); 1-1, Maxi Pereira (19 m).


#Fotos: AFP-Getty Images

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#Video: BenficaTVdotcom

terça-feira, novembro 27, 2007

Miguel Sousa Tavares

"Nunca vi tanta sorte como no Benfica". (27/11/07)

Nunca vi tanta corrupcao como no Porto. (1981-2007)

O Zborting de Paulo Bento

Paulo Bento, grande socio do Ben... treinador (?) do Sporting veio hoje dizer para desfrutar ao maximo do jogo em Old Trafford. Seja feita a sua vontade, caro Ben...to.

Se o Cristiano Ronaldo marcar outra vez posso rir? Baixinho, prometo.

domingo, novembro 25, 2007

Crónica 11ª Jornada - Tenham Paciência!


Recordo-me da grande exibição de Quim e do tremendo massacre que o Benfica levou, em Coimbra, na temporada passada. Este ano tal não sucedeu mas, felizmente, a vitória também acabou por aparecer. A justiça da mesma não me parece discutível, apesar de aparecer de forma tardia e na sequência de erros individuais do adversário. O Benfica entrou muito bem no jogo, de forma mandona, e criou várias oportunidades para fazer golo. O problema da finalização ainda persiste, evidentemente. A Académica acabou por marcar um golo de um livre a punir uma falta inexistente e através de um falhanço anedótico, mais um, de Luís Filipe. Recordando Paços de Ferreira, porque é que ninguém fala nisto? Estranho? Claro que não, é a habitual hipocrisia de quem não tem moral para falar de arbitragem. A destacar do jogo em Coimbra está uma das melhores exibições da época, de Rui Costa. Não há palavras para quantificar a classe, e o perfume de futebol, deste senhor. Foi ver... e degustar com muito prazer! Confesso que não me agradou a possibilidade de ser ele a marcar o livre onde faz golo, visto que tem sido ele a fazê-lo noutros jogos e as coisas não têm saído bem. A concretização do tento é prémio justo para quem tem mostrado que “velhos são os trapos”.

Não gostei das opções de banco de hoje, nem de Nuno Assis a titular, nem da insistente aposta naquele #2 "que eu não sei quem é". Mas resultou e, assim, deixo a minha vénia a José Antonio Camacho por reerguer este Benfica, numa real luta pelo título. Apesar disso, a equipa pareceu-me um pouco desorganizada, após a saída por lesão do #25, com Cardozo encostado à linha em regime de precaução de lesões. Incrivelmente, o Benfica tem de ter sempre um avançado massacrado impunemente pelos adversários. Já foi Eusébio, já foi Magnusson, já foi Rui Águas, já foi Mantorras, já foi Sokota, agora é a vez do paraguaio. Impressionante, também, a performance de David Luiz, um autêntico mini Mozer com um futuro muito largo. Tem tudo do seu compatriota, ex-craque da mesma posição: forte no jogo aéreo, grande velocidade, sentido de marcação imperial, duro quando é preciso e um talento enorme para sair a jogar com a bola controlada. Tem, também, algo daquela pontinha de irreverência e dureza excessiva do “irmão” mais velho. E pela primeira vez, um “cantamento“ de Binya resulta em golo… e que golo de Luisão! É preciso haver muito talento e lucidez para conseguir concretizar, de calcanhar, uma bola perdida. Os minutos finais de Adu já se começam a tornar míticos. O americano tem uma espécie de aura inexplicável, bem ao estilo de Mantorras. Saúdo, de forma veemente, o regresso de Petit!

Mais um penalty que ficou por marcar a favor do Benfica, por entrada dura sobre Nuno Assis. Já vai no 6º em 11 jogos, belo “trabalhinho” de Olegário Benquerença mas que, felizmente, não teve influência no resultado. E lembram-se disto? Vencer nos minutos finais já se torna um hábito deste Benfica de Camacho, e não tem menos sabor por ter uma pequena ajuda de Domingos. Vêm aí dois grandes jogos, com o colosso Milan e o FC Porto, que, na minha opinião, definirão aquilo que o Benfica fará na restante temporada. Não será necessário dizer que só a vitória interessa, mas a verdade desportiva já começa a ser desvirtuada. Nada de novo, não é? Será fundamental encher o Estádio da Luz, sendo que o regresso à titularidade de Petit e Cristián Rodríguez fazem-me acreditar no sucesso. Estou muito curioso para saber quem irá apitar o classico!

NDR: Algo preocupante constatar o tempo que tem demorado a renovar contrato com Léo. "Correr" com as referências, com os que têm mística e experiência, para ir buscar desconhecidos como Miguelito? Qual é o problema de Léo renovar por vários anos e, mais no fim da carreira, tornar-se um bom suplente e “professor” dos jovens? Não foi assim com o Veloso, e outros? Ainda por cima nem sequer há alternativa a Léo, quanto mais sem ele. Incomoda-me esta sede benfiquista de renovação, de esquecimento das glórias, da relativização do trabalho de quem nos representa com afinco e capacidade, de vazio de mística. Irá acontecer o mesmo com Petit, já acontece com Nuno Gomes e, porventura, já se nota um pouquinho com Rui Costa. A mística é para lá estar, nem que seja no banco. Enfim, são os tempos modernos do Benfica!

Podem ver o resumo do jogo, aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

11ª Jornada da Liga BWin

Estádio Cidade de Coimbra, em Coimbra

Árbitro: Olegário Benquerença (AF Leiria)

ACADÉMICA: Ricardo; Nuno Piloto, Litos, Kaká e Pedro Costa; Paulo Sérgio e Pavlovic (Hélder Barbosa, 88 m); Lito, N´Doye e Ivanildo (Miguel Pedro, ao int.); Vouho (Joeano, 59 m).

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe, Luisão, David Luiz e Léo; Katsouranis (Petit, 60 m) e Binya; Nuno Assis (Cardozo, 10 m), Rui Costa e DI María; Nuno Gomes (Freddy Adu, 62 m).

Disciplina: Amarelos a Katsouranis (41 m), Vouho (47 m), Luisão (64 m), Paulo Sérgio (75 m), N´Doye (77 m) e Ricardo (80 m).

Golos: 1-0, Lito (24 m); 1-1, Rui Costa (33 m); 1-2, Luisão (85 m); 1-3, Freddy Adu (90+3 m).

#Fotos: AFP-Getty Images e Record

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domingo, novembro 11, 2007

Crónica 10ª Jornada - "Há Coisas Fantásticas, Não Há?!"

Certamente que a maioria até nem estava à espera, eu confesso que não estava, mas foi um daqueles fins-de-semana onde o sorriso começa no final da Sexta-Feira, e só acaba no Domingo. Futebolisticamente, melhor seria muito difícil: grande cabazada ao Boavista e com nova exibição de luxo de Cristián Rodríguez, derrota humilhante do Sporting em Braga e um inesperado empate do FC Porto na Amadora, onde até chegou a ter dois golos de avanço. Isto, claro, contando com os tais 4-2 dos prodigiosos, e invictos, miúdos do Seixal. O que queriam mais?! A nível desportivo há, ainda, a destacar a indiscutível vitória frente ao FC Porto, em Andebol, e sobre o Valongo, em Hóquei em Patins. Com a equipa de Futsal sem competir devido ao Euro 2007, e a de Basquetebol fora da Liga Profissional, só a equipa de Voleibol baqueou, frente ao Sporting de Espinho, naquele que foi um disputadíssimo confronto de líderes. E foi por muito pouco que não se conseguiu o pleno!

O jogo frente ao Boavista foi, desde já, uma grande partida de futebol. Uma das melhores que vi este ano, sem dúvida. O Boavista bateu-se bastante bem, principalmente na 1ª parte, e, apesar de muito mal classificado, valorizou a goleada do Benfica. O Benfica até entrou mal na partida, permitindo o controlo de jogo ao adversário e sofrendo alguns sustos perante a velocidade estonteante do célebre Mateus, que não tem só nome, e os remates perigosos de Jorge Ribeiro. Com a indiscutível dupla de avançados, Cardozo e Nuno Gomes, algo apática, o Benfica apostava na classe de Cristián Rodríguez e nos passes longos de Rui Costa. Léo teve bastantes dificuldades perante Zé Kalanga, tal como Luís Filipe perante Mateus, e, como Binya se mostrou claramente afectado pela polémica sobre o seu comportamento em Glasgow, a equipa teve algumas dificuldades no sector defensivo. Katsouranis fez mais um grande jogo mas o poder físico do meio-campo do Boavista, e a confrangedora inoperância da dupla da ala direita encarnada, complicou bastante a tarefa da equipa da casa.

O primeiro golo acaba por surgir de forma algo fortuita, e na primeira grande oportunidade de golo para o Benfica. Nuno Gomes com a tabelinha, Rui Costa com a finta deliciosa e o passe açucarado, e Cardozo com a finalização de classe. Os 3 craques a fazerem aquilo que se lhes pede… um golo para a enciclopédia da Luz! Se tudo indicava que se poderia partir para um jogo tranquilo, saiu tudo ao contrário. O Boavista puxou dos galões e tem 3 ou 4 grandes oportunidades para fazer a igualdade, respondendo o Benfica com um cabeceamento perigosíssimo de Luisão. De verdadeiramente anedótico fica aquele lance onde Luís Filipe tenta ganhar um canto e entrega a bola a Mateus, que por pouco não consegue encontrar Fary, para o empate.

Depois de um golpe de peixe de Nuno Gomes, um pouco ao lado e a abrir a 2ª parte, é Zé Kalanga que acaba por ter influência directa no resto do jogo. Comete uma falta disparatada sobre Léo, já tendo amarelo por um protesto caricato, e é expulso inevitavelmente. Não adianta Jaime Pacheco vir com a história das velinhas porque, para além de ter sido beneficiado nalguns lances do jogo, a expulsão do angolano é clara. Mesmo com 10 jogadores, em novo disparate de Luís Filipe, o Boavista empata o jogo num grande golo de Jorge Ribeiro, após sprint de 40 metros de Mateus. O Benfica “acordou” de imediato e, apenas 3 minutos depois, Léo constrói o bonito golo de estreia de Maxi Pereira. Aqui, sentiu-se claramente que o Benfica iria vencer a partida. Sentimento reforçado com o 3-1, de Rodríguez, 4 minutos depois. Com o vencedor encontrado, o Boavista até chegou a acertar no poste, deu-se um massacre encarnado e mais 3 golos acabaram por destruir a defesa do Boavista.

A nível individual o destaque vai, obviamente, para Cristián Rodríguez: uma assistência para golo, um penalty ganho, e um golo marcado, é o pecúlio do uruguaio. É um jogador que caiu logo no goto, em virtude da sua velocidade, raça, e técnica individual. É um daqueles craques à Benfica, que dão aquela pontinha de qualidade extra à equipa. É urgente encontrar uma solução para adquirir o seu passe pois, neste momento, é o jogador do Benfica que mais brilha. Tem um Futebol que faz lembrar o de António Pacheco. Mas não é pelo bonito golo que Maxi Pereira passa a ser um jogador de grande qualidade. Quanto a mim, esta equipa tem dois elementos que estão a mais, independentemente da posição que ocupam: Luís Filipe, o mais óbvio, e Maxi Pereira. Nesse aspecto estou em desacordo com Camacho. Maxi Pereira como lateral é tão mau como Luís Filipe, ou talvez pior porque é mais baixo e não tem jogo de cabeça. A lesão de Nélson tem condicionado a ala direita, é verdade, mas para extremo não há ninguém.

Notas muito positivas, também, para Rui Costa e Nuno Gome. O capitão do Benfica está em excelente forma e já conta 5 golos no Campeonato. Curiosamente já tem mais golos que Liedson e, não contando com os 4 tentos irregulares de Lisandro, até lideraria a tabela dos melhores marcadores. Quem diria, no início de época? Léo e Katsouranis continuam em alta, mesmo tendo em conta aquela perda de bola do grego que quase dava um golo ao adversário. Compreendo porque foi dada a oportunidade, para marcar o penalty, a Bergessio. Infelizmente, o que poderia ser um bom momento vai ainda piorar as coisas. Boa entrada em campo de Di Maria.

Em relação à arbitragem, infelizmente, há muito para escrever. Paulo Paraty é, indiscutivelmente, um péssimo árbitro e mais uma vez cometeu erros em catadupa. Algo caricatos, os últimos 10 minutos da 1ª parte, onde, sem exagero, ficaram por assinalar umas 4 faltas laterais a favor do Benfica. Nada de grave, no entanto, mas deu para irritar. Lances capitais houve muitos, nem todos com o juízo correcto. Na 1ª parte há 3 lances para possível penalty, que não me parecem existir. O primeiro é uma jogada dividida entre Rodríguez e Rissut, com o brasileiro a cair na área do Benfica mas de forma muito forçada. A tal mão na bola de Ricardo Silva, após um ressalto de bola, não me parece faltosa e ainda há um agarrão mútuo, antes de uma bola parada, entre Luís Filipe e Fary. O locutor da SportTV diz que é falta mas esqueceu-se de ver a mão de Fary na camisola do lateral do Benfica. Nada de novo, portanto.

Muito se falou na entrada de Katsouranis que lesionou Anderson mas, neste jogo, houve duas entradas muito piores e uma delas até incapacitou Óscar Cardozo: Rissut em Katsouranis, e o grego até ficou no chão a ser assistido, e Ricardo Silva no paraguaio. Na 1ª nem foi assinalada falta, e faltou o amarelo, enquanto que na 2ª só poderia sair o cartão vermelho e nunca a "lei da vantagem". Os dois penaltys, a favor do Benfica, parecem-me bem assinalados mas será que a cor do cartão foi a correcta? Marcelão agarrou Nuno Gomes e era o último defesa, Jehle não fez o mesmo que Quim contra o Marítimo? Pois, talvez houvessem defesas por perto mas Rodríguez estava a três metros da baliza. Passou despercebido, mas Fleurival agarrou Rui Costa na jogada que dá o 3-1, de cabeça, a Cristián Rodríguez. Não deveria ter sido mostrado um cartão ao jogador boavisteiro? E dá-se a lei da vantagem dentro da área? Não há falta de Luís Filipe sobre Edgar antes do 5-1, de Nuno Gomes, as imagens televisivas são claras.

A Camacho os críticos só têm que lhe dar mais algum tempo de tolerância, tendo em conta todas as contrariedades que encontrou no seu regresso. Ainda por cima sem os 3 melhores jogadores do 3º lugar da temporada passada, a condicionarem a qualidade da equipa. O que mais tenho gostado neste Benfica 2007/08, ao contrário do que era normal no Benfica de Fernando Santos, é dos minutos finais das partidas. Não só há mais raça e mais vontade, à Camacho, como fisicamente se está muito melhor. E isso também tem a ver com o novo Preparador Físico, obviamente. Mas e que tal recordar o que se disse quando o Benfica foi empatar a Braga? O que não deixou de ser um bom resultado, como se sabe. Pois, o Sporting acabou por encaixar a mesma chapa 3 que o Benfica lá tinha levado com Fernando Santos. São estas pequenas/grandes coisas!

Tão bom quanto esta jornada de Liga acaba por ser a paragem para os dois jogos da Selecção. Nada melhor do que sair de cena quando se está no topo, deixando os outros a pensar nos seus desaires. Como já disse algumas vezes, o importante será conseguir manter a distância para o 1º lugar, e se possível diminuí-la, para o reforço da equipa em Dezembro/Janeiro possibilitar o ataque ao título. A recepção ao FC Porto terá um carácter decisivo nesse aspecto, visto que falta apenas uma jornada para o clássico. Na minha opinião, o Sporting, muito dificilmente, se intrometerá nesta luta a dois. Em Coimbra, e no Dragão frente ao Setúbal, está o próximo capítulo.

NDR: Fernando e Luís Aguiar falharam o encontro da Reboleira por lesão. O brasileiro, titular indiscutível na equipa de Daúto Faquirá, lesionou-se no último treino antes do jogo. Nem assim conseguiram vencer, mas fica a nota que a vergonha continua na mesma. Não se iludam!

Já viram esta entrada assassina? Não foi o Binya, e nem houve, sequer, um amarelo. Por onde anda a malta dos sumaríssimos? Quaresma, Bruno Alves… e Ricardo Silva agradecem!

Gostei dos assobios a Edgar, apenas tenho pena que não tenham sido mais veementes. E Jorge Ribeiro não merecia o mesmo tratamento, ou andam esquecidos?

Podem ver o resumo do jogo, aqui. O vídeo é da bS7.


Ficha do Jogo:

10ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Paulo Paraty (AF Porto)

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe, Luisão, Katsouranis e Léo; Maxi Pereira (Di Maria, 68 m), Binya, Rui Costa (Romeu Ribeiro, 86 m) e Cristián Rodríguez; Nuno Gomes e Óscar Cardozo (Gonzalo Bergessio, 77 m).

BOAVISTA FC: Peter Jehle; Rissut, Ricardo Silva, Marcelão e Bruno Pinheiro; Fleurival, Diakité e Jorge Ribeiro (Laionel, 75 m); Zé Kalanga, Fary (Edgar, 62 m) e Mateus (Bangoura, 81 m).

Disciplina: Amarelos a Zé Kalanga (27 m e 55 m), Léo (49 m), Marcelão (84 m) e Jehle (90+1 m). Vermelho, por acumulação de amarelos, a Zé Kalanga (55 m).

Golos: 1-0, Cardozo (17 m); 1-1, Jorge Ribeiro (57 m); 2-1, Maxi Pereira (61 m); 3-1, Cristián Rodríguez (66 m); 4-1, Ricardo Silva (80 m, na p.b.); 5-1, Nuno Gomes (84 m, de g. p.); 6-1, Nuno Gomes (88 m).

#Fotos: SerBenfiquista

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quarta-feira, novembro 07, 2007

Crónica Fase Grupos Liga Campeões - Com Sabor a Injustiça!

Um grande ambiente, como de costume no Celtic Park, e um 11 algo invulgar, apresentado por José Antonio Camacho. Com a entrada de Edcarlos para a saída de Nuno Assis, parecia, de facto, que havia excesso de jogadores com características defensivas. Mas o que é certo é que o esquema resultou e, nos primeiros 20/25 minutos, o Benfica dominou por completo a partida. Bastante surpreendente a entrada mandona, e descomplexada, com que os encarnados se impuseram, e só a concretização completamente deficiente - quase sempre de Óscar Cardozo -, impossibilitou que o Benfica fosse para o intervalo com pelo menos 1 golo de avanço. O paraguaio aproveita grandes jogadas de Rui Costa e Cristián Rodríguez, e tem 3 falhanços incríveis que, em alta-competição, não se podem ter (7 e 12 minutos, para grandes defesas de Boruc; 21 minutos, só conseguiu canto ao aproveitar desconcentração do guarda-redes polaco).

O Celtic respondeu em contra-ataque, ou através de bolas paradas, e aí Quim ou a defesa lusa resolveram sem grande dificuldade. Os escoceses acabaram por marcar no momento em que já se pedia o intervalo, e até depois de algum relaxamento visitante. Um golo de carambola, em Luisão e Quim, que é um castigo muito pesado para quem tanto tentou e, no momento decisivo…falhou! Após o reatamento, o Benfica sentiu imenso o golo britânico, e a responsabilidade de ter de vencer para continuar em prova, e na 2ª parte acabou por ser uma sombra daquilo que já tinha mostrado. O Celtic esteve sempre por cima, e foi Quim que evitou males maiores. Que grande exibição do internacional português! Cardozo ainda apareceu, com mais 2 falhanços incríveis, mas cedo se viu que não seria a sua noite (63 minutos, de cabeça e ao lado; 73 minutos, remate rasteiro para grande defesa de Boruc) .

Por curioso que seja, o refrescamento da equipa, por parte de Camacho, acaba por piorar o já deficiente fio-de-jogo e o Benfica, pouco tempo depois da entrada do inexperiente Di María, nunca mais conseguiu chegar à baliza de Boruc. No final, a vitória do Celtic acaba por ser justa e perfeitamente esperada, tendo em conta o mau momento encarnado e a difícil deslocação. Não foi um Celtic esmagador, como aquele que goleou o Benfica na temporada passada, mas os escoceses fizeram o suficiente para ganhar de forma indiscutível. A presença benfiquista no Celtic Park fica, também, marcada por uma agressão inacreditável do camaronês Binya, nos últimos minutos, que só poderia dar expulsão. Aí esteve bem o sueco Martin Hansson, autor de uma excelente arbitragem. Assim, a continuidade na Champions League está em risco, sendo que ainda há a possibilidade real de garantir uma vaga na Taça UEFA. Mas, para isso, é preciso vencer na Ucrânia…

NDR: Já viram esta, do Mantorras?

Ficha do Jogo:

4ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League

Celtic Park, em Glasgow

Árbitro: Martin Hansson (Suécia)

CELTIC FC: Anton Boruc; Gary Caldwell, Kennedy, McManus e Naylor; McGeady, Paul Hartley, Scott Brown (Evander Sno, 88 m) e Jarosik (Chris Killen, 67 m); Vennegoor of Hesselink (Massimo Donati, 67 m) e McDonald;

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe, Edcarlos, Luisão e Léo; Katsouranis, Binya e Rui Costa (Bergessio, 76 m); Maxi Pereira (Di Maria, 60 m), Óscar Cardozo (Nuno Gomes, 76 m) e Cristián Rodríguez.

Disciplina: Amarelo a Maxi Pereira (41 m). Vermelho directo a Binya (84 m).

Golos: 1-0, McGeady (45 m).


#Fotos: Reuters e AFP-Getty Images

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domingo, novembro 04, 2007

Crónica 9ª Jornada - Em Paços de Ferreira, só dá Camacho!


A justiça da vitória não pode ser colocada em causa, e o que é certo é que Camacho é o único treinador do Benfica, nos últimos 6 anos, que regista vitórias em Paços de Ferreira. Poderemos falar na subjectividade das estatísticas, como é óbvio, mas o que referi é um facto. O Benfica, na Mata Real, foi sempre superior e, mesmo com exibição algo apagada, conquistou os 3 pontos que o colocam a apenas 6 do 1º lugar. A esperança renasce um pouco mas atenção que o plantel é fraco e pouco competitivo! Importante será não deixar a diferença avolumar-se, e continuar a tentar reduzi-la, para que em Janeiro possa haver reforços de qualidade para lutar, definitiva e decisivamente, pelo título. Penso que só por aí haverá alguma hipótese para o 32º Campeonato, isto se, claro, não subsistirem decisões “douradas”.

José Antonio Camacho fez regressar as estrelas da equipa e isso acabou por ser fundamental para a vitória. Continuo a pensar que o melhor estilo de jogo passa por incluir dois avançados de raiz, mas há que ter em consideração o gritante abaixamento de forma, sucessivo, de Rui Costa. Talvez esteja aí o problema de um possível 4-4-2 que, ao invés, é convertido num 4-3-3 algo limitativo. Nuno Assis, incluído no 11 de forma surpreendente, acabou por passar ao lado do jogo, excepto quando disparou um míssil à baliza de Peçanha... e quando teve influência negativa no golo do adversário. É sempre difícil vencer em Paços de Ferreira e desta vez até foi através de algo que vinha a ser criticado à equipa de Camacho: as bolas paradas. Dois golos muito parecidos, com marcação exemplar de Rui Costa e preponderante acção de Cristián Rodríguez. Parece, de facto, um lance trabalhado nos treinos e se o primeiro sai de forma perfeita, o segundo tem emenda decisiva do regularíssimo Katsouranis.

Parece-me que Quim é mais indiscutível que nunca, não só pela sua imensa categoria e evolução mas também pela evidente tranquilidade que dá a esta defesa. Não foi um jogo complicado para o melhor guarda-redes português mas, aqui ou ali, a sua importância sai sempre vincada. Luís Filipe e Maxi Pereira são, para mim, duas peças a mais neste 11 titular. Em Paços de Ferreira não acrescentaram nada de positivo à equipa, não se entenderam entre si e cometeram falhas defensivas em catadupa. O uruguaio ainda não mostrou porque veio para o Benfica, o português não precisa de confirmar aquilo que todos já sabíamos. Binya, por outro lado, vem-se afirmando e já consegue suprimir algumas das lacunas criadas pela ausência de Petit. Preocupante a excessiva imaturidade de Di María, que mais uma vez foi pouco mais que zero. Cardozo não fez muito mais que o seu colega, pecando, mais uma vez, pela lentidão e atabalhoamento.

Gostei imenso da dupla de centrais, apesar de preferir Katsouranis no meio-campo. Actualmente, enquanto David Luiz não regressa, penso que deve ser esta a aposta do treinador, visto que Edcarlos não convence e Miguel Vítor ainda não tem estaleca. Luisão tem subido de forma de jogo para jogo e até foi um dos pilares do sucesso de ontem. Menos faltoso, e absolutamente imperial no jogo aéreo. E já tínhamos saudades dos golos do grego! Volto a escolher Léo e Cristián Rodríguez como os homens do jogo. São os dois atletas em melhor forma e, por isso mesmo, foi por eles que passou todo o jogo ofensivo do Benfica. É uma delícia ver o futebol que sai dos seus pés. Talento não lhes falta! Ah, não me esqueci da fundamental entrada em jogo de Nuno Gomes, que terá feito um dos melhores jogos da temporada. Impressionante na velocidade, e no discernimento dentro de campo. Que seja este o verdadeiro Nuno Gomes de 2007/08!

Poderia deixar um destaque para uma boa arbitragem, mas Bruno Paixão cometeu alguns erros que mancham a sua folha de serviço. De forma incrível, Renato Queirós viu poupada a sua expulsão, por acumulação de amarelos, por duas vezes. Já com um amarelo na sua conta, o ex-jogador da União de Leiria simula um ridículo penalty e mete a mão à bola de forma grosseira. Uma expulsão que, vendo pelo desenrolar da partida, talvez tivesse preponderância no resultado. Nos últimos minutos, o árbitro de Setúbal assinalada dois livres que deixam muitas dúvidas. O primeiro é muito perigoso e surge em frente à área do Benfica, numa falta duvidosa de Binya que até lhe dá um injusto amarelo, mas o Paços desperdiça a vitória com um remate disparatado. No minuto imediatamente a seguir é Léo que choca com Rovérsio e é deste livre que sai o golo da vitória. Lances com a mesma génese... e no aproveitar é que está o ganho, ó Mota do Boné!

Esta vitória terá, também, importância para o redobrar de forças na fundamental jornada da Champions League que se realizará, em Glasgow, na Terça-Feira. Tal como em Paços, só a vitória interessa, porque há, também, que correr atrás do prejuízo. Sinceramente, a confiança não é muita, principalmente porque ainda me lembro da "chapa 3" da temporada passada. E aí tinhamos outros argumentos dentro do campo. É esperar que surja algum golpe de génio, de um dos craques, porque tenho a sensação que será um jogo ao estilo de Copenhaga: muita luta, muita garra, muito suor! Veremos se também vamos ter a mesma alegria.

NDR: Quem não viu, que procure ver o golo que Simão marcou hoje pelo Atlético de Madrid. É mesmo daqueles à Simão, igual a tantos outros que fez ao serviço do Benfica. Os resultados desse clube não me interessam para nada, porque não lhes tenho nenhuma simpatia, mas gostava que o nosso ex-capitão tivesse a sorte que procura. Talvez hoje tenha sido o princípio de uma história feliz!

Li, algures, que 6 dos 16 golos do FC Porto são irregulares, ou tem origem em irregularidades. Isso dá quase 40% do total. Mas depois fazem capas destas, é só rir com as encomendas!

Podem ver o resumo do jogo aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

9ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira

Árbitro: Bruno Paixão (AF Setúbal)

PAÇOS FERREIRA: Peçanha; Mangualde (Ferreira, 65 m), Tiago Valente, Rovérsio e Chico Silva; Dedé, Pedrinha e Filipe Anunciação (Wesley, 88 m); Ricardinho, Renato Queirós (Furtado, 73 m) e Cristiano.

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe, Luisão, Katsouranis e Léo; Rui Costa, Binya e Nuno Assis (Di María, 72 m); Maxi Pereira (Nuno Gomes, 59 m), Óscar Cardozo (Freddy Adu, 83 m) e Cristián Rodríguez;

Disciplina: Amarelos a Renato Queirós (27 m), Rovérsio (31 m e 90+1 m), Luisão (31 m), Maxi Pereira (33 m), Filipe Anunciação (81 m), Nuno Gomes (81 m), Dedé (82 m). Cartão vermelho, por acumulação de amarelos, a Rovérsio (90+1 m).

Golos: 0-1, Rodriguez (21 m); 1-1, Tiago Valente (29 m); 1-2, Katsouranis (86 m).


#Fotos: Reuters e AFP-Getty Images

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quinta-feira, novembro 01, 2007

Crónica Taça Liga - "A Noite dos Mortos-Vivos!"


Pouco há a dizer sobre este jogo, que já não estivéssemos à espera. Aliás, o mais inesperado acabou por ser o conjunto de inacreditáveis opções tácticas de José Antonio Camacho. Tudo isto depois de ter sido decisivo na jornada anterior da Liga. Dou de barato o facto de se pretender apresentar uma equipa alternativa, até porque essa sempre foi a posição oficial do Benfica nesta Taça da Liga. Neste momento era uma opção discutível, tendo em conta a dificuldade do adversário – que ainda não perdeu esta temporada e tem uma equipa fortíssima – e o carácter decisivo do confronto. Quando há muitos equívocos, quer do treinador quer na exibição individual da esmagadora maioria dos atletas, as coisas tornam-se muito mais complicadas! Cá está a prova, mais uma, de que a 2ª linha do Benfica não está ao nível dos pergaminhos do maior clube português.

Compreendo, no entanto, que há jogos importantes num futuro muito próximo e os suplentes também cá estão para jogar, mesmo que se saiba que muitos não têm qualidade para tal. Não é por aí que as críticas aparecem, mas pela incrível opção em Edcarlos a médio – com Nuno Assis de fora dos 14 – e pelas saídas de campo de Cristián Rodríguez e Freddy Adu, que estiveram algo apagados ao longo da 1ª parte mas que pareciam estar a melhorar antes de serem substituídos. E como é possível Yu Dabao ser opção em detrimento de Mantorras? Parece que a vitória não era muito importante, mesmo para Camacho, e isso será sempre criticável e condenável. Esta competição tem pouca importância mas o Benfica, pela sua História, deve entrar sempre para vencer. É uma exigência! Já várias vezes dei a minha opinião sobre o actual plantel do Benfica e se acho que o 11 titular é bastante fraco muito mais será com vários jogadores suplentes. Daí, não surpreende que o Benfica tenha sido dominado em Setúbal, durante 90 minutos, deixando sempre a sensação que seria muito difícil passar a eliminatória.

A análise individual não é muito abonatória para quem vestiu o manto sagrado na 4ª feira. Butt não parece dar confiança à equipa, mas pode ser pelo facto de não estar entrosado. Quem conhece o Futebol Mundial sabe que o alemão é um guarda-redes com qualidade mas, nesta estadia em Portugal, ainda não me convenceu. Marc Zoro está na mesma situação, mas como é muito jovem tem tempo para se adaptar ao clube e à realidade portuguesa. O marfinense esteve muito mal em Setúbal, com responsabilidade directa nos golos do adversário, mas vou aguardar para dar uma opinião definitiva. Luís Filipe voltou aos bons velhos tempos pré-Marítimo, e foi, mais uma vez, um dos piores. Tal como Miguelito, que tarda em mostrar capacidade para fazer parte do plantel. Di María não esteve em Setúbal, a sua saída de campo pecou por tardia.

Bergessio fez o seu melhor jogo no clube, mas está muito longe de uma exibição aceitável. Mantém-se lento e trapalhão! Fábio Coentrão e Yu Dabao, neste momento das suas carreiras, são apenas equívocos. Andrés Diáz não interessa e Edcarlos tem alguma qualidade mas como 3º/4º central. Nunca para uma titularidade consistente e muito menos noutra posição que aquela onde costuma jogar. Luisão e Binya foram, para mim, os dois melhores jogadores do Benfica. O capitão ainda não está ao seu nível mas esteve seguro e lutador, tal como o camaronês. Binya esteve mais comedido em matéria de faltas, mas não menos impetuoso. Que seja uma evolução equilibrada e não um mero acaso.

Em relação à arbitragem há a lamentar um penalty não assinalado de Luís Filipe mas, como tento ser coerente, também vi outro penalty na área do Setúbal feito ao mesmo estilo, sobre Freddy Adu. É precisamente uma protecção de bola para o guarda-redes a segurar, mas acaba por derrubar o americano. Não sei dizer quem foi o jogador sadino que cometeu a falta, mas quem viu o jogo sabe de que lance me refiro. O público benfiquista também se manifestou no Bonfim, perante o silêncio comprometido dos histéricos setubalenses. O porquê disto não se comentar na Imprensa não me surpreende, o golo irregular do Setúbal, na semana passada, também foi pouco "explorado". O penalty sobre Bergessio é evidente, e as imagens televisivas confirmam-no, mas não se compreende a surreal complacência de Paulo Costa com as simulações na área do Benfica. Só Matheus fez umas 3, situação que condicionou bastante a actuação da defesa visitante.

E o que dizer desta reacção de Carvalhal: "Toma, Filhos da Put@. Chupem, c@r@lho!" E ainda por cima repetida nos dois golos. É uma provocação lamentável, um falta de educação gritante, um comportamento reprovável e indigno de um treinador que representa a sua classe, em directo, na TV. Não fica nada atrás da violência física de Scolari que indignou tanta gente, apesar da Imprensa escamotear algo que nunca tinha visto em Portugal, nos tempos mais recentes. É este tipo de gente que, depois, exige o respeito da massa adepta do Futebol? Uma vergonha!

NDR: Pensei que isso das coisas do Guinness era algo sem interesse e que não trazia nenhum prestígio ao clube, antes uma pontinha de ridículo. Foi dito quando se bateu o recorde de Pais Natais, na Luz, e quando o Benfica se sagrou, prestigiosamente, o Maior Clube de Futebol do Mundo. Os aviõezinhos de papel é que interessam, de certeza. Ainda não parei de rir! Menos hilariante é o facto de, pela 2ª vez consecutiva e já em Paços de Ferreira também se tinha passado, o FC Porto se adiantar no marcador com um golo irregular. Assim, continua a não haver Campeonato que dignifique o país. Ninguém faz nada?

A polémica do dia diz respeito ao afastamento do Benfica de Andrade e Sousa, mas o que se deve discutir é a razão da entrada no clube de dois escroques ex-FC Porto, ligados directamente à Máfia Azul e Branca que corrompe o Futebol Português há 25 anos. Isso é que eu gostava de ver clarificado, ou melhor, gostava que fosse desmentido porque me envergonha a mim, ao Benfica Clube e ao responsável que deu a autorização para tal. Principalmente porque, antes das suas entradas no clube, o Presidente falou no caso de Paulo Gonçalves, e num comunicado foi abordada a situação do Jorge Gomes.
Derrota injusta do Fátima, principalmente da forma como aconteceu e como todos viram. O que se fala, claro, é da eliminação do Benfica e da arbitragem de Paulo Costa. Enfim...

Ficha do Jogo:

2ª Mão da 4ª Eliminatória da Carlsberg Cup

Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: Paulo Costa (AF Porto)

VITÓRIA SETÚBAL: Eduardo; Janício, Robson, Auri e Adalto; Elias, Sandro e Ricardo Chaves; Paulo Roberto (Edinho, ao int.), Cláudio Pitbull (Filipe Gonçalves, 88 m) e Matheus (Bruno Gama, 81 m).

SL BENFICA: Hans-Jörg Butt; Luís Filipe, Marc Zoro, Luisão e Miguelito; Di Maria (Fábio Coentrão, 70 m), Binya, Edcarlos e Cristián Rodríguez (Andrés Diaz, 64 m); Freddy Adu (Yu Dabao, 85 m) e Gonzalo Bergessio.

Disciplina: Amarelos a Bergessio (20 m), Robson (37 m), Adalto (38 m), Edcarlos (42 m), Ricardo Chaves (45 m), Butt (62 m), Pitbull (64 m) e Fábio Coentrão (74 m).

Golos: 0-1, Freddy Adu (45 m, de g. p.); 1-1, Matheus (67 m); 2-1, Edinho (82 m).


O Vitória de Setúbal apura-se para a Fase de Grupos com um agregado de 3-2.

#Fotos: SerBenfiquista

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domingo, outubro 28, 2007

Crónica 8ª Jornada - À Camacho!


Raça, suor, vontade, com apenas 10... e até ao último minuto! É este o Benfica de que nos orgulhamos, uma equipa que luta com todas as armas que tem e nunca desiste até conseguir os seus objectivos. Hoje já tivemos um cheirinho daquilo que Camacho pretende para a equipa… a tal equipa à Camacho. Numa excelente 2ª parte, e com opções tácticas à treinador, nem uma prestação idiota de Pedro Proença impediu o desenrolar de um grande jogo de futebol, e a consolidação de uma vitória indiscutível. Na minha óptica, o lance decisivo terá sido o penalty defendido por Butt. Não só desmoralizou Makukula, e os seus colegas, mas também deu um importante boost de confiança aos restantes 10 elementos do Benfica que ficaram em campo. Camacho, com as alterações tácticas que introduziu na 2ª parte, essencialmente com derivação de Maxi Pereira para o meio e com a entrada de um elemento fresco para a banda direita, fez o resto.

A nível individual, há a destacar a extraordinária prestação de Léo, e já tinha estado soberbo no desafio com o Celtic – e de Cristián Rodríguez. Quanto a mim foram os dois melhores jogadores do Benfica, no que diz respeito a entrega, à velocidade empreendida nos lances e ao discernimento durante os 90 minutos. O brasileiro até dá a oportunidade para Adu resolver o jogo, após um trabalho individual ao seu estilo. O uruguaio não passa despercebido a quem gosta de Futebol, basta vê-lo jogar para compreender porque tem sido dos melhores jogadores desta equipa. E é incrivelmente jovem, apenas 22 anos, pelo que terá muito para dar ao Benfica se por cá ficar. Quando, e se, conseguir rematar mais vezes e fazer golos será de nível Mundial.



Binya tem muitíssimo talento, e é um recuperador de bolas nato, mas nunca vi ninguém no Benfica que fosse tão caceteiro. Eu abomino jogadores caceteiros! É um aprendiz de Paulinho Santos, e se não houver mão nele será um caso grave. Ainda não se vê maldade mas um jogador deste tipo, a jogar assim no Benfica, nunca terá sucesso. Hoje teve sorte em não ter sido expulso, porque por norma os árbitros não perdoam coisas destes a jogadores encarnados. Quim e Edcarlos foram comidos de cebolada no 0-1, o que torna a sua prestação negativa, tal como também foi a de Di María, talvez o pior elemento de hoje. Camacho apostou nele de início e ficou, com certeza, arrependido, até porque corrigiu o erro ao intervalo.

Hoje não gostei do constante atabalhoamento de Cardozo, nem do excessivo individualismo de Rui Costa. Freddy Adu já é um caso sério de popularidade e de produtividade. Mais uma vez no sítio certo, mas uma vez a resolver! Maxi Pereira, a jogar no meio, foi um luxo! Luisão e Katsouranis muito seguros no processo defensivo, o grego esteve um pouco apagado no ataque. Butt entrou bem e mostrou as tais credenciais a defender penaltys, sempre rende o chorudo ordenado que veio para cá ganhar. E quem foi o tipo que jogou com a camisola do Luís Filipe?



Não percebo como é que este árbitro pode ter sido o melhor classificado da temporada passada. É erro atrás de erro,ainda por cima com uma postura intimidadora e emproada. Como é possível Pedro Proença ter deixado em campo Binya e Kanu, por duas entradas a matar sobre Marcinho e Edcarlos? Depois, o camaronês ainda dá uma sapatada no rosto de um jogador do Marítimo e volta a ficar em campo. E se já não bastava isto, o árbitro de Lisboa ainda deixa passar um penalty do tamanho do Estádio da Luz, cometido sobre Léo e quando tem o ângulo de visão completamente aberto.

Felizmente não teve influência no resultado, porque o Benfica ganhou o jogo, mas poderia ter acontecido o mesmo que sucedeu contra o Leixões e o Vitória de Guimarães. Já se esqueceram? Em relação à expulsão de Quim, com o consequente penalty, é um lance discutível – porque há contacto mas este não é promovido pelo guarda-redes – mas aceito que se marque. É um lance muito semelhante ao que permitiu o empate do FC Porto em Marselha, e está sujeito a interpretação, mas, na minha óptica, Pedro Proença decidiu bem.



A subida ao 2º lugar acaba por ser natural, pelo menos para mim, visto que o Sporting tem uma equipa bastante fraca este ano, e quando se começa a entrar em crise fica complicado sair de lá. Importante será garantir a Fase de Grupos da Taça da Liga, ganhando em Setúbal, e depois derrotar o Paços de Ferreira numa deslocação bastante complicada. O próximo mês é bastante "mexido", ainda com a deslocação decisiva a Glasgow, portanto é imperativo que não haja lesões e que a consistência da equipa comece a ser solidificada.

NDR: Viram o pé descalço do Makukula? Aquilo é quê, um 52? Livra! Podia falar no desastre que foi a exibição de Ricardo Esteves mas, não sendo o disparate no penalty, até seria o melhor em campo dos madeirenses. Viram a assistência para o 0-1?

Podem ver o resumo do jogo aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

8ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)

SL BENFICA: Quim; Maxi Pereira (Freddy Adu, 80 m), Luisão, Edcarlos (Butt, 30 m) e Léo; Katsouranis e Binya; Di María (Luís Filipe, ao int.), Rui Costa e Cristían Rodríguez; Óscar Cardozo.

CS MARÍTIMO: Marcos; Ricardo Esteves, Ediglê, Van der Linden e Evaldo; Mossoró, Olberdam, Wénio e Marcinho (Djalma, 78 m); Makukula (Briguel, 81 m) e Kanu.

Disciplina: Amarelos a Ricardo Esteves (18 m), Wénio (19 m), Binya (39 m), Marcinho (76 m) e Luisão (83 m). Vermelho directo a Quim (29 m).

Golos: 0-1, Kanu (7 m); 1-1, Cardozo (17 m, de g. p.); 2-1, Freddy Adu (86 m).


#Fotos: Record e AFP-Getty Images

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quarta-feira, outubro 24, 2007

Crónica Fase Grupos Liga Campeões - A Noite de Tacuara!

A última oportunidade, real, na Liga dos Campeões residia neste importantíssimo jogo, o tal Mata-Mata de Scolari. A primeira nota de destaque é a evidente “zanga” entre a equipa e o público da Luz, algo que não acho que seja muito preocupante porque é cíclico e bastam dois ou três jogos, de grande qualidade, para a Luz voltar a ter os tais mais de 50/55 mil da praxe. No entanto, é caso para que a Direcção volte a repensar se é este o caminho que deseja para o futuro. Um caminho de, cada vez mais, indiferença dos associados! O Benfica, apesar de muito sofrimento, acabou por vencer de forma indiscutível. Visto que já vou atrasado na crónica, e que há outro jogo brevemente, vou usar este espaço apenas para destacar as duas prestações de que gostei mais e que são, curiosamente, de personagens muito criticados nos últimos tempos: José Antonio Camacho e Óscar Cardozo.

Certamente que por 9 milhões de euros havia muita gente que pensava que o paraguaio ia rebentar com tudo logo na primeira época. Eu também pensei o mesmo, confesso! Mas o que temos de analisar – e isso é válido para Bergessio, Di Maria e todos os outros sul-americanos que jogam na Europa pela 1ª vez – é o seu talento em si, e não a sua regularidade exibicional. Regularidade essa, tão propensa à tranquilidade do atleta e à familiaridade que tem com o futebol praticado pela equipa. Ora, Óscar Cardozo demontrou, contra o Celtic, que tem imenso talento. Reparem na magnífica jogada, onde roda sobre si mesmo, e remata ao poste! Esse lance só está ao alcance dos grandes jogadores, tal como o golazo de classe que decidiu a partida. Há que lhe dar espaço porque, com apenas 24 anos, tem muito tempo para demonstrar o seu valor. Eu acredito, sinceramente, que o futuro é risonho para o Óscar.

Não quero, para já, fazer aquelas análises complexas sobre estes quase 2 meses de Camacho no Benfica. Acho que ainda é cedo, para além do facto do espanhol ter estado condicionado aos problemas de planeamento do início de época. Mas há que criticar quando é para criticar, e elogiar quando é para elogiar. Isso é ser intelectualmente honesto! Neste jogo, Camacho roçou a perfeição, e a vitória tem a mão do espanhol. Só não concordo com a entrada de Luís Filipe, mas o que é certo é que só havia dois centrais e um miúdo no banco, logo, não havia outra alternativa. O 11 inicial era exactamente o que eu escolhia e as substituições eram as que fazia, e no momento que foram feitas. Adu e Di Maria, pela sua idade e irregularidade/inexperiência – não devem ser titulares no Benfica, muito menos na Liga dos Campeões. E depois já não os há para fazer entrar na 2ª parte! Os jovens são para se ir lançando aos poucos, não com a responsabilidade de entrar de início e decidir jogos.

A situação do Benfica no Grupo continua muito complicada e, na minha opinião, a passagem à próxima fase só será possível ganhando 2 dos restantes 3 jogos. Todas as equipas ainda podem qualificar-se, no entanto, a probabilidade de uns se qualificarem é bem superior a outros. Aposto na qualificação do Milan, em primeiro lugar com uma pontuação superior a 9 pontos, enquanto que a luta pelo 2º lugar decidir-se-á entre Benfica e Shaktar… ou em Glasgow na próxima jornada. Uma possível derrota na Escócia tornará difícil a Taça UEFA, só a vitória possibilita um eventual apuramento.

Podem ver o resumo do jogo aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

3ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)

SL BENFICA: Quim; Maxi Pereira, Luisão, Katsouranis e Léo; Binya, Nuno Assis (Di María, 62 m), Rui Costa e Cristián Rodríguez (Luís Filipe, 84 m); Gonzalo Bergessio (Freddy Adu, 62 m) e Óscar Cardozo.

CELTIC FC: Boruc; Gary Caldwell, Kennedy, McManus e Naylor; Massimo Donati (Evander Sno, 63 m), Paul Hartley, Jarosik, Scott Brown e McGeady; Killen (McDonald, 74 m).

Disciplina: Amarelos a McGeady (28 m), Killen (55 m), Hartley (72 m) e Di María (89 m).

Golos: 1-0, Cardozo (87 m).

#Fotos: Reuters e SerBenfiquista

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segunda-feira, outubro 22, 2007

"Apita o Comboio, Lá Vai a Apitar..."

Como é importante estar atento, e porque se fosse a transcrever os textos todos este post ficava gigantesco, deixo um conjunto de links recentes que continuam a denunciar os variadíssimos esquemas que ajudam à conquista de títulos no Futebol Português. Aconselho a leitura de todos, caso contrário não os deixava aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Destaque para o primeiro texto, que ajuda a compreender a tal lista de árbitros amigos. Lista essa, tão falada nos últimos tempos, foi elaborada pela Polícia Judiciária.

domingo, outubro 21, 2007

Crónica Taça Liga - "Com Ferros Matas, com Ferros Morres..."

A primeira nota que quero focar é o facto do Vitória de Setúbal ter uma excelente equipa, a mesma que empatou em Alvalade, quando merecia a vitória, e que goleou o Sporting Braga. Mas, mesmo assim, o comportamento de muitos jogadores do Benfica, neste jogo, foi absolutamente lamentável. E pronto, lá começam as desculpas: jogam poucas vezes, não têm ritmo, estão pouco adaptados ao clube e ao país, a competição é pouco apetecível, alguns vêm de lesão, jogam em posições diferentes, etc… Tudo isto é válido, obviamente, mas não chega para justificar a pobreza da exibição colectiva e individual, pelo menos da maioria. Já sabemos que o plantel do Benfica é bastante fraco - e se o 11 titular é fraco, quanto mais o será o suplente -, mas exigia-se mais velocidade e mais discernimento. Aos 10 minutos de jogo já estava tudo estático, à espera não sei de quê!

A sina do Benfica, nos últimos anos, é ter grandes treinadores com plantéis patéticos e treinadores incompetentes com excelentes plantéis. Para mim, um plantel de qualidade será aquele que contém jogadores que possibilitem, pelo menos, a elaboração de um 11 inicial de grande categoria. Um plantel atulhado de jogadores medianos, mas sem essas estrelas apetecíveis, nunca poderá ter melhor qualidade. Será equilibrado, na mediocridade, mas com pouca qualidade. O plantel do Arrentela, cheio de jogadores ao mesmo nível, é melhor que o plantel do Milan, com grandes estrelas a titular e mediocridade no banco? Um plantel sem os jogadores que saíram a época passada, e contando com os que entraram, nunca poderá ser superior. Já nem falo "dos últimos 10 anos”! É o tal "planeamento"...

Já não contando com as patetices que Luís Filipe vai exibindo cada vez que joga, o que me assustou verdadeiramente foram as exibições catastróficas de Fábio Coentrão e Gonzalo Bergessio, principalmente do último. O miúdo é muito jovem, mas fez o pior jogo pelo Benfica. Só tem a melhorar, e vai melhorar, porque pior será difícil. Tem muito potencial mas, tal como pensa Camacho, acho que lhe faria bem ser emprestado a um clube da 1ª Liga que precise de extremos. Agora, quanto ao argentino, que vem de lesão e que custou quase 3 milhões de euros por metade do passe, nada de positivo há a dizer. Até ao momento parece-me uma versão 2.0 do Mauro Airez! Lá vem a história que trabalha muito, mas se um avançado não consegue acertar na baliza, daquela forma, não está lá a fazer nada. Técnica de remate medonha! Se é para ter um a “trabalhar muito” e que tal meter Binya na frente? Claro que temos de dar tempo ao tempo, com o já falado 1º ano de adaptação. É um caso a seguir com atenção.

Quim e Katsouranis continuam a um nível magnífico, enquanto que Di Maria e Miguelito vão desiludindo cada vez mais, à medida que vão sendo apostas. Já tinha dito que, na minha opinião, o jovem argentino ainda só poderá ser uma aposta de 2ª parte e, portanto, não vale a pena dizer muito mais. Miguelito, depois de ter sido apontado como o futuro lateral-esquerdo da Selecção A, parece que perdeu o seu “mojo”. Desaprendeu, por assim dizer. Marca mal, passa mal, centra mal e cobre mal os espaços. Enfim, depois de grande expectativa, será daquele tipo de jogador a quem a camisola pesa demasiado? Binya caminha, a passos largos, para se confirmar como uma aposta consistente. Mesmo com aquelas entradas escusadas!

Não gostei do comportamento dos centrais. Luisão está a anos-luz daquilo que vale e Zoro ainda não reencontrou a melhor forma, após aquela lesão arreliadora. Os dois tiveram lapsos incríveis, sendo o último homem. Não pode ser! Nuno Assis e Freddy Adu acabam por ser os homens do jogo. O primeiro porque fez uma exibição de encher o olho, para mim foi muito surpreendente, e o 2º porque voltou a ser decisivo no resultado. Ainda não percebi, muito bem, o que vale o americano – ainda me parece um pouco desenquadrado com a realidade da equipa e do nosso futebol – mas, como reforço, é dos que mais tem mostrado. Mantorras já não coxeia e Dabao tem de ser emprestado.

O título da crónica, como devem conseguir descobrir, está relacionado com o triste jogo da Amadora. O que é certo é que o Benfica já nem devia estar nesta competição mas, na realidade, ontem existiu novo erro grosseiro que desvirtuou o resultado do jogo e, desta vez, já não há escândalo nacional! É a tal hipocrisia, e desonestidade, latentes em muita gentinha! Vejam lá que a RTP nem consegue encontrar comentadores que saibam as Regras do Futebol. É mais que óbvio que o “Dourado” Jorge Sousa, da AF Porto – “conhecido” por uma eliminação do Benfica, ao cotovelo –, cometeu um erro grosseiro ao validar o golo do Vitória, em fora-de-jogo de 2 metros. Estádio da Luz, Taça, Jorge Sousa, AF Porto, árbitro arguido do Apito Dourado e golos ilegais. Surpreendente? Claro que não! Siga a banda…

NDR: Outra situação patética, e não só da RTP, tem a ver com a deficiente realização televisiva, no momento da comemoração de golos. O que os telespectadores querem é ver a festa dos jogadores e a forma como interagem entre si. Queremos lá saber da reacção do público, dos suplentes, do guarda-redes que sofreu o golo, dos treinadores ou… dos apanha-bolas. Metam as câmaras nos jogadores, caramba…

Muito se reza em Fátima! Já há quem tenha companhia para visitar a nova Igreja...


Ficha do Jogo:

1ª Mão da 4ª Eliminatória da Carlsberg Cup

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

SL BENFICA: Quim; Luís Filipe, Luisão, Marc Zoro e Miguelito; Katsouranis e Gilles Binya; Nuno Assis, Di Maria (Freddy Adu, 71 m) e Fábio Coentrão (Yu Dabao, ao int.); Gonzalo Bergessio (Mantorras, 71 m)

VITÓRIA SETÚBAL: Eduardo; Janício, Robson, Auri (Hugo, ao int.) e Adalto; Sandro, Elias e Ricardo Chaves; Leandro Branco, Paulo Roberto (Edinho, 72 m) e Matheus (Bruno Gama, 57 m)

Disciplina: Amarelos a Miguelito (41 m), Janício (63 m), Luís Filipe (66 m), Elias (70 m), Zoro (84 m) e Katsouranis (90 m).

Golos: 0-1, Matheus (11 m); 1-1, Adu (90+3 m).


#Fotos: SerBenfiquista

#Video: TVTuga

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quinta-feira, outubro 18, 2007

Videoteca Encarnada #8 - Benfica 5-1 Setúbal 1996/97


Já que o próximo encontro do Benfica é frente ao Vitória de Setúbal, para a Taça da Liga, achei por bem recordar um dos melhores duelos, entre sadinos e encarnados, que foram realizados nos últimos tempos. O vídeo diz respeito a um confronto da 3ª jornada do Campeonato de 1996/97, que foi disputado num Estádio da Luz com bastante público. A equipa da casa vinha de um confronto europeu com os polacos do Ruch Chórzow, vitória caseira por 5-1 na 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça das Taças, e ainda não tinha perdido no Campeonato. O Vitória vinha de uma goleada ao Guimarães, por 4-0, e de um empate a duas bolas nas Antas, naquele célebre jogo em que foram dados 9 minutos de descontos até que o FC Porto evitasse a derrota.

O Benfica era treinado por Paulo Autuori, actual técnico do Al-Rayyan, que fez alinhar Michel Preud’Homme na baliza e uma defesa com Calado na direita, Dimas na esquerda e, ainda, Bermúdez e Hélder como centrais. A restante táctica do pirilau era explanada com Bruno Caires e Jamir como trincos, enquanto que Valdo e Panduru surgiam no apoio a João Pinto e Hassan. Vá-se lá perceber o que Autuori pretendia com isto, mas o que é certo é que neste jogo resultou. Na equipa de Setúbal, treinada por Mário Reis, pontificavam Hélio – ex-capitão e até há pouco tempo treinador do clube –, o excelente esquerdino Rui Carlos, os míticos Chiquinho Conde e Nogueira, o avançado Ayew e o guarda-redes Cândido.

O árbitro foi José Leirós, do Porto, que, na 2ª parte, deixou passar um penalty cometido sobre Hassan. Recordo que este árbitro foi afastado precocemente da arbitragem por ter denunciado uma alegada tentativa de corrupção por parte de Carlos Pinto, actual funcionário da Liga. Como nota de destaque há a evidenciar as espantosas exibições de João Pinto, Valdo e… Bruno Caires. Tenho pena que este último tenha tido uma lesão gravíssima, quando se transferiu para o Celta de Vigo, porque era uma promessa de enorme valor e que poderia ter tido uma carreira de grande qualidade. O Benfica, nesta época tão conturbada onde houve 3 treinadores, terminou a sua prestação no 3º lugar, depois do Campeão FC Porto e do Sporting.

#os coleccionadores podem fazer o download aqui, com a garantia de melhor qualidade de imagem.

#adicionado a
Videoteca Encarnada

#publicado em simultâneo com o Encarnados

A passo de... Caracol

Em Outubro de 2007, passam 42 meses desde que "rebentou" o mais escandaloso processo de Corrupção Desportiva em Portugal, denominado Apito Dourado. Em Itália, o mundialmente famoso CalcioCaos teve a duração de apenas 2....

quarta-feira, outubro 10, 2007

Jogador do Mês - Setembro: Rui Costa



Rui Manuel César Costa foi escolhido pelo Sindicato de Jogadores como o melhor jogador da Liga BWin no mês de Setembro. É um prémio justo para as excelentes exibições deste genial veterano. Exibições essas que fazem muitos palermas engolir as alarvidades que disseram aquando do regresso do filho pródigo. E não estou a falar de Joe Berardo...

É um orgulho ter um senhor desta envergadura, pessoal e futebolística, no Benfica. Não dá para ficares mais um ano, Rui?

NDR: Falta dar, também, os parabéns ao Quim, que ficou em 2º lugar, logo depois do Maestro.

#Foto: SerBenfiquista

#Video da autoria de fabioamp

segunda-feira, outubro 08, 2007

Crónica 7ª Jornada - O "Terror" de Leiria!

Estava para não ir mas depois, por carolice e à última da hora, lá fui ver o Benfica ao Municipal. Simplesmente vergonhoso o facto das bilheteiras do Estádio não estarem a funcionar, sem ninguém a avisar aquando da revista, e a malta ter de voltar para trás, e andar 300 ou 400 metros, para os ir comprar. Ainda por cima com uma fila gigantesca, com mais de meia hora de espera, que me impediu de ver os primeiros 5 minutos de jogo. O único jogo, em Leiria, em que há uma boa moldura humana, sensivelmente 9 mil pessoas, e os erros da organização são grosseiros e marcantes. Como querem que o Municipal tenha muita gente, de forma regular, se as poucas pessoas que lá vão são mal tratadas? Incompreensível!

A primeira nota de destaque vai para o escalonamento da equipa de Camacho, precisamente como eu, modestamente, acho que deve ser. Há a lamentar a recente lesão de Nélson, e só assim Maxi Pereira tem lugar no 11, mas este meio-campo com Rui Costa, Cristián Rodríguez, Binya – por lesão de Petit, obviamente –, e Katsouranis, deve jogar sempre. Cardozo e Nuno Gomes têm de ser titulares, sempre que estejam em boas condições físicas. Foi o regresso do losango, talvez a melhor táctica para este plantel. Camacho já tinha deixado esta impressão quando fez sair Di Maria, no jogo com o Shaktar, e voltou a confirmá-lo hoje. Na minha opinião, o jovem desequilibrador argentino deve ir fazendo umas segundas-partes, fresco e para partir tudo, até que esteja em condições de ser titular. Neste momento não as tem, disse-o na crónica anterior e reafirmo-o agora.

O jogo, propriamente dito, valeu pela excelente 2ª parte. No 1º tempo as equipas estiveram muito concentradas no meio do terreno e, por isso mesmo, houve poucas oportunidades flagrantes de golo. Destaque para Nuno Gomes: 12 golos marcados à União de Leiria em 15 jogos disputados! É impressionante como o Nuno, mesmo numa péssima forma e num constante jejum de golos, lá vai picando o ponto contra os leirienses. Cristián Rodríguez e Gilles Binya voltaram a encher-me as medidas e foram do que melhor se viu em Leiria. O uruguaio é rapidíssimo, com um controlo de bola exímio e foi sempre dos mais perigosos. O camaronês, apesar de algumas faltas desnecessárias, assume-se como o patrão do meio-campo defensivo, na ausência de Petit. Dois jovens, duas promessas de futuro! Bom jogo de Rui Costa e de Luisão, apesar do falhanço no 1º golo do jogo.

Edcarlos, Quim e Katsouranis mantêm o elevado nível dos últimos tempos, enquanto que Léo vai-nos dando alguns sinais de preocupação. A grande classe de Sougou explica alguma coisa, mas o brasileiro não anda bem há já alguns jogos e hoje, após nova má performance, até acabou por ser substituído. Espero que seja apenas uma má fase, porque Léo é um jogador fundamental neste Benfica. Já deu para ver que Maxi Pereira não pode ser o lateral-direito desta equipa. É mau no posicionamento defensivo, dá inúmeros espaços, e é muito duro de rins. Apesar de um ou dois bons cruzamentos não tem a "explosão" necessária para os lances ofensivos. Mas mesmo assim não me parece pior do que Luís Filipe!

Foi deprimente a exibição de Cardozo. Nos últimos 20 minutos já nem corria e ficava, lá pela frente, completamente estático. Dois ou três bons pormenores e um falhanço incrível, de cabeça, para quem custou 9 milhões de euros. Muita dificuldade a segurar bolas e muita lentidão. Tenho fé que seja uma questão de adaptação ao país, a este futebol, e até um excessivo cansaço originário da Copa América, mas até agora estou bastante desiludido com as suas prestações. Para avançados que criam espaços, fazem "tabelinhas", ou ganham no choque, um Karadas ou um Marcel chegam e sobram. Cardozo, pelo que custou e pelo que dizem que vale, tem de marcar golos.

Como nota de indignação há a destacar a vergonhosa arbitragem de João Ferreira que, após não ter assinalado um penalty mais que evidente de Luisão sobre João Paulo, fez da 2ª parte o seu espectáculo individual. Só faltou marcar o golo da União de Leiria! Para além do escandaloso agarrão em Nuno Gomes, dentro da área, passando por 3 foras-de-jogo mal assinalados e com jogadores do Benfica em posição privilegiada para fazer o golo, ainda teve a lata de inventar uma pseudo-falta de Nuno Assis, no último minuto, que daria a oportunidade a Laranjeiro – que ultimamente até anda de pé quente, nos livres, e fez uma grande partida – para empatar.

Há, ainda, um lance de mão na bola na área leiriense que me parece penalty, mas ainda não o revi na TV. E que tal as faltas sobre Cardozo serem marcadas? Não precisam ser muitas, só as que existam! Há um abalroamento de Hugo Costa sobre o paraguaio, ainda na 1ª parte e quando este se isolava, que daria vermelho directo ao jogador leiriense. O lance, no entanto, é claramente fora da área.

Quebra-se o ciclo de 5 jogos sem vitórias, e hoje o que mudou não foi apenas o facto das bolas terem entrado. Houve mais objectividade e melhor circulação de bola, menos rodriguinhos e um melhor posicionamento táctico. A mudança do sistema, para o 4-4-2, teve importância fundamental na performance sobre uma União moralizada pela vitória frente ao Leverkusen. A paragem, para jogos da Selecção, deverá contribuir para o melhoramento da equipa.

NDR: Naqueles convívios na fila da bilheteira, ouvi uma história surreal de um tipo do FC Porto – e não era ele que a estava a contar, mas sim um amigo a quem ele a tinha contado – que, no último União-Porto, ali foi espancado e assaltado por elementos da claque do próprio clube, mesmo tendo um cachecol portista vestido. "Foi-se" a carteira, o cachecol, o telemóvel… e até os bilhetes que tinha comprado para o jogo! A conclusão era... “E o tipo, mesmo assim, continua a ser fanático do FC Porto!”

Confesso que, por vezes, me perdia no jogo e preferia olhava para os topos para ver a malta dos NN, e dos Diabos, a cantar. Isso diz tudo sobre a sua extraordinária performance vocal. A saída do jogo ainda cumprimentei o João Querido Manha. Muito simpático, foi ele o primeiro a estender-me a mão quando o estava a felicitar pelo seu trabalho.

“Otra vez la misma pregunta?” Eh eh eh, ganda Camacho! Parabéns ao Nuno pelas declarações no flash interview.

Podem ver o resumo do jogo aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

7ª Jornada da Liga BWin

Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria

Árbitro: João Ferreira (AF Setúbal)

UNIÃO LEIRIA: Fernando; Laranjeiro, Hugo Costa, Éder Gaúcho e Patrick; Cadu, Tiago e Toñito (Paulo César, 74 m); Sougou (Ngal, 73 m), João Paulo e Maciel.

SL BENFICA: Quim; Maxi Pereira, Luisão, Edcarlos e Léo (Luís Filipe, 66 m); Katsouranis, Binya, Rui Costa (Di Maria, 73 m) e Cristián Rodríguez (Nuno Assis, 85 m); Nuno Gomes e Óscar Cardozo.

Disciplina: Amarelos a Tiago (17 m), Sougou (60 m), Binya (69 m), Nuno Assis (88 m) e Paulo César (88 m).

Golos: 1-0, Cadu (2 m); 1-1, Nuno Gomes (15 m); 1-2, Nuno Gomes (64 m).


#Fotos: Reuters e Record

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quinta-feira, outubro 04, 2007

Crónica Fase Grupos Liga Campeões - O Melhor Plantel...

Confrangedora a exibição de hoje, de meter dó. Não só a atacante, como tinha sido em quase todos os jogos, mas também a defensiva. Até Léo, que costuma ser fabuloso, fez um péssimo jogo. Já o disse várias vezes mas volto a repetir: a equipa actual do Benfica é muito fraca, e sem ovos não se fazem omoletas. Do meio campo para a frente, e não contando com o veterano Rui Costa, há apenas promessas inconstantes e bons jogadores. Sim, apenas bons jogadores e não excelentes jogadores. E volta a tal conversa que vocês já não podem ouvir/ler: Miccoli, Simão, Karagounis… e Manuel Fernandes.

É óbvio que custa estar sempre a bater na mesma tecla mas é incomodativo ver que a construção deste plantel foi feita em cima do joelho! Mas já olharam bem para a equipa do Shaktar? Lucarelli, Ilsinho, Srna, Fernandinho, Chygrynskiy seriam titulares, de caras, em qualquer grande português. Não só são jogadores fenomenais, como se viu hoje e se sabe, mas também pelo preço que valem… que é astronómico! Foram quase 70 milhões de euros, em contratações, que é o triplo do Benfica mais investidor de sempre. O ala Ilsinho custou mais que Óscar Cardozo. Esse, sim, é um grande plantel e ainda com Nery Castillo, o fabuloso mexicano dos 20 milhões de euros, e um central titular da República Checa no banco. Nem jogou o Willian, o tal dos 15 milhões que era caríssimo para o Benfica. É uma equipa fortíssima e muito acima deste Benfica. “O melhor dos últimos 10 anos”?! Para rir...

Quando se critica o Camacho por fazer entrar Binya, e o camaronês foi o melhor jogador do Benfica na 2ª parte, está tudo dito. Camacho tem as suas responsabilidades, nomeadamente não jogar com dois avançados, mas com este patético plantel queriam milagres? Há pouca profundidade na equipa, em virtude do último passe continuar a ser mal executado. O único lance de jeito de Di Maria foi o remate à barra, não fez mais nada de relevante. Actualmente, e acredito que venha a melhorar porque tem muito talento, o futebol de Di Maria estagna a progressão da equipa. Tem um genial drible curto mas um extremo que não sabe rematar, nem centrar, nem passar a bola – ou seja, não decide bem no último passe –, não pode ser titular no Benfica. Reconheço-lhe muito potencial, mas a jogar assim é facilmente anulável. Devia ser introduzido na equipa aos poucos, mas o pior é que não há mais ninguém e, hoje, até Rui Costa esteve desinspirado.

Grande jogo fez Rodríguez, que se assume cada vez mais como o melhor reforço de 2007/08. Camacho continua a não incluir dois avançados, o que considero um erro crasso. É verdade que Nuno Gomes e Óscar Cardozo não têm passado de nulidades confrangedores mas há que os incluir ao mesmo tempo, ou o ataque manter-se-á inexistente. Claro que, se se falharem golos como o do derby de Sábado passado, podem lá estar 5 ou 6 que não vai fazer diferença. E qual a explicação para não se fazerem as 3 alterações? Não vou pelo discurso alarmista que já exige a demissão do espanhol, e há muitos com esse pensamento, porque o treinador é o último culpado de tudo o que está a acontecer. Está na hora de assumir as responsabilidades, sr. Luís Filipe Vieira!

Uma surpresa a derrota do Milan em Glasgow! Assim, facilmente chegamos à conclusão que este Benfica só terá lugar, eventualmente e com muito suor, como 3º classificado do grupo. O que já era, como se devem lembrar, o que tinha dito aquando do sorteio. O grupo é bastante complicado e a luta com o Celtic definirá o futuro do Benfica, porque Milan e Shaktar são equipas de um outro nível. Aqui, a vitória dos ucranianos é indiscutível, porque foram superiores em todo o jogo. Seria injusto que não saíssem da Luz com uma vitória, mesmo que o único golo apontado tenha acontecido no seguimento de uma falta flagrante sobre Nélson. Wolfgang Stark, autor de uma arbitragem miserável, deixou seguir o lance de forma incrível. Nélson até teve de ser substituído!

Ficha do Jogo:

2ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Wolfgang Stark (Alemanha)

SL BENFICA: Quim; Nélson (Nuno Gomes, 44 m), Luisão, Edcarlos e Léo; Maxi Pereira e Katsouranis; Di Maria (Gilles Binya, 60 m), Rui Costa e Cristián Rodríguez; Óscar Cardozo.

SHAKTHAR DONETSK: Pyatov; Darijo Srna, Chygrynskiy, Kuscher e Rat; Ilsinho (Duljaj, 79 m), Lewandowski (Hubschman, 85 m), Jadson (Nery Castillo, 76 m) e Fernandinho; Cristiano Lucarelli e Brandão.

Disciplina: Amarelos a Katsouranis (56 m), Cardozo (68 m), Rodriguez (77 m), Srna (77 m), Fernandinho (81 m) e Castillo (82 m).

Golos: 0-1, Jadson (42 m).


#Fotos: AFP-Getty Images

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terça-feira, outubro 02, 2007

Copyrights no YouTube

Por causa de um video de "A Portuguesa", cantado pela Selecção de Rugby, a minha conta do YouTube foi suspensa, o que constitui uma vergonha. Após quase um mês, e 200 mil views, é que se lembraram de lá ir apagar as imagens. Lamentável!

Portanto se, nos próximos dias, a referida conta não for desbloqueada, farei upload a todos os videos que lá constavam e que nada têm a ver com o assunto. Evidentemente fá-lo-ei para uma outra conta, que até já tenho criada.

Edit: Como a situação não foi reversível, a nova conta já está preenchida com os videos antigos. Deu trabalho mas já está tudo resolvido.

#publicado em simultâneo com o Encarnados

sábado, setembro 29, 2007

Crónica 6ª Jornada - Andar a Chover... no Molhado!


É verdade que Camacho continua sem perder no comando do Benfica mas também não deixa de ser verdade que, em 5 jogos para a Liga, já se contaram 3 empates a zero. O Benfica está com um sério deficit de eficácia, e essa escassez de golos justifica-se pelo cansaço e dificuldades de adaptação de Óscar Cardozo, pelas lesões de Bergessio e de Mantorras, pela inexperiência gritante de Yu Dabao, e pela desinspiração e falta de pontaria constantes de Nuno Gomes. É, evidentemente, preocupante! Uma equipa não ganha sem marcar golos, mas não tem sido por falta de oportunidades que eles não aparecem. Resta esperar que haja novidades no estado individual dos atletas referidos acima, pois, caso contrário, o Benfica continuará a não conseguir subir na tabela classificativa.

Perante uma chuva torrencial, o Benfica entrou bastante bem no jogo e poderia ter inaugurado o marcador numa sensacional jogada de Rui Costa. Abel evitou aquilo que os jogadores da Naval não conseguiram (2 m). A resposta do Sporting foi imediata e apenas Quim evitou que Miguel Veloso se estreasse a marcar pelo Sporting, frente ao clube onde iniciou a sua carreira (3 m). O início de jogo foi bastante mexido, como se pode ver, e houve várias movimentações nas duas áreas. O Benfica tinha o comando do jogo mas o Sporting aproveitava a velocidade de Liedson, e os passes a rasgar de Romagnoli, para criar perigo. Liedson, mesmo apagado, foi o principal artificie do ataque leonino mas os seus remates iam saindo desenquadrados (22 m e 25 m). Há duas boas oportunidades de golo para o Sporting, mas Quim e Nélson evitam que Djaló e Vukcevic inaugurem o marcador (36 m e 40 m).

A 2ª parte foi totalmente do Benfica e, à medida que o tempo ia passando, dava a sensação que o adversário estaria satisfeito com o resultado. O Benfica está perto de inaugurar o marcador quando Polga desvia, para perto da baliza, um remate de Cristián Rodríguez (50 m). Stojkovic estava batido. Após um brilhante passe de Romagnoli é Liedson que tem o golo nos pés mas Quim cobre a mancha de forma exemplar e cede canto (52 m). Na sequência desse lance o Sporting tem a sua chance mais flagrante, com Tonel a não conseguir aproveitar a oferta de Maxi Pereira (52 m). Nuno Gomes, após uma defesa a um grande remate de Rui Costa, é o grande perdulário da noite pois tem um falhanço intolerável em alta-competição (56 m).

Após uma jogada que recorda o 2º golo de Portugal no 3-2 à Inglaterra, no Euro 2000, Rui Costa coloca a bola na cabeça de Nuno Gomes mas o ponta-de-lança do Benfica atira para fora (59 m). Di Maria e Rodríguez eram um verdadeiro perigo, mas o último passe insistia em não sair em boas condições. O argentino e o uruguaio tentam a sua sorte de longe mas sem sucesso (64 m e 65 m). Apesar de um ou outro fogacho, as substituições não deram os seus frutos e o jogo acaba por ficar marcado por dois lances, polémicos, de arbitragem. Lances discutidos mais abaixo.

Surpresas... ou Talvez Não

A nível individual não houve nada de muito relevante, em relação a outros jogos, pelo que só quero destacar duas performances de forma mais vincada. Uma que surpreendeu pela positiva, a de Nélson, e outra que é o confirmar de um estado de letargia irreversível, a de Nuno Gomes. O defesa-direito do Benfica agarrou o lugar, de forma definitiva, ao fazer uma exibição de encher o olho. Para mim foi o melhor jogador do Benfica e, mesmo sem ter estado brilhante, apareceu bastante seguro a defender e acutilante no ataque. Não tirou da cartola um daqueles centros à Nélson mas salvou dois golos na baliza de Quim. O banco, e a concorrência, fez-lhe bem, pelo que espero que seja humilde e que continue a trabalhar em prol da equipa.

O que mais se pode dizer de Nuno Gomes? O jogador mais bem pago do Benfica, que ainda por cima é um capitão sem qualquer perfil para tal, não pode falhar mais um golo a um metro da baliza. Nem que fosse o Buffon a ocupar as redes, um ponta-de-lança – ou avançado, ou o que quiserem – não pode sair impune de um falhanço tão humilhante como este! Até o meu padeiro marcava aquele golo, é um falhanço ridículo que o devia encher de vergonha. E se ainda fosse o primeiro! O Nuno Gomes é o verdadeiro "cancro" do actual Futebol do Benfica e, ou joga com outro avançado, ou não passa de um perfeito inútil em campo. Depois falam-me que faz pressão alta e tal. Mas que pressão? O Anderson Polga ganhou os lances todos. Repito: todos! Aquele chapéu do brasileiro, com os dois encostados à linha, foi ainda pior que um estalo na cara.

Gostei de Quim, de Katsouranis e de Rodríguez. O que tem sido habitual. Edcarlos manteve-se seguro, o que até foi uma surpresa, e a Maxi Pereira continua a faltar qualquer coisa que não sei explicar. Rui Costa teve grandes momentos individuais – passes à Rui Costa e um fabuloso remate de longe – mas agarrou-se muito à bola, o que, por vezes, me irritou um bocadinho. Não gostei dos primeiros 20/25 minutos de Léo... situação estranha! O regresso de Luisão é/foi fundamental, apesar de ser visível que ainda não tem pernas para acompanhar sprints. E faltava-lhe alguma confiança para tentar ganhar o choque ou a antecipação – há um lance com Djaló que quase me dava uma síncope. Di Maria e Freddy Adu têm de aprender a passar a bola de forma mais frequente e mais rápida. E treinar os remates também vai dar jeito. Muito jeito, aliás!

Muito para dizer sobre Arbitragem

Tinha desejado um jogo sem casos, e com uma vitória do Benfica, mas infelizmente nada disso aconteceu. Aliás, o que faltou em golos houve, de sobra, em decisões polémicas. Sou um apreciador do estilo de Pedro Henriques, árbitro que respeito e não incluo na comandilha de “Dourados” que vegetam no nosso Futebol há tantos anos, mas confesso que não gostei da sua actuação neste derby, tal como já não tinha gostado no ano passado. A bem da verdade há 4 casos que podem ser discutidos, alguns serão empolados pela Comunicação Social enquanto que outros serão esquecidos. Adivinhem quais...

O penalty de João Moutinho sobre Freddy Adu é mais que evidente, porque a falta que lhe daria origem é inequívoca. Perante alguns burburinhos que se foram ouvindo, importa esclarecer que uma falta cometida em cima da linha-de-área é considerada dentro da área. O referido lance ocorre claramente dentro, como mostra uma das fotos deste post, mas fica, então, o esclarecimento para quem não conhece as regras. Quanto à mão de Katsouranis é discutível dizer-se que há penalty, visto que a lei diz que pode não haver falta se o braço estiver junto ao corpo. Portanto, em posição natural, ninguém pode cortar os braços para poder jogar, não é? Mas não ficaria escandalizado se a decisão tivesse sido outra. Aceitava que Pedro Henriques tivesse assinalado, apesar de eu achar que não há intenção.

Compreendo que haja muita gente que se incomode com a rábula entre Pedro Henriques e o seu auxiliar, mas há que esclarecer que a indicação do fiscal-de-linha ao árbitro é apenas uma indicação. O árbitro principal é o chefe da equipa de arbitragem e pode seguir o conselho do seu auxiliar... ou não. Por isso se chamam auxiliares, porque não têm poder para assinalar faltas. Foi tudo feito de pleno direito, evitava-se era a interrupção de jogo e a consequente reposição de bola ao solo. Aí houve uma falha, porque o intercomunicador é para se usar, apesar de eu compreender que Pedro Henriques quisesse confirmar, pessoalmente, o ponto de vista do seu colega.

Há, ainda, outros dois lances de contacto, que poderiam originar penaltys, mas que não me parecem ser evidentes. Há um em cada área e, ambos, com génese muito similar. No primeiro, Ronny e Rodríguez tentam disputar uma bola e há um encosto da perna do brasileiro no uruguaio que pode ter contribuído para a queda deste último. O lance é muito rápido e admito que seja muito difícil para o árbitro descortinar, principalmente com o terreno molhado. O outro lance é de Katsouranis com Romagnoli e tem parecenças com o anterior, diferindo no facto da queda ter sido mais espectacular. Pessoalmente não marcaria falta em nenhum dos casos e Pedro Henriques, que costuma permitir contactos mesmo que viris, optou por seguir o seu critério.

Mas é curioso verificar que, quer no lance da hipotética mão na bola Katsouranis, quer no hipotético tackle em Romagnoli, não houve qualquer jogador do Sporting a esboçar, sequer, um leve protesto. E estavam lá 3, no momento. Bem mais escandaloso foi o 1º golo do FC Porto em Paços de Ferreira – uma mão nítida de Bruno Alves, antes de assistir Lisandro López – e não houve tanto espectáculo mediático. O que é de lamentar é o critério de protesto da comitiva do Sporting, porque contra o Setúbal não houve ninguém a queixar-se.

Verdadeiramente anedóticos foram os vários cantos, evidentes, não assinalados pelos auxiliares – 2 ou 3 para cada lado. Algumas opções, nesse sentido, foram do mais catastrófico a que já assisti. Não percebo a indignação em relação ao cartão amarelo exibido a Abel, por falta sobre Rodríguez. Não foi exibido pela entrada em si, que não foi dura, mas sim por cortar uma jogada de perigo eminente. É evidente que o uruguaio do Benfica partiria com grande velocidade para o contra-ataque, e sem ter adversários por perto. Se faltaram alguns amarelos, nomeadamente a Rui Costa e Maxi Pereira, por entradas mais duras? Sim, mas esse sempre foi o critério deste árbitro, e neste jogo não foi diferente.

Perder mais 2 Pontos

As coisas vão-se tornando complicadas no Campeonato e a esperança começa a esmorecer. 8 pontos de atraso começam a pesar um pouco, principalmente numa equipa com muita gente jovem e inexperiente. Não me canso de dizer que continuo a ter total confiança em Camacho, apesar de discordar de algumas opções do espanhol. Não gosto deste 4-2-3-1 pois acho que, mediante as características dos jogadores escolhidos, não chega ter apenas um avançado de raiz. Há que abdicar de um médio e colocar Cardozo no 11 titular, é uma pena Mantorras e Bergessio não poderem dar o seu contributo. A minha opção recairia, sem pestanejar, em Maxi Pereira. Mas a cabeça que está no cepo é, obviamente, a de Luís Filipe Vieira. Talvez seja por isso que o Presidente pouco tem aparecido. A meio da semana há Liga dos Campeões, e o Shaktar tem uma frente de ataque claramente superior...

NDR: Não sei se já leram isto mas, se não o leram, aconselho-vos. Já repararam que o líder do Campeonato, num país como Itália, nem sequer estaria a disputar a competição? Isso não vos revolta? O que é verdadeiramente importante é criar Taças da Liga e tal...

Podem ver o resumo do jogo aqui. O vídeo é da bS7.

Ficha do Jogo:

6ª Jornada da Liga BWin

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Pedro Henriques (AF Lisboa)

SL BENFICA: Quim; Nélson, Luisão, Edcarlos e Léo; Katsouranis e Rui Costa (Nuno Assis, 88 m); Maxi Pereira, Di Maria (Freddy Adu, 82 m) e Cristián Rodríguez; Nuno Gomes (Cardozo, 76 m).

SPORTING CP: Stojkovic; Abel, Tonel, Anderson Polga e Ronny; Miguel Veloso; João Moutinho, Romagnoli e Vukcevic (Farnerud, 68 m); Yannick Djaló (Celsinho, 83 m) e Liedson.

Disciplina: Amarelos a Luisão (42 m), Abel (49 m) e Cristián Rodríguez (70 m).

#Foto: Reuters e SerBenfiquista

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